Abu Haçane Amade ibne Maomé ibne Abdalá ibne Almudabir

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Abu Haçane Amade ibne Maomé ibne Abdalá ibne Almudabir
Morte 892/893
Nacionalidade Califado Abássida
Etnia Persa
Ocupação Cortesão e administrador
Dinar de Aluatique (r. 842–847)
Dinar de Mutavaquil (r. 847–861)

Abu Haçane Amade ibne Maomé ibne Abdalá ibne Almudabir (Abu’l-Ḥasan Aḥmad ibn Muḥammad ibn ʿAbdallāh ibn al-Mudabbir - "lit. Abul Haçane Amade ibne Maomé ibne Abdalá ibne Almudabir"), comumente conhecido simplesmente como ibne Almudabir, foi um cortesão sênior e administrador fiscal do Califado Abássida, servindo pelo governo central, na Síria e Egito. Ele é melhor conhecido por sua mal-sucedida luta de poder pelo controle do Egito contra Amade ibne Tulune (r. 868–884) em 868–871. O Kitāb al-Fihrist de ibne Nadim relata que Abul Haçane era o autor de um agora perdido "Livro de Companheirismo e Conversação" (Kitāb al-Mujālasa wa ’l-mudhākara), enquanto escassos poemas e anedotas sobre sua vida estão preservados em várias coleções e trabalhos históricos.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Abu Haçane e seu irmão, Abu Ibraim, foram possivelmente de origem persa. Ambos era distintos homens de letras e ascenderam à proeminência na corte dos abássidas em Samarra. Abul Haçane aparece como diretor do departamento do exército (divã al-jaixe) sob o califa Aluatique (r. 842–847). Sob Mutavaquil (r. 847–861), ascendeu ainda mais. O califa estimava sua habilidade como poeta, e nomeou-o para supervisionar sete divãs, possivelmente como uma espécia de vice-vizir. Em 854, contudo, o atual vizir, Ubaide Alá ibne Cagã, vendo nele um rival perigoso, maquinou para que ele fosse preso.[1][2]

Sua desgraça não durou muito, e logo foi libertado e nomeado como administrador fiscal (amil al-caraje, "supervisor do imposto fundiário") para os distritos sírios de Damasco e Jordão. De lá ele moveu-se, talvez em 861, para o mesmo posto no Egito. Para impulsionar a receita da província, tomou uma série de medidas, incluindo dobrar o caraje e a jizia e criando novos impostos (mukus) - um movimento amplamente denunciado como não-corânico, impondo um monopólio de Estado sobre a soda cáustica, e privando o clero cristão de seus tradicionais privilégios e isenções fiscais. Como resultado, tornou-se muito poderoso, bem como o mais odiado homem do Egito, e foi constantemente escoltado por uma centena de jovens guarda costas.[1][2]

Dinar de Amade ibne Tulune (r. 868–905)

Sua queda começou em setembro de 868, com a chegada do novo governador do Egito, Amade ibne Tulune (r. 868–884). Abul Haçane tentou vencer ibne Tulune ao oferecer-lhe um grande presente em dinheiro, mas o último recusou. Pelos quatro anos seguintes, os dois conduziram uma luta pelo poder dentro do país, bem como através de seus parentes e emissários na corte abássida. Ibne Tulune emergiu vitorioso da contenda: em 871, derrubou e prendeu Abul Haçane, confiscou suas propriedades e tomou a administração fiscal para si. Abul Haçane foi libertado e enviado para a Síria (871/872), onde novamente ocupou seu antigo posto de amil de Damasco e do Jordão, bem como da Palestina. Em 877, contudo, ibne Tulune capturou a Síria, e em sua entrada em Damasco aprisionou Abul Haçane e forçou-o a pagar um resgate de 600 000 dirrãs. Ele foi então levado ao Egito, onde morreu, ainda preso, em 883/884.[1][3]

Referências

  1. a b c d Gottschalk 1986, p. 879–880.
  2. a b Bianquis 1998, p. 92.
  3. Bianquis 1998, p. 92, 94.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bianquis, Thierry (1998). «Autonomous Egypt from Ibn Ṭūlūn to Kāfūr, 868–969». In: Petry, Carl F. Cambridge History of Egypt, Volume One: Islamic Egypt, 640–1517. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-47137-0 
  • Gottschalk, H.L. (1986). «al-Mād̲h̲arāʾī». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume V: Khe–Mahi. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-07819-3