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Altri

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Altri
Razão socialAltri, SGPS, S.A.
Empresa de capital aberto
CotaçãoEuronext Lisboa: ALTR
AtividadePapel
Energia
GéneroSociedade anónima
Fundação15 de fevereiro de 2005
SedePorto, Portugal
Pessoas-chaveJosé Soares de Pina (CEO),
Carlos Van Zeller (COO),
Miguel Silva (CFO),
Sofia Reis Jorge (Administradora Sustentabilidade, Risco, Comunicação, Pessoas e Talento e Saúde Ocupacional),
Miguel Silveira (Administrador Altri Florestal),
João Pereira (Administrador Altri Sales)
Empregados816
ProdutosFibras Celulósicas, Cogeração, Branqueamento da polpa de madeira
LucroAumento EUR 100,8 milhões (2019)[1]
FaturamentoAumento EUR 753,5 milhões (2019)[1]
Websitewww.altri.pt

Altri é uma empresa portuguesa líder na produção renovável de fibras celulósicas.

Gere mais de 90 mil hectares de floresta totalmente certificada e transforma a madeira de eucalipto em fibras nas suas três unidades industriais, com uma capacidade anual superior a 1,1 milhões de toneladas. Além da produção de fibras celulósicas utilizadas em diversos produtos de tissue, a Altri produz ainda fibras sustentáveis que são utilizadas no fabrico de centenas de produtos de uso diário desde o têxtil, aos ecrãs de smartphones e TV, ou ao revestimento de medicamentos ou de alimentos, entre muitas outras aplicações.

Além da produção de pasta de papel utilizada em diversos produtos de tissue, a Altri produz ainda pasta solúvel, utilizada na fabricação de centenas de produtos de uso diário desde o têxtil, aos ecrãs de smartphones e TV, ou ao revestimento de medicamentos ou de alimentos, entre muitas outras aplicações.

Presente desde a gestão florestal até à produção de pasta e de energia a partir de biomassa, a Altri é uma companhia Renovável que procura contribuir no seu dia a dia para um mundo sustentável a nível ambiental, social e económico.

A empresa foi criada no dia 15 de fevereiro de 2005 como resultado do processo de reestruturação da Cofina, através de um spin out dos activos industriais da Cofina.[2] A Altri está cotada na bolsa de valores de Lisboa, onde integra o seu principal índice, o PSI desde março 2005.

A Altri é um dos maiores exportadores portugueses, ao colocar nos mercados externos cerca de 90% do total da sua produção. O principal destino das vendas da Altri é a Europa, que, excluindo Portugal, representa cerca de 70% das vendas. O segundo mercado mais relevante é a China, sendo o destino de 9% do total das vendas.

Em termos de utilização da pasta os produtores de papel tissue são os principais clientes da Altri com uma quota de 52%, seguindo-se os produtores de especialidades e os produtores de papel gráfico de impressão e escrita, com quotas de mercado de 14% e 22%, respetivamente. Os produtores de filamentos de viscose – consumidores de pasta DWP – representam cerca de 9% das vendas.

Altri entre as empresas mais sustentáveis do mundo

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A Altri tem se vindo a afirmar-se como uma referência mundial de sustentabilidade no seu setor de atividade. A Sustainalytics colocou a empresa na segunda posição mundial no setor do papel e floresta entre as 83 empresas avalidas.

Depois de ter apresentado uma evolução positiva de 4,6 pontos em 2023, para 14,7 pontos, em 2024 registou uma nova progressão, de 2,8 pontos, alcançando os 11,9 pontos.

No total foram 63 as avaliadas no setor da pasta e papel pela Sustainalytics, realçando que a produtora de pasta de papel portuguesa "consolidou o estatuto de 'Empresa de Baixo Risco ESG', oferecendo um elevado nível de segurança para os investidores".[1]

Em 2025, a Time colocou a empresa portuguesa entre as 500 mais sustentáveis do mundo, sendo que ocupa, segundo este ranking da Time em parceria com a Statista, a terceira posição mundial no seu setor de atividade. [2]

Altri investe 75 milhões de euros na conversão para fibras têxteis na Biotek

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Altri anunciou investimentos de 75 milhões para converter fábrica de Vila Velha de Ródão. O investimento destina-se à conversão da sua unidade de pasta branqueada para papel Biotek para a produção de fibras solúveis, sobretudo destinadas à indústria têxtil: O grupo Altri contará com uma capacidade de produção instalada superior a 300 mil toneladas/ano, totalmente direcionada aos mercados externos, sendo que a sua unidade Caima, localizada em Constância, já está exclusivamente dedicada ao fabrico desta matéria-prima.

