Telessaúde

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Quanto à formação da palavra telessaúde, trata-se de um hibridismo da língua portuguesa que une o radical grego tele (ao longe, distância) à palavra saúde, do latim salute com a redação dos dois “ss” como produto do novo acordo gramatical, que visa criar uma ortografia unificada a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. É possível observar dois elementos estruturantes no significado da palavra telessaúde: a interlocução para o cuidado em saúde (1) e a distância como barreira a ser transposta (2) para que o cuidado se realize.

Telessaúde é a promoção de saúde, relacionada a serviços de informação, através de tecnologias de telecomunicações. Podendo ser simples, como dois profissionais de saúde discutindo um caso por telefone, ou mais sofisticada com uso de redes de vídeo e web-conferências e até o uso da robótica.

O atendimento em saúde depende da troca de informações sobre o paciente, daí vem a possibilidade de uso de ferramentas para ampliar os horizontes dessa rotina, alterando paradigmas.

No Brasil, o Programa Nacional de Telessaúde realizado desde 2007 em parceria do ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, inclui o uso de um programa que permite a troca de informações via internet entre médicos do SUS, médicos especialistas e pacientes. Segundo relatório divulgado em março de 2010 pelo Ministério da Saúde, 50% dos deslocamentos de pacientes em tratamento de 9 Estados brasileiros foram reduzidos com a implementação do serviço 1 .

Índice

Profissões relacionadas [editar]

Médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, odontólogos, psicólogos, farmacêuticos, jornalistas, bibliotecários, cientistas da computação e da informação, profissionais de cinema e tv, entre outros profissionais como técnicos em enfermagem, auxiliares de consultório dentário e agentes comunitários.

A História da Criação de uma Rede de Telessaúde Regional de Grande Porte em Minas Gerais2 [editar]

Em 2005, em resposta a uma Chamada Pública da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) articulou-se a primeira ação de telessaúde para regiões remotas em Minas Gerais. Essa ação, que contou com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi estruturada como um projeto de pesquisa denominado Minas Telecardio 3 . O objetivo era verificar a hipótese de que a implantação de sistema de telecardiologia de baixo custo em pequenas cidades do interior do Brasil era factível e viável, sendo possível reduzir encaminhamentos desnecessários, melhorar a qualidade da assistência e reduzir o custo da atenção à saúde.

Em 2001 iniciou-se o desenvolvimento de um modelo de telessaúde para apoio à Atenção Primária com foco na teleassistência, por meio de parceira entre o Hospital das Clínicas da UFMG (HC/UFMG) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA/BH). Na época, o acordo de cooperação internacional com o Centro Hospitalar Universitário de Rouen, França foi fundamental para o processo por servir de base para capacitação da equipe. A realização conjunta do Primeiro Seminário de Tecnologias da Informação na Área da Saúde, Aplicações e Perspectivas no Brasil e França marcaram essa fase contribuindo para o desenvolvimento da telessaúde no HC/UFMG.

Em 2005, em resposta a uma Chamada Pública da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) articulou-se a primeira ação de telessaúde para regiões remotas em Minas Gerais. Essa ação, que contou com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi estruturada como um projeto de pesquisa denominado Minas Telecardio 4 . O objetivo era verificar a hipótese de que a implantação de sistema de telecardiologia de baixo custo em pequenas cidades do interior do Brasil era factível e viável, sendo possível reduzir encaminhamentos desnecessários, melhorar a qualidade da assistência e reduzir o custo da atenção à saúde.

A partir da união de pesquisadores experientes e qualificados de cinco hospitais escola, um dos requisitos da Chamada Pública, foi instituída a Rede de Teleassistência de Minas Gerais (RTMG) 5 , constituída por cinco universidades públicas do estado: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triangulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e adesão posterior da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) em 2009. Foram estruturados polos regionais vinculados a essas universidades, com estrutura clínica e técnico-administrativa necessária ao trabalho proposto.

Evolução do modelo de telessaúde em Minas Gerais6 [editar]

A integração dos projetos de telessaúde a nível nacional, estadual e municipal permitiu a criação de importante estrutura de teleassistência e tele-educação no estado, permitindo o compartilhamento do conhecimento entre as universidades e os municípios abrindo-se perspectivas quase infinitas de atuação conjunta e otimização do ensino, pesquisa e assistência à saúde em Minas Gerais. Desta forma, o histórico da telessaúde em Minas Gerais evidencia o seu pioneirismo, não só no componente de articulação política e financiamento, mas também na evolução do modelo de telessaúde adotado. O trabalho realizado foi formalmente reconhecido por meio de prêmios e distinções nacionais e internacionais recebidas.

A seguir um resumo da evolução do modelo de telessaúde em Minas Gerais:

1) Telessaúde como novo processo de trabalho: Início em 2004 com objetivo de prover educação permanente e suporte assistencial para os profissionais do Programa Saúde da Família da capital por meio de teleconsultorias online e offline e teleconferências educacionais.

