13.º Regimento de Cavalaria Mecanizado

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O 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada ou Esquadrão Anhanguera, sediado na cidade de Pirassununga, é uma unidade militar emblemática do Exército Brasileiro.

A sua história não se resume apenas como uma unidade de Cavalaria Mecanizada do Comando Militar do Sudeste, sendo este comando com sede na cidade de São Paulo.

Desde a suas origens esteve presente em inúmeros acontecimentos da história brasileira.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Pode-se considerar como origem do Esquadrão Anhanguera o 9° Regimento de Cavalaria Ligeiro, sediado em Ouro Preto - MG, criado pelo Imperador D. Pedro II, em 18 de agosto de 1888, onde no ano seguinte a sua denominação foi alterada para 9° Regimento de Cavalaria. Em 1894, no regime do Presidente Prudente de Moraes, é transferido para o Rio de Janeiro, e quatro anos mais tarde, é criado o 13° Regimento de Cavalaria, constituído inicialmente com o 1° e o 2° Esquadrões originários do 9° Regimento de Cavalaria.

Em 1919 a denominação do 13° Regimento de Cavalaria é alterada para 2° Regimento de Cavalaria Divisionária (2° R.C.D.), e transferido para a cidade de Pirassununga, Estado de São Paulo. Em 1929, o 2º R.C.D. é desmembrado, nascendo assim o 4º Esquadrão, e novamente transferido, desta vez para a área Quitaúna-SP, hoje, município de Osasco da Grande São Paulo.

A necessidade de ter uma unidade de Cavalaria nas cercanias de São Paulo, em virtude das turbulências políticas do país, foi o motivo de tal desmembramento. Em 1930, o país foi palco uma revolução culminada por diversos fatores dentre os quais pode-se citar:

" A vitória do paulista Julio Prestes na eleição Presidência da República rompendo o acordo da "política do café-com-leite", gerando insatisfação principalmente do governo mineiro; " A bancarrota dos barões do café, em virtude da quebra da bolsa de valores dos Estados Unidos em 1929; " O veto do Presidente Washington Luís na segunda metade da década de 20 a anistia aos revoltosos da coluna Prestes.

Durante a Revolução de 1930, o 4° Esquadrão foi acionado com a finalidade de manter a ordem ficando acantonado no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Tanto o 2° R.C.D. como o 4° Esquadrão figuram entre as unidades que defenderam as forças legais.

Foi na Revolução Constitucionalista de 1932, que o 4º/2º R.C.D. combateu ao lado dos paulistas, com intensas atividades. Lutando lado a lado com voluntários civis paulistas, o 4° Esquadrão teve importante papel, uma vez que a tropa hipomóvel se mostrava altamente flexível, passando de uma posição a outra, vencendo obstáculos com velocidade. O 4°/2° R.C.D. realizou uma série de ações, tanto na linha de frente como na retaguarda, serviu como tropa de reserva e também agiu nos flancos como tropa de cobertura para outras unidades, principalmente quando as tropas constitucionalistas começaram a recuar. Ao longo do conflito, seguiu de Taubaté para Lorena visando reforçar a retaguarda das áreas conquistas pelos constitucionalistas.

Em meados de julho, o 4° Esquadrão se posicionou em Piquete, para marchar sobre a Serra da Mantiqueira para fazer frente às tropas governistas que vinham de Itajubá. Logo depois recebem a missão de ocupar o posto avançado de Eugênio Pessoa (RJ), visando a defesa da Ponte de Salto para passagem do trem blindado e outras comunicações ferroviárias. Com o avanço das tropas governamentais em agosto, junto com duas companhias do 5° B.C., se posicionaram em Pinheiros onde rechaçaram ataques inimigos com sucesso. A partir de 25 de agosto, o 4°/2° R.C.D. passou a atuar na defensiva. A superioridade numérica do inimigo não mostrava alternativa. A última grande ação foi a de dar cobertura para as unidades em ordem de evacuação.

Em 1935, ocorreu a tentativa de um golpe comunista no Brasil, Intentona Comunista, tendo como foco principal os Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro. Apesar disto, o 4º/2º R.C.D., assim como outras unidades do Exército, estiveram em prontidão, pois guarnecia São Paulo, o centro econômico da nação.

