A Adivinha

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A Adivinha (primeira versão)
Autor Caravaggio
Data c.1594
Género Pintura
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 115  × 150 
Localização Museus Capitolinos, Roma


A Adivinha (segunda versão)
Autor Caravaggio
Data c.1595
Género Pintura
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 93  × 131 
Localização Louvre, Paris

A Adivinha é uma pintura do artista barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio. Existem duas versões, ambas de Caravaggio, sendo a primeira de 1594 (atualmente nos Museus Capitolinos em Roma), e a segunda de 1595 (que está no museu do Louvre, em Paris). As datas em ambos os casos são contestadas.

Tema[editar | editar código-fonte]

A pintura mostra um rapaz afetadamente vestido (na segunda versão acredita-se que o modelo seja o companheiro de Caravaggio, o pintor siciliano Mario Minniti), tendo a palma da mão lida por uma cigana. O rapaz parece satisfeito ao contemplar o rosto da adivinha, e ela retribui o olhar. Uma inspeção rigorosa da pintura revela que o jovem não falhou em perceber: a garota está tirando seu anel enquanto gentilmente acaricia sua mão.

Estilo[editar | editar código-fonte]

O biógrafo de Caravaggio, Giovanni Pietro Bellori, relata que o artista escolheu a cigana de entre os transeuntes na rua, a fim de demonstrar que ele não tinha necessidade de copiar as obras dos mestres da Antiguidade:

"Quando a ele foram mostradas as estátuas mais famosas de Fídias e Glykon, a fim de que ele pudesse usá-las como modelos, sua única resposta foi apontar para uma multidão dizendo que a natureza tinha dado a ele uma abundância de mestres."[1] .

Esta passagem é frequentemente usada para demonstrar que os artistas maneiristas classicamente treinados da época de Caravaggio não aprovavam sua insistência em pintar a vida real ao invés de fazer cópias e desenhos das obras-primas antigas. Entretanto, Bellori termina dizendo, "e nestas duas meias figuras, [Caravaggio] traduziu a realidade de forma tão pura que a pintura confirmou o que ele disse." A história é provavelmente apócrifa — Bellori a escreveu mais de meio século após a morte de Caravaggio, e ela não aparece nas biografias de Mancini ou de Giovanni Baglione, os dois biógrafos contemporâneos que o conheceram — mas indica a essência do impacto revolucionário de Caravaggio em seus contemporâneos — começando com A Adivinha — que estava a substituir a teoria renascentista da arte como uma ficção didática pela arte como representação da vida real[2] .

Segunda versão[editar | editar código-fonte]

A Adivinha de 1594 suscitou grande interesse entre os artistas mais jovens e os colecionadores mais vanguardistas de Roma, mas, de acordo com Mancini, a pobreza de Caravaggio o forçou a vendê-la ao mísero valor de oito escudos[2] . Ela entrou na coleção de um rico banqueiro e connoisseur, o marquês Vincente Giustiniani, que se tornou um importante mecenas do artista. O cardeal Francesco Maria Del Monte, amigo de Giustiniani, adquiriu a obra companheira, Os Trapaceiros, em 1595, e em algum ponto naquele ano Caravaggio agregou-se à casa do cardeal.

Para Del Monte, Caravaggio pintou uma segunda versão de A Adivinha, copiando-a da de Giustiniani mas com algumas mudanças. O fundo indiferenciável da versão de 1594 torna-se um muro real coberto pelas sombras de uma cortina semi-fechada e do caixilho da janela, as figuras preenchem melhor o espaço e são mais bem definidas em três dimensões. A luz é mais radiante, e o pano do gibão do rapaz e das mangas da moça são de textura mais fina. O logro se torna mais infantil e inocentemente vulnerável, a garota menos cautelosa, inclinando-se para ele, mais no comando da situação.

Gênero[editar | editar código-fonte]

A Adivinha é uma das duas obras conhecidas pintadas por Caravaggio no ano de 1594, sendo a outra Os Trapaceiros. Acredita que A Adivinha é a primeira de ambas, e data do período em que o artista havia recentemente deixado o ateliê de Giuseppe Cesari para seguir seu próprio caminho vendendo suas pinturas através do comerciante Costantino.

O tema da pintura não era sem precedentes. Em seu Le Vite, Giorgio Vasari observa que um dos seguidores de Franciabigio, seu irmão Agnolo, pintou um letreiro para a loja de um perfumista "contendo uma cigana adivinhando o futuro de uma senhora de uma forma muito graciosa".[3] [4]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «At the National Gallery: Caravaggio's final years». Peter Campbell. 31 de março de 2005. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  2. a b «The Fortune Teller». artble.com. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  3. Giorgio Vasari (1568). «Life of Franciabigio». [[As Vidas dos mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos|As Vidas dos mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos]] [S.l.: s.n.] Consultado em 17 de fevereiro de 2012. «One of Francia's disciples was his brother Agnolo, who died after having painted a frieze that is in the cloister of S. Pancrazio, and a few other works. The same Agnolo painted for the perfumer Ciano, an eccentric man, but respected after his kind, a sign for his shop, containing a gipsy woman telling the fortune of a lady in a very graceful manner, which was the idea of Ciano, and not without mystic meaning.»  Ligação wiki dentro do título da URL (Ajuda)
  4. This parallel was suggested by Prof. David Ekserdjian on the BBC Radio 4 discussion programme In Our Time, episode "Giorgio Vasari's Lives of the Artist" (27th May 2010, circa 37 minutes in). Quote: "That's an amazing reference! Because, OK, it's an inn sign rather than a formal painting, but this is someone doing a Caravaggio subject decades and decades before Caravaggio."