2) Telessaúde como Pesquisa Acadêmica: Em 2005, por meio do projeto de pesquisa Minas Telecardio, 82 municípios foram conectados a cinco polos universitários por meio de atividades de telecardiologia. A pesquisa resultou na constatação da efetividade e validação de sistema de telecardiologia para regiões remotas.

3) Telessaúde como ação estratégica de fortalecimento da Atenção Primária: Em 2007, houve a integração de 100 municípios do projeto Telessaúde Brasil do Ministério da Saúde e iniciou-se as atividades de teleconsultorias offline. Em 2008, a SES/MG manteve o apoio financeiro para manutenção do serviço e expansão para mais 97 municípios.

4) Telessaúde como serviço de suporte as Redes de Atenção: Em 2009, com nova expansão para 328 municípios, a telessaúde passa a ser reconhecida como um serviço regular, denominado Tele Minas Saúde disponível para 557 municípios e se incorpora definitivamente ao sistema de saúde do estado com perspectiva de expansão para todos os níveis de atenção. Em 2011, 50 municípios foram incorporados à RTMG, totalizando 660 municípios.

Resultados da telessaúde em Minas Gerais [editar]

Atualmente a RTMG presta serviços de telessaúde a mais de 660 municípios de Minas Gerais. São oferecidos os serviços de Telediagnóstico (laudo de eletrocardiograma, MAPA e Holter) e Teleconsultoria. A telecardiologia é composta por laudo de eletrocardiograma (ECG) e discussão de casos clínicos urgentes de cardiologia. Para utilizar o serviço de telecardiologia, o município atendido recebeu um computador, uma impressora e um eletrocardiógrafo digital. Um profissional de saúde qualificado do município realiza o exame e envia através do sistema. O exame então é laudado por médicos especialistas em cardiologia em uma central de laudos. O laudo do exame é enviado, via sistema, para o município solicitante que pode imprimi-lo e disponibilizar para o médico local e paciente7 .

A Teleconsultoria é definida através da portaria 2.546 do Ministério da Saúde (2011)8 como uma consulta entre profissionais da área da saúde, por meio de tecnologia, com objetivo de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho.

Em abril/2013, a RTMG havia realizado mais de 1,2 milhão de laudos de eletrocardiograma e mais de 50 mil teleconsultorias. Foram implantados também serviços de laudo de MAPA e Holter para diversos pontos remotos de Minas Gerais9 .

Além dos resultados assistenciais, a implantação da telessaúde gera um grande economia de recursos para o sistema de saúde de Minas Gerais apresentando uma taxa de retorno sobre investimento R$ 2,75 para cada R$ 1,00 investido. Esse cálculo leva em consideração o total dos investimentos realizados para implantação da telessaúde e a economia proporcionada pela telessaúde para o sistema de saúde no período de junho/2006 a julho/2011. A economia gera é estimada em R$ 31.970.549,1310 .

Ver também [editar]

Referências

  1. SUS tem rede de apoio virtual - O Estado de S.Paulo, 7 de março de 2010 (visitado em 7-3-2010)
  2. Alkmim, MBM; Ribeiro, AL. (Org.). Incorporación de la telesalud en el sistema público de salud de Minas Gerais, Brasil. 1aed.Santiago de Chile: Naciones Unidas, 2012
  3. Ribeiro, A. L. P. et. al (2010), "Implantação de um sistema de telecardiologia em Minas Gerais: projeto Minas Telecardio." Arq Bras Cardiol, vol. 95, No.
  4. Ribeiro, A. L. P. et. al (2010), "Implantação de um sistema de telecardiologia em Minas Gerais: projeto Minas Telecardio." Arq Bras Cardiol, vol. 95, No.
  5. Alkmim, M. B. M. y otros (2007), "Success Factors and Difficulties for Implementation of telehealth System for Remote Villages: Minas Telecardio Project Case in Brazil." Journal of Health Technology and Application, vol. 5, No 3.
  6. Alkmim, MBM; Ribeiro, AL. (Org.). Incorporación de la telesalud en el sistema público de salud de Minas Gerais, Brasil. 1aed.Santiago de Chile: Naciones Unidas, 2012
  7. ALKMIM, M.B. e RIBEIRO, A.L.P. (org.) e outros. Incorporación de la Telesalud em el Sistema Público de Salud de Minas Gerais, Brasil. Publicado por: Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), Nações Unidas (ONU). Santiago de Chile, 2012. Disponível em: <http://www.eclac.cl/publicaciones/xml/6/48606/TelesaludMinaGerais.pdf>. Acessado em: 19/12/2012
  8. Ministério da Saúde. "Portaria 2.546", 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm./2011/prt2546_27_10_2011.html>. Acessado em: 27/12/2012
  9. www.telessaude.hc.ufmg.br
  10. FIGUEIRA, R. M. e outros. Estudo de Análise Econômica e de Impacto da Aplicação de Serviços de Telessaúde na Atenção Básica em Municípios de Minas Gerais - Relatório Final, Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, 2012

Ligações externas [editar]

Em português [editar]

Em outras línguas [editar]