Surdo oralizado

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Surdos oralizados são surdos congênitos ou adquiridos que utilizam qualquer língua oral para se comunicar, na modalidade oral, oro-facial, também denominada de leitura labial e/ou leitura e escrita.[1]

A denominação abrange os surdos que sabem ler, escrever e falar fluentemente e os surdos que sabem ler e escrever, mas não são fluentes na fala, os ensurdecidos e os surdos na terceira idade. O denominador comum deste grupo é, em primeiro lugar, o uso da língua oral como meio de comunicação em todas as suas formas.

Opção pela oralização de surdos[editar | editar código-fonte]

Grupos especializados em surdos oralizados defendem que a comunicação oral faz parte da essência humana e sugerem que pais, apoiados por ajuda fonoaudiológica especializada, têm o direito de optar pela oralização de seus filhos que perderam a audição antes de adquirir a capacidade de fala.

A opção pelo uso da língua oral contribui consideravelmente para o processo de inclusão com a comunidade ouvinte, pois favorece a autonomia e abre possibilidades de desenvolvimento de capacidades intelectuais e cognitivas e possibilita uma melhor interação com a comunidade.

Desenvolvimento e manutenção da fala[editar | editar código-fonte]

Alguns recursos para capacitar o surdo a desenvolver ou manter a linguagem oral e escrita envolvem sessões com fonoaudiólogos, leitura labial, uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares, sonorização especial de ambientes, legendas, equipamentos para facilitar a comunicação e participação ativa da família.

Surdos oralizados na sociedade[editar | editar código-fonte]

As principais necessidades de acessibilidade de surdos oralizados se referem principalmente à legendagem de áudio e sinais luminosos que sejam usados em conjunto com alertas sonoros.

A legendagem para filmes estrangeiros e, principalmente, nacionais, se torna de fundamental importância, pois a dublagem de filmes estrangeiros e a falta de legenda em filmes nacionais impedem que os surdos, de maneira geral, apreciem as artes audiovisuais em sua plenitude.

As legendas devem ser essencialmente de boa qualidade, completas e fiéis aos diálogos que transcrevem, sem nenhuma simplificação conceitual. Devem ser elaboradas por profissionais de boa formação técnica.

Além disso, as legendas não atenderiam somente aos surdos, mas também as pessoas de meia idade que têm a audição diminuída; crianças em fase de alfabetização; adultos que necessitam de alfabetização; estrangeiros que querem aprender o idioma local, dentre outros usuários.

Sob o olhar pedagógico, o contato diário do indivíduo com a escrita, sendo ele via legenda ou por meio de outras tecnologias (como material impresso, por exemplo), facilita muito a aprendizagem, entretanto, é necessário que esse material seja elaborado de maneira criteriosa. Isso significa o uso de legendas realmente comprometidas com a norma culta da língua e não legendas facilitadas, condensadas ou simplificadas, que apenas iriam provocar a acomodação do leitor, além de nada contribuir para o desenvolvimento da sua capacidade de entendimento e estruturação do pensamento.

Em eventos que ocorrem em grandes ambientes, existe também a possibilidade de implantação do equipamento conhecido por Hearing Loop, também denominado induction loop, boucle magnetique, aro magnético ou ainda anel indutor ou emissor para receptor auricular, como é conhecido, respectivamente, nos Estados Unidos da América, na França, na Argentina e no Brasil.

Tal equipamento tem por premissa captar o som da TV, do cinema, do palestrante na sala de conferências e o transmitir, sem ecos ou interferências, para os aparelhos auditivos e implante coclear. Em países que já utilizam esse equipamento ele tem também uma função bastante eficaz, quando utilizado em crianças surdas, em sala de aula.

Referências

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