Samarra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Sāmarrā
سامَراء
—  Cidade  —
Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral
Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral
Apelido(s): Samarra
Sāmarrāسامَراء está localizado em: Iraque
Sāmarrā
سامَراء
Localização de Samarra
Coordenadas 34° 11' 54" N 43° 52' 27" E
País Iraque
Província Salah ad Din
População (2003 est[1])
 - Total 348 700

Samarra (em árabe: سامَرّاء - Sāmarrā) é uma cidade no Iraque. Ela está localizada na margem oriental do Tigre, na província de Salah-ad-Din, a 125 quilômetros ao norte de Bagdá.[1]

Escritores muçulmanos medievais acreditavam que o nome "Samarra" deriva da frase árabe "Sarra man ra’a" (em árabe: سر من رأى), que pode ser traduzida como "uma alegria a todos que a veem". Quando a cidade entrou em declínio, o nome teria mudado para "Sa'a man ra’a" (em árabe: ساء من رأى), "Uma tristeza a todos que a veem"). Com o tempo, os dois nomes se fundiram na forma atual "Samarra" (em árabe: سامَرّاء).

Em 2007, a UNESCO nomeou a Cidade Arqueológica de Samarra como um Patrimônio Mundial da Humanidade.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Samarra antiga[editar | editar código-fonte]

Os restos da antiga Samarra foram escavados pela primeira vez entre 1911 e 1914 pelo arqueólogo alemão Ernst Herzfeld. Desde 1946, os diários, cartas, relatórios não publicados da escavação e fotografias estão preservados na Galeria de Arte Freer, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.

Embora o sítio arqueológico coberto por ruínas de tijolos seja enorme, o local foi ocupado de maneira esparsa nos tempos antigos, com exceção da calcolítica Cultura de Samarra (c. 5 500 - 4 800 a.C.) identificada no rico sítio de Tell Sawwan, onde evidências de irrigação - incluindo cultivo do linho - confirma a presença de uma próspera cultura gregária com uma estrutura social bastante organizada. Esta cultura é conhecida principalmente por sua fina olaria, decorada em fundo queimado com figuras estilizadas de animais, pássaros e desenhos geométricos. Este tipo de olaria, amplamente exportado, um dos primeiros estilos relativamente uniformes e distribuídos por todo o Antigo Oriente Médio, foi reconhecido primeiramente em Samarra. A Cultura de Samarra foi a precursora da cultura mesopotâmica do período ubaida.

Antigos topônimos para Samarra relatados pelo Samarra Archaeological Survey são o grego Suma (Ptolemeu V.19; Zósimo III, 30), latim Sumere, um forte mencionado durante a retirada do exército de Juliano, o Apóstata em 364 d.C. (Amiano Marcelino XXV, 6, 4) e o siríaco Sumra (Hoffmann, Auszüge, 188; Miguel, o Sírio, III, 88), onde aparece como um vilarejo.

A possibilidade de uma população maior surgiu a partir da abertura do Qatul al-Kisrawi, a extensão norte do canal Naravan, que desvia água do Tigre na região de Samarra, atribuído por Yaqut (Mu`jam, no capítulo "Qatul") ao rei sassânida Cosroes I (r. 531–578). Para celebrar o final deste projeto, uma torre comemorativa (atual Burj al-Qa'im) foi construída na enseada sul e um palácio com um "paraíso" (uma reserva de caça cercada) na enseada norte (atual Nahr al-Rasasi) perto de al-Daur. Um canal suplementar, o Qatul Abi al-Jund, escavado pelo califa abássida Harun al-Rashid, teve a sua finalização comemorada com a construção de uma cidade planejada na forma de um octógono regular (atual Husn al-Qadisiyya), chamada "al-Mubarak" e abandonada, incompleta, em 796.

