Ah-hotep I

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Tesouro da rainha Ah-hotep I

Ah-hotep I foi uma rainha do Antigo Egipto que viveu na época final da XVII dinastia e começo da XVIII, entre cerca de 1570 e 1540 a.C..[1] O seu nome significa "a Lua está satisfeita".

Trata-se de uma das figuras femininas mais importantes para os soberanos do Império Novo que a olharão como nobre antepassada, à semelhança do que acontecerá com a sua filha, Amósis-Nefertari. Oriunda de Tebas, era filha de Taá I e da rainha Teticheri.

Foi casada com o seu irmão, Taá II, soberano que faleceu nas batalhas que visavam expulsar os Hicsos do território egípcio, como atestam os ferimentos presentes na sua múmia.

Quando o seu marido faleceu Kamés tornou-se o novo rei. Não se sabe se Kamés era filho de Taá II e de Ah-hotep ou se era irmão de Taá II, posição defendida pelo egiptólogo Claude Vandersleyen. Após a morte de Kamés, o filho de Ah-hotep com Taá, Amósis, foi proclamado o novo rei. Dada a sua menoridade (teria cinco ou dez anos) a rainha exerceu funções de regente.

O seu filho Amósis levantou uma estela em sua memória em Karnak, na qual a apresenta como responsável pela pacificação do Alto Egipto e pela submissão dos rebeldes. É provável que a rainha tenha submetido elementos rebeldes que tentariam tomar o poder em Tebas enquanto o seu filho lutava no norte para expulsar os Hicsos.

Ah-hotep foi inumada num túmulo nas colinas de Dra Abu el-Naga, sector ocidental da necrópole de Tebas. A sua múmia foi ali descoberta em 1859 num poço com mais de cinco metros de profundidade por trabalhadores do Serviço de Antiguidades. Os restos da rainha foram perdidos devido ao facto do governador de Qena ter ordenado abrir o sarcófago onde se encontrava a múmia e dela ter retirado as jóias, literalmente reduzindo a múmia a pó.

O egiptógo Auguste Mariette escavou no mesmo ano o túmulo, onde descobriu um tesouro. Entre os vários objectos deste tesouro encontra-se um punhal com lâmina de ouro e um machado com cabo de madeira de cedro laminado a ouro. Também se encontraram três moscas de ouro, uma espécie de condecoração militar da época. Estes três elementos podem sugerir que a rainha liderou tropas.

Referências

  1. Morris L. Bierbrier (2008). Historical Dictionary of Ancient Egypt. Scarecrow Press. p. 6. ISBN 978-0-8108-6250-0.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • JACQ, Christian - As Egípcias: Retratos de Mulheres do Egipto Faraónico. Porto: ASA, 2002. ("Colecção ASA de Bolso"). ISBN 972-41-3062-2.
  • RICE, Michael - Who´s Who in Ancient Egypt. Routledge, 1999. ISBN 0-415-15448-0.
  • Dicionário Universal Ilustrado, Ed. João Romano Torres & Cª.1911.

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