Árria

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Árria
Árria e Peto, escultura de Pierre Lepautre e Jean-Baptiste Théodon, Museu do Louvre.
Morte 42
Nacionalidade romana

Árria, também Árria Maior) foi uma mulher da Roma Antiga. Seu marido Cecina Peto (cônsul em 37) recebeu ordem do imperador Cláudio para cometer suicídio por sua participação em uma rebelião, mas não teve coragem para fazê-lo. Árria então lhe arrancou a adaga e apunhalou-se, em seguida, devolveu-a ao marido dizendo que não doeu ("Non dolet, Paete!")[1] . Sua história foi registrada nas cartas de Plínio, o Jovem, que obteve sua informação da neta de Árria, Fânia.

Plínio registra que o filho de Árria morreu no mesmo tempo em que Cecina Peto estava muito doente. Ela aparentemente organizou e providenciou o funeral da criança sem mesmo o marido saber de sua morte. Toda a vez que visitava o marido, Árria dizia-lhe que o menino estava melhorando. Quando a emoção ameaçava denunciá-la, ela se desculpava, saía do quarto e, nas palavras de Plínio, "entregava-se à dor", em seguida, retornava para o marido com um comportamento mais calmo.

Após a rebelião contra Cláudio liderada por Lúcio Arrúncio Camilo Escriboniano em 42, Escriboniano foi morto e Cecina foi levado para Roma como prisioneiro por conspirar com ele. Árria pediu ao capitão do navio que permitisse que ela se juntasse a ele a bordo. Alegou que se era permitido a um cônsul romano ter escravos para cuidar dele, então ela deveria livrá-lo das preocupações e cuidar dele sozinha. O capitão não autorizou o seu embarque, então Árria seguiu o grande navio em um pequeno barco de pesca por todo o percurso até Roma.

Árria atacou abertamente a esposa do líder da rebelião, Escriboniano, por fornecer provas à acusação, gritando:

"Estou a ouvi-la dizer que poderia continuar vivendo após Escriboniano ter morrido em seus braços?"[2]

Foi esta a frase que alertou a todos sobre sua intenção de morrer ao lado de Peto.

Seu genro, Trasea, tentou convencê-la a viver, perguntando se ela iria querer que sua própria filha se matasse caso ele fosse condenado à morte. Árria insistiu que ela não se oporia caso sua filha (também chamada de Árria) tivesse vivido muitos anos e feliz com Trasea assim como ela mesma tinha vivido com Cecina.

Ela foi vigiada de perto a partir de então, mas, percebendo isso, Árria disse que eles não poderiam impedi-la de se matar. Depois de destacar isto ela correu, bateu sua cabeça com força de encontro à parede e desmaiou. Quando recobrou os sentidos, gritou:

"Eu lhes disse que iria fazê-lo da maneira mais difícil caso vocês me impedissem de fazê-lo da maneira mais fácil."[3]

Árria foi finalmente autorizada a se juntar ao marido em uma "morte nobre" (caindo sobre a própria espada/punhal).

Notas

  1. Plínio, o Jovem: Cartas III, 16, 6 e 13; Dião Cássio: LX, 16 (tradução inglesa por LacusCurtius); Tácito: Anais XVI, 34
  2. Plínio, o Jovem, Cartas III, 16. AD 97/107.
  3. Plínio, o Jovem, Cartas III, 16. AD 97/107. L

Referências

  • Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público.
  • Wikisource-logo.svg  "Arria". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). 
  • Simone Follet: Arria (maior). Em: Richard Goulet (Hrsg.): Dictionnaire des philosophes antiques. volume 1, CNRS, Paris 1989, ISBN 2-222-04042-6, S. 595−596
  • Bärbel von Hesberg-Tonn: Coniunx carissima. Untersuchungen zum Normcharakter im Erscheinungsbild der römischen Frau. Dissertação, Stuttgart 1983, páginas 98–101
  • Bernhard Kytzler: Frauen der Antike. Artemis, Zurique 1994, ISBN 3-7608-1084-5, página 29f.

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