Capital abássida[editar | editar código-fonte]

Mesquita de al-Askari antes dos atentados.
Ver artigo principal: Anarquia em Samarra

Em 836, os soldados escravos turcos do Califado Abássida - conhecidos como ghilman na época, antecessores dos mamelucos - agitaram a população de Bagdá, provocando revoltas. Por isso, o califa al-Muta'sim resolveu mudar-se com a corte de Bagdá para a nova cidade de Samarra.

Neste período, o povoado original, pré-muçulmano, foi suplantado por uma nova cidade, fundada em 833. Samarra permaneceria a capital do Califado até 892, quando a corte, sob al-Mu'tamid, retornou para Bagdá. O sucessor de al-Mu'tasim, al-Wathiq, transformou a cidade num centro comercial, tendência que continuou sob o califado de al-Mutawakkil, que patrocinou a construção da Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral (malwiyah), construído em 847. Ele também construiu parques e um palácio para seu filho al-Mu'tazz.

O patriarca nestoriano Sargis (r. 860–872) mudou a sede do patriarcado da Igreja do Oriente de Bagdá para Samarra e um - ou dois - de seus sucessores também possivelmente permaneceram ali, próximos da corte.[3]

Após o período conhecido como "anarquia em Samarra", o califa al-Mu'tadid mudou-se com a corte novamente para Bagdá e Samarra entrou num longo período de declínio (que se acelerou após o século XIII, quando o traçado do Rio Tigre mudou).

Importância para os muçulmanos[editar | editar código-fonte]

É em Samarra que está a Mesquita de al-Askari, que abriga os mausoléus de Ali al-Hadi e Hasan al-Askari, respectivamente o décimo e o décimo-primeiro imans xiitas, além do santuário de Muhammad al-Mahdi, o chamado "Imam Secreto", que é o décimo-segundo e o último imam dos xiitas duodecimanos. Este fato tornou o local um importante centro de peregrinação. Além disso, Hakimah Khatun e Narjis Khatun, parentas do profeta Maomé e dos imans xiistas, tidas em alta estima por muçulmanos xiitas e sunitas, estão enterradas lá, o que só aumenta o caráter sagrado do local para todos os muçulmanos.

Período contemporâneo[editar | editar código-fonte]

Mesquita de al-Askari após o atendado de 2006. Em 2007, um novo atentado destruiu os dois minaretes.

Embora Samarra seja famosa por seus lugares sagrados para os xiitas, incluindo o túmulo de diversos imans, a cidade é majoritariamente sunita, o que foi origem de conflitos, principalmente após a Invasão do Iraque de 2003.

Em 22 de fevereiro de 2006, a cúpula dourada da Mesquita de al-Askari foi destruída num atentado, iniciando um período de revoltas e ataques retaliatórios por todo o país, causando centenas de mortes. Nenhuma organização assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Em 13 de junho de 2007, insurgentes, supostamente membros da al-Qa'eda, atacaram novamente a mesquita e destruíram os dois minaretes que ladeavam o domo destruído. Em 12 de julho de 2007, a torre do relógio foi explodida, sem fatalidades. O clérigo xiita Muqtada al-Sadr incitou demonstrações pacíficas e pediu três dias de luto. Ele afirmou que acreditava que nenhum árabe sunita poderia estar por trás do ataque. A mesquita e os minaretes estão fechados desde o atentado de 2006 e um estado de sítio por período indefinido vigora na cidade.[4][5]

Referências

  1. a b http://hhcom1.co.cc/english/Salah-Al-Din.html
  2. «Unesco names World Heritage sites». BBC News. 28 de junho de 2007. Consultado em 23 de maio de 2010 
  3. Mari, 80–1 (árabe), 71–2 (latim)
  4. Qassim Abdul-Zahra (13 de junho de 2007). «Iraqi police say famous shrine attacked». Associated Press 
  5. «Blast hits key Iraq Shia shrine». BBC. 13 de junho de 2007. Consultado em 21 de abril de 2012 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Samarra
Imagem: Cidade Arqueológica de Samarra A cidade de Samarra inclui o sítio Cidade Arqueológica de Samarra, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg