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Alonso de Camargo

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Alonso de Camargo
Nascimento1500
Trujillo
Morte1546
Vice-Reino do Peru
CidadaniaEspanha
ParentescoLuis de Camargo (pai)
Beatriz Álvarez (mãe)
Gutierre de Vargas Carvajal (parente)
Francisco de Camargo (parente)
Ocupaçãomarinheiro, militar
Religiãocatolicismo

Alonso de Camargo (Reino de Castela, 1500Vice-Reino do Peru, Império Espanhol, 1546) foi um navegador espanhol do século XVI que no ano de 1539 comandou uma das três embarcações, de nome desconhecido e que posteriormente foi rebatizada de Incógnita, da expedição chamada Armada do Bispo de Plasencia — devido ao fato de ter sido financiada por esse clérigo — a mando do frei Francisco da Ribera, em nome do adelantado de Nova León, com o objetivo de povoar a Terra do Fogo e atingir o oceano Pacífico. Apesar de não ter atingido o primeiro objetivo, com a nau Incógnita de Camargo, supostamente se descobriu por acidente o arquipélago de Malvinas no início de 1540, as quais chamou islas de Sansón (ou ilhas de Sansão, em português) e também pode chegar à costa pacífica em meados do mesmo ano, logo após conseguir atravessar o estreito de Magalhães, para chegar ao Peru.[1][2]

O navegador é o principal tronco da família dos Camargos no Brasil, uma vez que seu bisneto Jusepe Ortiz de Camargo zarpou da Espanha e desembarcou na Capitania de São Vicente, na costa brasileira, onde se casou e teve descendentes, formando uma grande família no início da colonização portuguesa no Brasil.[2][3]

Hístória

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Expedição à América do Sul

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Estreito de Magalhães, que Alonso de Camargo conseguiu atravessar

Alonso de Camargo nasceu em parte incerta do Reino de Castela durante a Monarquia Católica por volta do ano de 1509, uma vez que houve união dinástica entre as Coroas de Aragão e Castela.

Camargo zarpou de Sevilha em agosto de 1539 com a expedição composta de três naus encomendada por frei Francisco de la Ribera,[4][5] denominada adelantado de Nueva León,[5] para explorar os passos do estreito de Magalhães e colonizar a Terra do Fogo.[6] A expedição foi custeada por Gutierre de Vargas Carvajal (1506-1559), bispo de Plasencia.[6]

Cabo Vírgenes.
Réplica da nau Victoria, idêntica à que Fernão de Magalhães usou para atravessar o estreito en 1522, semelhante à nau Incógnita de A. de Camargo.

Ao avistar o cabo Vírgenes em 12 de janeiro de 1540,[6] ancoraram ali as naus, porém uma ventania muito forte arrastou os barcos para mais de 60 léguas mar afora. A nau a mando de Alonso de Camargo[6] chegou ao que se acredita ser o arquipélago das Malvinas.[6][7]

A nau capitã de Francisco de la Ribera, ao entrar em 20 de janeiro no estreito, pode passar o primeiro estreitamento, mas ao chegar a segunda, com um mar muito agitado e uma ventania muito forte, esta se perdeu, salvando-se a tripulação, de aproximadamente uns 150 homens junto com Ribera, que conseguiu chegar à costa nas terras baixas, mas ficaram abandonados ao acaso nas margens continentais do estreito.[8]

Os náufragos penetraram no território da Patagônia, tendo o capitão Sebastián de Argüello como seu líder, uma vez que o incipiente adelantado Francisco de la Ribera havia morrido pouco tempo antes. Sobre esses sobreviventes, diz-se sem qualquer evidência, terem sido os fundadores de uma cidade na Patagônia.[9]

A outra nau que estava a mando de Gonzalo de Alvarado, um veterano do Plata, lutou durante dias contra o vento e contra as ondas, e depois de quebrar a âncora, ele foi forçado a passar seis meses no cabo Vírgenes, de onde retornou à Espanha em novembro de 1540.

A nau a mando de Alonso de Camargo, cujo nome foi perdido e que alguns historiadores passaram a chamar de Incógnita,[6] conseguiu passar o estreito e avistar as costas do Chiloé, e também conseguiu chegar depois de 15 de agosto de 1540 à recém-fundada Arequipa (Peru).[10][11][12]

Participação na guerra civil entre conquistadores do Peru e morte

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Desde sua chegada ao Peru, Alonso de Camargo tomou partido pelos realistas em defesa do Rei da Espanha, do qual a família Camargo era nobre defensora no contexto das guerras civis entre conquistadores. Em 1541, comandou o navio que transportou as forças de Pedro Álvarez Holguín para defender Arequipa de Diego de Almagro, o Moço, depois seguiu para Cuzco sob as ordens de Cristóbal Vaca de Castro, e estando em Chuquisaca junto com Diego Centeno, mataram Francisco de Almendras, que comandava ali em nome do rebelde Gonzalo Pizarro.[13]