Investimento em projetos de filamento têxtil

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A Altri, empresa portuguesa líder na produção sustentável de fibra celulósica, assinou um acordo para adquirir uma participação maioritária na AeoniQ™ — marcando um passo decisivo no setor dos têxteis sustentáveis. O investimento da Altri, incluindo um aumento de capital, permitirá desenvolver a capacidade de produção em escala comercial da AeoniQ™, reforçando a sua visão estratégica de diversificação para aplicações celulósicas de alto valor e baixo impacto ambiental.

AeoniQ™, uma spin-off cleantech suíça da HeiQ Materials AG, desenvolveu o primeiro filamento celulósico biodegradável e com impacto climático positivo do mundo, projetado para substituir o poliéster e o nylon. A plataforma AeoniQ™ está preparada para transformar a indústria têxtil global ao oferecer uma alternativa totalmente circular e livre de plásticos que reproduz o desempenho das fibras sintéticas — sem os seus impactos ambientais.

Como parte do acordo, a primeira unidade industrial AeoniQ™ do mundo será construída na fábrica de fibras da Altri na Caima, em Constância. A construção está prevista para ter início durante 2026, com uma capacidade inicial de 1 750 toneladas por ano. Para além das linhas piloto já existentes na Áustria, será lançada uma unidade pré-industrial em Portugal no início de 2026 para acelerar os protótipos, parcerias com marcas e coleções cápsula.

A joint venture, com a marca “AeoniQ”, combina a experiência industrial da Altri com a competência tecnológica da HeiQ — “A” de Altri e “iQ” de HeiQ, uma parceria para a próxima era da humanidade: a sustentável! O projeto beneficiará da integração vertical da fibra de eucalipto até ao fio acabado, prevendo-se posteriormente a incorporação de matérias-primas recicladas como resíduos têxteis de algodão, resíduos agrícolas e celulose bacteriana derivada de desperdício alimentar.

Os filamentos celulósicos AeoniQ™ são totalmente biodegradáveis em ambientes marinhos, no solo, em água doce e compostagem industrial (certificados pela TÜV Áustria e OEKO-TEX®). O produto oferece elasticidade natural, suavidade, resistência e a capacidade única de ser texturizado — tornando-o adequado para tudo, desde lingerie e vestuário de trabalho a calçado, têxteis-lar, vestuário médico e interiores automóveis.

Dois estudos independentes de Avaliação do Ciclo de Vida confirmam que a AeoniQ™ reduz as emissões de CO₂ em pelo menos 3,2 kg por cada kg de fio comparado com o poliéster. O fio já foi utilizado em quatro coleções cápsula da Hugo Boss e na linha de roupa de cama “vegan silk” da Lameirinho, apresentada na Heimtextil 2025.

A joint venture AeoniQ™ é apoiada por grandes players da cadeia de valor têxtil: a marca de moda alemã Hugo Boss e a MAS Holdings, maior fabricante de vestuário técnico do Sul da Ásia, são co-investidores acionistas, enquanto a THE LYCRA COMPANY adquiriu os direitos exclusivos de distribuição. Outros parceiros de desenvolvimento incluem, Riopele, Impetus, Lameirinho, Beste, Feinjersey, Taiana, Dolinschek, Aunde Group, Amman e Strahle + Hess.

Para além de diversificar as suas operações, a aquisição da AeoniQ está alinhada com a estratégia da Altri de aumentar a sua presença no setor das fibras têxteis sustentáveis e contribuir para a construção de um mundo mais renovável. O grupo assenta nos princípios da bioeconomia, utilizando recursos renováveis e recicláveis provenientes de florestas certificadas, e transformando-os através de processos industriais alinhados com as tecnologias mais eficientes e ambientalmente avançadas, promovendo os princípios da economia circular.

A conclusão da aquisição está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, como é habitual em transações desta natureza. As empresas esperam que o processo esteja concluído durante a segunda metade deste ano.

Projeto de Fibras Têxteis em Palas de Rei

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A sociedade Impulsa, consórcio publico-privado da Galiza, lançou um concurso internacional para atrair investimento para um projeto industrial que permitisse reforçar a descarbonização da economia através do fabrico de fibras celulósicas, com origem na floresta galega, e aplicabilidade no setor têxtil. O consórcio Greenfiber, constítuido pela Altri e pela sociedade galega Greenalia, veio a ser o vencedor no referido concurso com um projeto de construção de uma unidade de produção de fibras têxteis. O projeto pressupõe a produção de fibras celulósicas e sua posterior transformação em fibras para têxteis. O memorando foi assinado no dia 1 de outubro de 2021.[3] tendo sido aprovado de forma unânime pelos partidos representados no parlamento galego.

Após a aprovação unânime no parlamento galego, o projeto foi considerado um projeto estratégico pela Xunta [4] e que impulsionará o desenvolvimento económico social e ambiental, contruibuindo para a descarbonização da industria têxtil do noroeste peninsular.[5]

Desde então, e tendo havido alterações nos posicionamentos das forças partidárias galegas, o projeto antes unânime, tem sido objeto contínuo de campanhas massivas de desinformação com o objetivo de influenciar a opinião pública galega.

Apesar da contestação ativista, o projeto obteve a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) positiva em março de 2025.[6] Contrariando o ruído dos ativistas, a Agência Executiva do Clima, Infraestruturas e Meio Ambiente (CINEA) da União Europeia, atribuiu ao projeto GAMA o selo STEP (Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa) Um selo de qualidade dado pela Comissão Europeia destinado a facilitar o acesso a oportunidades de financiamento dos programas da UE incluidos nesta iniciativa e no qual a agência europeia reconhece o projeto de fibras têxteis como estratégico para melhorar a competitividade da UE. O STEP permite ao projeto o acesso a medidas de ajudas publicas do Pacto Industrial Limpo.[7]

Apesar da Declaração Ambiental e do selo STEP da União Europeia, o projeto de construção da nova fábrica de fibras têxteis em Palas de Rei, na Galiza, Espanha, continua a gerar controvérsia devido à oposição política de partidos como o Bloco Nacional Galego e o PS local e às preocupações ambientais que vêm sendo manifestadas por alguns coletivos locais.

O projeto de construção de uma nova fábrica de celulose em Palas de Rei, na Galiza, Espanha, gerou controvérsia devido a preocupações ambientais, económicas e sociais.[3] O Conselho da Junta da Galiza declarou este projeto industrial como estratégico em dezembro de 2022, e a finais de 2023 a companhia apresentou a documentação necessária para conseguir a autorização ambiental.[4]

A planta, que seria significativamente maior que outras instalações similares na Galiza, gerou um debate sobre o seu impacto ambiental.[5] Os críticos do projeto expressam preocupação pelo consumo intensivo de água que requererá[6] e o impacto que isto terá sobre os ecossistemas locais e a biodiversidade, e especialmente relacionado com o cultivo intensivo de eucalipto.[7]

A captação de água prevista afetaria o rio Ulha e, consequentemente, a ria de Arousa, impactando a indústria local de pesca e criação de marisco, essenciais para a economia galega.[5] Além disso, causa alarme pelo potencial aumento da produção de eucalipto na zona, o que pode levar a uma perda de biodiversidade e aumentar o risco de incêndios florestais, um problema já bem conhecido em Portugal​​​​​​.[8][9][10]

Também se sinalou a falta de comunicação e transparência no que diz respeito ao projeto. Muitos residentes e proprietários de terras afetados sentem que não foram adequadamente informados ou consultados sobre a desapropriação de terras para o projeto, nem das implicações para a agricultura e pecuária locais.

Referências

  1. a b http://www.altri.pt/~/media/Files/A/Altri-V2/reports-and-presentations/reports/portuguese/2019/Altri2019resultsPT.pdf
  2. «Cópia arquivada». Consultado em 8 de outubro de 2013. Arquivado do original em 10 de junho de 2015 
  3. Gonzalo Brocos (16 de maio de 2022). «Seis cuestións que abre a planta de Altri en Palas: pros, contras e oportunidades» (em galego). Campo Galego. Consultado em 6 de março de 2024 
  4. Nós Diario (4 de março de 2024). «Aberto durante o próximo mes o prazo de alegacións ambientais á planta de Altri en Palas: así sería o proxecto» (em galego). Nós Diario. Consultado em 6 de março de 2024 
  5. a b Nós Diario (1 de março de 2024). «Altri proxecta en Palas de Rei unha celulosa dez veces maior que Ence: así sería a planta de fibras téxtiles» (em galego). Nós Diario. Consultado em 6 de março de 2024 
  6. «Adega alerta do proxecto de captación hídrica de Altri: "Fai augas por todas partes"» (em galego). Nós Diario. 27 de fevereiro de 2024. Consultado em 6 de março de 2024 
  7. «A futura planta de celulosa en Palas de Rei enerva a veciñanza: nin "bio" nin sustentable». www.elsaltodiario.com. Consultado em 6 de março de 2024 
  8. «Portuguese Report: QUESTIONNAIRE ON POPLARS AND OTHER FAST-GROWING TREES SUSTAINING PEOPLE AND THE ENVIRONMENT, 2016 – 2019» (PDF) (em português e inglês). FAO.org; Instituto da Conservação da Natureza e das florestas. Consultado em 6 de março de 2024 
  9. «El eucalipto: culpable, tras los mortales incendios forestales de Portugal» (em espanhol). Tiempo.com; Meteored. 21 de julho de 2017. Consultado em 6 de março de 2024 
  10. Irene Larraz (17 de setembro de 2022). «El reto de poner un tope a la expansión del eucalipto» (em espanhol). Newtral. Consultado em 6 de março de 2024 

Ligações externas

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