A Cavalaria Hipomóvel passa a ser Mecanizada[editar | editar código-fonte]

A 2ª Guerra Mundial trouxe importantes conceitos de combate, dentre elas a importância da cavalaria mecanizada, instrumento primordial para ponta de lança e apoio de tropas da infantaria.

O engajamento do Brasil no lado dos Aliados possibilitou receber uma grande quantidade de equipamentos militares modernos através do programa "Lend-Lease". Além disto, terminado o conflito mundial, em vista da disponibilidade de equipamentos excedentes de guerra a preços a reduzidos, o Brasil adquiriu equipamento adicional em condições muito vantajosas.

A experiência bem sucedida na participação na 2ª Guerra Mundial com o 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado equipado com blindados sobre rodas 6x6 e de veículos meia-lagarta na Itália, influenciou na aquisição de um lote adicional de blindados sobre rodas 6x6 M-8 Greyhound e M-20, além de veículos meia-lagarta M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5.

Pelo "Lend-Lease Act" o Brasil recebeu 20 blindados 6x6 M-8 Greyhound, 8 meia-lagartas M-2 e 3 M-3A1. Destes 15 M-8 e 5 meia-lagarta foram recebidos diretamente na Itália, e muitos deles retornaram ao país após o fim das hostilidades. "A introdução em numero significativo do M-8, M-20 e meia-lagarta viabilizou equipar várias unidades com equipamentos característicos de missões de reconhecimento.

O 4º/2º R.C.D. foi um deles, e no final de 1947, 6 dos 8 blindados leves M-3A1 Stuart (Matrículas EB-11 600, 601, 603, 610, 613 e 614) foram descarregados e transferidos para a 7ª Região Militar passando a ficar baseados no Forte de 5 Pontas em Recife-PE. Em seu lugar recebem 8 blindados sobre rodas M-8, um M-20, e 5 meia-lagarta M-2A1.

Nasce o Esquadrão Anhanguera[editar | editar código-fonte]

Após o recebimento dos veículos, o 4º/2º R.C.D. passa a se denominar 2º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, mais conhecido como 2º Rec. Mec.

Em 15 de janeiro de 1954, pelo decreto nº 34.946 sancionado pelo Presidente Getúlio Vargas, o 2º Rec. Mec. recebe o nome de Esquadrão Anhanguera. Inspiradas nas Bandeiras Paulistas foi homenageado o bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva conhecido como Anhanguera, que na língua tupi-guarani significa Diabo Velho.

Como distintivo do esquadrão, foi adotado a figura de um demônio com barba branca, empunhando um facho aceso, numa alusão a façanha do bandeirante que atemorizou os indígenas da tribo Goiá, ameaçando incendiar as fontes de água caso não revelassem as jazidas de ouro em Serra Dourada - Goiás. Para tanto, ele pôs fogo em aguardente, fazendo com que os índios achassem que ele poderia por fogo na água.

O Esquadrão Anhanguera ficou sediado na cidade de São Paulo, no bairro do Paraíso. Sempre participou nas mais importantes manobras militares do Estado, assim como integrante de destaque nos desfiles do 7 de Setembro na cidade de São Paulo, se apresentando com M-8, M-20 e meia-lagartas, ostentando o brasão do Anhanguera pintados em suas laterais. Nos anos 60 o Esquadrão Anhanguera recebe mais veículos, entre eles pelo menos mais dois carros de combate M-3A1 Stuart (matrículas EB11-489 e 491).

São Paulo, por ser um importante Estado agro/industrial e financeiro, foi palco de inúmeras manifestações, greves e guerrilhas urbanas. A ausência de unidades especializadas para situações como estas, obrigava o Exército a atuar de forma ostensiva com a missão de garantir a ordem.

O Esquadrão Anhanguera, em virtude de estar sediado na capital do Estado, foi acionado diversas vezes para realizar estas missões que embora menos gratificantes, foram de suma importância. As suas ações, porém não se restringiram somente a missões para garantir a ordem. Em 1974, o Esquadrão Anhanguera foi acionado para auxiliar no resgate das vítimas de um dos piores incêndios já ocorridos na cidade de São Paulo: o do Edifício Joelma, com 179 vítimas fatais.

