Alice Tibiriçá

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Alice de Toledo Ribas Tibiriçá (Ouro Preto, 9 de janeiro de 1886 - Rio de Janeiro, 8 de junho de 1950) foi uma ativista política e militante feminista brasileira[1].

Saúde[editar | editar código-fonte]

Depois da infância em Ouro Preto, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família em 1898. Dois anos depois, órfã de mãe, foi morar com as tias em São Paulo. Casou-se em 1912 com João Tibiriçá Neto. Acompanhou o marido durante a construção de uma estrada de ferro no Maranhão, onde se comoveu com a situação dos doentes de hanseníase - conhecida então como lepra.

De volta ao Rio, em 1915, militou pelos direitos dos doentes, lutando pela mudança do nome da doença, denunciando os preconceitos e arrecadando fundos para ajudar suas famílias. Fundou a Sociedade de Assistência às Crianças Lázaras, mais tarde Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra (SALDCL), além de instituições similares em todo o país. Em 1929, as diversas instituições se reuniram na Federação das Sociedades, da qual Alice Tibiriçá foi a primeira presidenta.

Criticou as medidas adotadas na época, como o isolamento dos doentes e a separação de pais e filhos. Escreveu em 1934 o livro Como eu vejo o problema da lepra. Fundou também a Federação das Associações de Combate à Tuberculose, em 1944, e militou pelos direitos dos doentes mentais[2]. Por seu empenho, foi chamada de "santa leiga" por Austregésilo de Ataíde[3].

Feminismo[editar | editar código-fonte]

Ao mesmo tempo, dedicava-se a melhorar a situação das mulheres. Fundou em 1927 o Instituto de Ciências e Artes Santa Augusta, em São Paulo, oferecendo cursos profissionalizantes e de métodos modernos de agricultura para moças do interior paulista. Representou São Paulo no II Congresso Internacional Feminista, em 1931, no Rio de Janeiro.

Introduziu no Brasil a comemoração do Dia Internacional da Mulher, em 1947. No mesmo ano foi a Praga para a reunião do Conselho da Federação Democrática Internacional de Mulheres. Ao lado da sua filha, Maria Augusta Tibiriçá Miranda, ajudou a fundar em 1949 a Federação de Mulheres do Brasil, que presidiu até a sua morte, em 1950.

Dia das Mães[editar | editar código-fonte]

A comemoração do Dia das Mães no segundo domingo de maio havia surgido em 1906, nos Estados Unidos. No Brasil, a Associação Cristã de Moços de Porto Alegre começou a comemorar a data em 1918. Em 1931, depois de participar de uma celebração das mães na ACM de São Paulo, Alice se comprometeu para tornar a data oficial.

Naquele mesmo ano, escreveu uma carta ao presidente Getúlio Vargas com esse pedido. A reivindicação foi atendida em 6 de maio de 1932, por um decreto presidencial.

Referências

  1. SCHUMAHER, Maria Aparecida; BRASIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Zahar. Pág. 31-33
  2. Alice Tibiriçá. All About Arts
  3. Alice Tibiriçá (09.01.1886 / 08.06.1950). Cad. Saúde Pública vol.2 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1986