Em 1546, após inúmeras batalhas contra os rebeldes, foi derrotado por Francisco de Carvajal na batalha de Pocona, sendo feito prisioneiro pelos rebeldes. Carvajal o libertou,[14] mas Camargo não se deu por vencido e, já em liberdade, conspirou contra ele e tentou matá-lo a facadas ao sair da igreja.[15] Após isso, foi condenado à morte por conspiração.[16]

A lenda da cidade dos Césares

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Acredita-se que os sobreviventes do naufrágio de uma das naus da expedição de Ribera foram os fundadores de uma cidade na região da Patagônia, a cidade dos Césares, também chamada Trapalanda ou Cidade Encantada.[9] As histórias e lendas sobre os destinos desses náufragos começaram a correr pelo Chile, Buenos Aires e Tucumán. Houve ameríndios que asseguraram ter feito contato com Argüello e outros companheiros de frei Francisco.

Em 1589, o governador de Tucumán Juan Ramírez de Velazco toma testemunho de alguns índios que disseram ter visto o povo de Trapalanda em sua cidade maravilhosa. Dois marinheiros andaram pelo Chile reclamando de terem sido expulsos da "Cidade Encantada" em 1620. A verdade é que, historicamente, isso não foi provado.

Descendência nas Américas

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Segundo genealogistas, Alonso de Camargo é o bisavô paterno de Jusepe Ortiz de Camargo, natural de Castrojeriz, na Espanha, que migrou para a Capitania de São Vicente na colônia portuguesa nas Américas e tornou-se o tronco da família dos Camargos no Brasil.[2] Este colonizador deixou descendentes na colônia, que possuíam fazendas de plantio de trigo e algodão.[3][2] Pertencem à família Camargo muitos sertanistas descendentes do navegador espanhol, responsáveis pelo povoamento dos sertões brasileiros, na época do Brasil Colonial, especialmente da região Sudeste.[2]

Referências

  1. Burney, James (1803). A Chronological History of the Voyages and Discoveries in the South Sea or Pacific Ocean, Vol. 4: To the Year 1723, Including a History of the Buccaneers of America. Londres: Forgotten Books. pp. 177–187. 616 páginas. ISBN 978-1333491666 
  2. a b c d e da Silva, Edward Rodrigues (2012). «O Bandeirante João Lopes de Camargo» (PDF). Revista da ASBRAP (20): 313-456. Consultado em 3 de janeiro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 9 de setembro de 2018  [fonte confiável?]
  3. a b Nogueira, Guaracy de Castro (1999). «Costume entre os Camargos, Paulista» (PDF). Revista da ASBRAP (6): 239-258. Consultado em 3 de janeiro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 9 de setembro de 2018  [fonte confiável?]
  4. Caviglia, Sergio Esteban (Vol 1, p. 49, 2012).
  5. a b Lucena Salmoral, Manuel; em "Historia General de España y América. El descubrimiento y la fundación de los reinos ultramarinos: hasta fines del siglo XVI" (Vol. 7, p. 390, Ed. Ediciones RIALP, Madrid, España, año 1982). Segundo o autor, Francisco de la Ribera sucedeu ao efêmero adelantado D. Francisco de Camargo e este, por sua vez, havia sucedido o português D. Simão de Alcacovas e Soutomaior, mas nenhum dos três pode consolidar o povoamento da província. ISBN 84-321-2102-9
  6. a b c d e f Caviglia, Sergio Esteban (Vol 1, p. 50, 2012).
  7. Ernesto Basilisco: La armada del obispo de Plasencia y el descubrimiento de las Malvinas
  8. Pacho O'Donnell, El rey blanco, Ed. Sudamericana
  9. a b Pacho O´Donnell, El rey blanco, Ed. Sudamericana
  10. Diego Barros Arana: Historia General de Chile, Vol. I, Cap. IV
  11. Instituto Histórico de la Marina: Colección de diarios y relaciones para la historia de los viajes y descrubrimientos, Madrid, 1943, p. 20-23
  12. Enciclopedia general del Mar, Barcelona, 1988, ediciones Garriga, pág. 588.
  13. Cesáreo Fernández Duro (1895). «XXII. EN LAS INDIAS. 1536-1558.». Armada española desde la unión de los reinos de Castilla y de León Tomo 1 (PDF). [S.l.]: Sucesores de Rivadeneyra. p. 292 
  14. Mesa Gisbert, José (1914). Historia general del Alto Perú (PDF). La Paz: Imprenta Artística. p. 139 
  15. Homero Hurtado Larraín (1969). «NAVEGANTES Y CORSARIOS POR LOS MARES CHILENOS» (PDF). Revista Marina. p. 5 
  16. José Antonio Ramos Rubio; Raúl Gómez Ferreira (2024). Trujillo: Origen del encuentro entre dos mundos. España y América Hispana. Spain: Tau Editores. p. 28. ISBN 978-84-129192-7-1 

Bibliografia

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