Apofonia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Metaplasmos
Por adição de sons:
Prótese
Aglutinação
Epêntese
Anaptixe
Paragoge
Por supressão de sons:
Aférese
Deglutinação
Síncope
Haplologia
Apócope
Crase
Por modificação de sons:
Por transposição:
Metátese
Hipértese
Hiperbibasmo
Por transformação:
Apofonia
Assibilação
Assimilação
Consonantização
Desnasalização
Dissimilação
Ditongação
Fortição
Lenição
Metafonia
Monotongação
Nasalização
Palatalização
Sonorização
Vocalização

Apofonia é um fenômeno linguístico que consiste na troca da tonalidade das vogais mediante a evolução da língua.

Apofonia no latim clássico[editar | editar código-fonte]

As vogais breves de sílaba interna tendem geralmente tomar um grau mínimo de abertura, ou seja, tendem a fecharem passando a tornar i ou u. Assim ă (breve) em sílaba interior aberta tende a mudar para ĭ, mas na sílaba fechada tende mudar para ĕ, ex:

făcio > conĭcio, infĭcio, perĭcio (sílaba interior aberta)
fāctum, confēctum, infēctum, perfēctum (sílaba interior fechada)
  1. apofonia do proto-indo-europeu para o latim:
  • através do radical proto-indo-europeu *póds tem-se o latim pēs e o grego antigo πούς (poús), sendo "apofonia" a alteração do som da letra o para e, póds > pēs e em relação ao grego (poús)
  1. apofonia do latim clássico com acréscimo de prefixos e sufixos:
  • O ĕ (breve) na sílaba interior se torna ĭ (breve), mas em sílaba interior fechada conserva-se
tĕnĕo > contĭnĕo, ĕmo > exĭmo (sílaba interior aberta)
dens > bidens, tridens (sílaba interior fechada)
  • O ĭ breve mantém-se inaltenado:
vĭdĕo > prōvĭdĕo, invĭdĕo (sílaba interior aberta)
disco > condisco, praedisco (sílaba interior fechada)
  • O ŏ (breve) em sílaba interna aberta se torna ĭ, mas em sílaba fechada vira ŭ
lŏcus > ilĭco (sílaba interior aberta)
pondus > depundus (sílaba interior fechada)
  • O ŭ (breve) se torna ĭ na sílaba interior, mas em sílaba fechada mantén-se:
cornŭ > cornĭger (sílaba interior aberta)
curuus > recuruus (sílaba interior fechada)
  1. Também é notável a apofonia nos ditongos ae e au em sílabas internas, ao contrário dos ditongos ei e ou que já háviam se monotongado antes do latim clássico, sendo assim ae na sílaba interna envolve para ī (longo) e au para ū (longo):
caedo > incīdo
claudo > inclūdo

Observações[editar | editar código-fonte]

Os ditongos antigos eu, ou se reduzem a ū; se reduz a ī; oi depois de passar para oe (do qual há vestígios no período clássico: moenia e Poenus) se reduz à ū:

iouxmentum (proveniente da forma hipotética ieuxmentum > iūmentum
deico > dīco
oinus > oenus > ūnus
Poenus > Pūnicus
poena > pūnire[1]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Rebouças. FARIA, Ernesto. Gramática Superior Da Língua Latina. Rio De Janeiro Acadêmica (em Portuguese). [S.l.: s.n.]