Afonso da Rocha e Castro

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Afonso da Rocha e Castro (Vila Real, 27 de Dezembro de 1897Porto, 8 de Março de 1959), mais conhecido por Afonso de Castro, foi um jornalista e poeta lírico, autor dos livros de poesia Mocidade lírica (1938) e Antifonário pagão (1948). Também se dedicou à tradução poética, principalmente de poemas de autores franceses e espanhóis. Foi pai do cartunista Vasco de Castro.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Vila Real, filho de Vasco da Rocha e Castro, inspector da Companhia dos Tabacos, e de sua mulher Augusta Olímpia Cardoso Baptista, sendo o segundo dos oito filhos do casal. O pai fora estudante em Coimbra[2] e participara nos movimentos literários da época, integrando a revista literária Boémia Nova — Revista de Literatura e Ciência.[3]

Fez o seu ensino primário e a maior parte do secundário em Vila Real, cujo Liceu frequentou atéo ao 6.º ano. Conclui os estudos liceais em Coimbra, mas matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Lisboa, que abandonou após dois anos para se empregar como funcionário das Finanças.[1]

Transferiu-se então para Vila Real, onde se fixou como funcionário público e onde a 17 de Setembro de 1934 casou com Lídia Rodrigues Borges. Casal teria um único filho, Vasco de Castro, o conhecido pintor e cartoonista Vasco.

Na Faculdade de Direito de Lisboa foi colega de Florbela Espanca, Marcelo Caetano, José Gomes Ferreira e Norberto Lopes. Com o poeta José Gomes Ferreira e com o jornalista Norberto Lopes, manteve amizade e camaradagem, assim como com o poeta Carlos Queirós Ribeiro, prematuramente falecido em Paris. Estes relacionamentos influenciaram a sua poesia.[1]

Colaborou com jornais do Porto, deixando obra dispersa por diversos jornais e revistas, entre os quais a Seara Nova, O Diabo, O Sol, O Ocidente, o Portucale, e a Civilização. Contudo, a sua principal contribuição foram os livros de poesia que intitulou Mocidade lírica, publicado em 1938 com prefácio de Alberto de Oliveira,[4] e a colectânea Antifonário pagão, publicada em 1948. Apesar de ter anunciado a publicação das obras Pequeno mundo de imagens, prosa e verso e Seara alheia, a morte prematura frustrou-lhe o intento.

A obra de Afonso de Castro foi recebida com entusiasmo, merecendo críticas entusiásticas da intelectualidade da época. Teixeira de Pascoais admirava-o, Ferreira de Castro achou o livro excelente, produto de um notável poeta, e Júlio Dantas considera-o um poeta de delicada sensibilidade, fiel aos cânones da velha poesia.[1]

Notas

  1. a b c d Nota biográfica de Afonso de Castro.
  2. Segundo o condiscípulo Alberto Oliveira, "o mais fleumaticamente inaplicado de todos os estudantes da Universidade".
  3. Periódico que se pretendia um jornal de ideias modernas, de orientação moderna, de moderníssima escola.
  4. Que escreve: "O sr. Afonso de Castro põe ao serviço do seu ideal literário todos os recursos de um real talento, revelando facilidade e fluência de expressão, harmonia e elasticidade de ritmo, variedade e vigor de imagens, ardor de inspiração, alta febre amorosa e lírica".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]