Participou também em inúmeras manobras militares, destacando a de dezembro de 1964 em Pindamonhangaba-SP, envolvendo 8 mil homens ,com a supervisão direta do então comandante do II Exército General Amauri Kruel e do General Costa Braga.

No final dos anos 60, era inevitável a obsolescência dos veículos militares recebidos na década de 40. A não disponibilidade de substitutos a preços acessíveis obrigou o Exército a procurar alternativas visando a revitalização e modernização da frota.

Em 11 de fevereiro de 1971 sua denominação foi alterada para 1º Esquadrão do 5° Regimento de Cavalaria Mecanizado (1°/5° R. C. Mec.). Durante este período, o Anhanguera operou temporariamente, ao menos, dois blindados M-113 em substituição aos meia-lagartas M-2A1, sendo que estes constantemente realizavam manobras na Represa Billings, na cidade de São Paulo.

Em janeiro de 1979, sua denominação é novamente alterada, desta vez para 11° Esquadrão de Cavalaria Mecanizado.

Com o desenvolvimento da indústria nacional de blindados o Esquadrão Anhanguera, também se modernizou. No dia 28 de julho de 1986, numa cerimônia que contou com a presença do então Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, foram aposentados oficialmente os últimos veículos M-8 da unidade substituindo-os por EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu da ENGESA.

Em julho de 1995, o Esquadrão Anhanguera foi novamente transferido, de volta para a cidade de Pirassununga. Todos os incorporados do ano de 1995 foram obrigados a demolir o quartel e juntar os restos de obra que pudessem ser aproveitados.

Em 2005, diante de uma reformulação nas unidades do Exército Brasileiro o Esquadrão Anhanguera é oficialmente extinto, sendo absorvido pelo 13° Regimento de Cavalaria Mecanizada (13º R. C. Mec.), com sede em Pirassununga.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

O 13º RCMec é uma unidade hoje voltada para operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), e tem o seu 4º Esquadrão de Fuzileiros Mecanizado operando no Haiti, na Missão de Paz da ONU. Utiliza os seguintes carros: a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal (sobre rodas) EE-11 Urutu e a Viatura Blindada de Reconhecimento e Combate EE-9 Cascavel.

Nas instalações que hoje ocupa, estavam baseados até 2005 o 2º Regimento de Carros de Combate, equipado com carros Leopard 1A1 e o 11º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, com equipamento similar ao da unidade atual, no nível esquadrão. Da junção de ambos, nasceu o 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado, tendo os Leopard 1A1 de sua dotação sido transferidos para unidades no sul do País.

O Quartel ainda realiza anualmente o Encontro Anhanguera de Viaturas Militares Antigas, no mês de setembro.

Formação de Sargentos[editar | editar código-fonte]

No ano de 2009, o 13º RC Mec foi escolhido para ser Organização Militar de Corpo de Tropa, o que o qualifica para abrigar a Escola de Sargentos das Armas (EsSA). Em razão disso, o quartel entra para o seleto grupo de 13 unidades de Corpo de Tropa existentes em todo o território nacional.

A Unidade recebeu o aval do Cmt da EsSA para que, a partir do próximo concurso, os interessados possam incluir Pirassununga nas suas opções para realizar o período do Curso de Formação de Sargentos. O local selecionado se deve pelo fato de ser bem servido por rodovias, a infraestrutura da cidade, a capacidade existente no quartel, por estar no Estado de São Paulo, e a distância física da EsSA, o que contribuiu para que Pirassununga fosse escolhida como sede.

Tudo isso faz parte da nova sistemática que o Exército adotou desde 2005. A formação dos sargentos, que anteriormente era de um ano, passou a ter 34 semanas a mais. Esse período é realizado numa organização militar chamada de Organização Militar de Corpo de Tropa, que é uma extensão da Escola de Sargentos das Armas. Ou seja, é o local onde o aluno que se candidatar a sargento vai fazer o seu período de instrução individual básica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências