Bagrate IV da Geórgia

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Bagrat IV
ბაგრატ IV
Rei dos reis da Geórgia
Bagrat IV (Ateni fresco).jpg
Fragmento de um afresco na Igreja Ateni Sioni representando Bagrat IV
Governo
Reinado 16 de agosto de 102724 de novembro de 1072
Consorte Helena Argira
Borena de Alânia
Antecessor Jorge I
Sucessor Jorge II
Dinastia Bagrationi
Vida
Nascimento 1018
Morte 24 de novembro de 1072 (54 anos)
Sepultamento Mosteiro de Chkondidi
Filhos Jorge II
Maria de Alânia
Maria
Pai Jorge I
Mãe Maria de Vaspuracan

Bagrat IV (em georgiano: ბაგრატ IV) da dinastia Bagrationi foi um rei da Geórgia entre 1027 e 1072. Durante seu longo e agitado reinado, Bagrat tentou reprimir a alta nobreza e assegurar a soberania da Geórgia frente aos poderosos impérios dos bizantinos e dos seljúcidas. Numa série de conflitos interligados, Bagrat conseguiu derrotar seus mais poderosos vassalos e rivais, os liparítidas, colocando diversos enclaves feudais sob seu controle e reduzindo os reis de Lori e da Cachétia, assim como o emir de Tbilisi, a um estado de vassalagem. Como muitos governantes medievais da região do Cáucaso, ele detinha diversos títulos bizantinos, particularmente os de nobilíssimo, curopalata e sebasto.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Bagrat era filho do rei Jorge I (r. 1014–1027) com sua primeira esposa Maria de Vaspuracan. Com três anos, Bagrat foi entregue pelo pai como refém ao imperador bizantino Basílio II Bulgaróctone (r. 976-1025) depois que Jorge foi derrotado na guerra contra os bizantinos em 1022. O jovem Bagrat passou os três anos seguintes na capital imperial, Constantinopla, e foi solto em 1025. Ele ainda estava em território bizantino quando Basílio morreu e foi sucedido por seu irmão, Constantino VIII (r. 1025-1028). O novo imperador ordenou que o jovem príncipe fosse trazido de volta, mas o enviado imperial não conseguiu alcançar o comboio de Bagrat, que já estava no Reino da Geórgia[1] .

Depois que Jorge I morreu, em 1027, Bagrat, aos oito, sucedeu-o no trono. A rainha-mãe Maria recobrou sua antiga proeminência e se tornou uma regência para seu filho menor de idade, dividindo o posto com outros nobres, particularmente Liparit IV, duque de Trialeti, e Ivane Abazasdze, duque de Kartli.

Na época de sua ascensão, o ímpeto dos bagrátidas' para completar a unificação de todos os territórios georgianos já era irreversível. Os reis da Geórgia se assentaram em Kutaisi, na Geórgia ocidental, de onde passaram a governar o que havia sido o Reino da Abecásia e uma grande porção do Principado da Ibéria (Kartli). Tao-Klarjeti havia sido perdido para os bizantinos e um emir muçulmano governava Tbilisi. Finalmente, os reis da Cachétia teimosamente defendiam sua autonomia na Geórgia oriental. Além disso, a lealdade dos grandes nobres à coroa estava longe de ser segura. Durante a minoridade de Bagrat, a regência ampliou as posições da alta nobreza cuja influência ele, quando assumiu os poderes plenos, tentaria conter. Simultaneamente, a coroa georgiana foi confrontada por dois formidáveis inimigos externos: o Império Bizantino e o os ressurgentes turcos seljúcidas. Mesmo tendo laços culturais e religiosos que já remontavam a séculos e mesmo sendo os muçulmanos seljúcidas uma ameaça ao próprio império, a agressividade dos bizantinos no Cáucaso contribuiu muito para uma atmosfera de desconfiança e recriminação que impediu que as duas nações cristãs cooperassem de forma efetiva contra a ameaça comum dos seljúcidas. Com a consolidação da hegemonia dos bagrátidas no Cáucaso como a pedra fundamental do reino de Bagrat, sua política externa pode ser entendida como sendo uma tentativa de lançar seljúcidas e bizantinos um contra o outro[1] .

Guerras dinásticas[editar | editar código-fonte]

Estados georgianos entre 830-1020.

Logo depois da ascensão de Bagrat ao trono, Constantino VIII enviou um exército para tomar a estratégica cidade fortificada de Artanuji (atual Ardanuç, Turquia) em nome do príncipe bagrationi Demétrio (Demetre), o filho de Gurgen de Klarjeti, que havia sido deposto pelo avô de Bagrat IV, Bagrat III, de seu feudo em Artanuji no início da década de 1010. Diversos nobres georgianos desertaram para o lado bizantino, mas os súditos leais de Bagrat conseguiram montar uma defesa[2] .

A morte de Constantino em 1028 abortou os planos bizantinos e, em 1030, a rainha Maria visitou o novo imperador Romano III Argiro (r. 1028-1034). Ela negociou um tratado de paz e retornou com o influente título bizantino de curopalata para seu filho em 1032. Ela também trouxe-lhe uma princesa bizantina chamada Helena, filha de Basílio Argiro, irmão de Romano, para ser sua esposa. O casamento era uma tentativa diplomática de criar uma associação estratégica entre o reino e o império. Porém, a morte de Helena logo em seguida em Kutaisi deu à corte georgiana a oportunidade de tentar outro caminho diplomática através do casamento de Bagrat com Borena, a filha do rei da Alânia, um país cristão no norte do Cáucaso[1] .

Em 1033, a corte real enfrentou outro problema dinástico, desta vez na figura do meio-irmão de Bagrat, Demétrio, filho de Jorge I de seu segundo casamento com Alda da Alânia. Demétrio e Alda viviam em Anacopia, uma fortaleza na Abecásia que herdaram do finado rei Jorge I. Embora a tentativa de alguns nobres de explorar as possíveis aspirações ao trono de Demétrio tenha fracassado, os esforços da corte georgiana de conquistar-lhes a lealdade igualmente fracassou. Ameaçada por Bagrat, a rainha-mãe Alda desertou para os bizantinos e entregou Anacopia a Romano III Argiro que, em troca, homenageou Demétrio com o título de magistro[3] .

Em 1039, Demétrio retornou à Geórgia com tropas bizantinas e, desta vez, ele tinha o apoio de Liparit IV, dos liparítidas, o mais poderoso nobre da Geórgia[4] .

Liparit, que era duque do distrito de Trialeti e posteriormente seria comandante-em-chefe dos exércitos reais, já havia aparecido como defensor do jovem Bagrat no início da década de 1030. A habilidade militar de Liparit foi demonstrada novamente em 1034, quando, à frente de um exército combinado de armênios e georgianos, derrotou as tropas xadádidas em Arran. Em 1038, Liparit estava prestes a capturar a antiga capital de Tbilisi, um um enclave muçulmano desde o século VIII. Temendo o crescente poder Liparit, os nobres georgianos persuadiram Bagrat a ordenar que ele recuasse seu exército, frustrando seu plano. Liparit se tornou um inimigo jurado do rei e começou a cooperar ativamente com os bizantinos em busca de vingança contra Bagrat e seus nobres[4] .

Em nome do pretendente Demétrio, Liparit conseguiu uma série de vitórias contra Bagrat. Apesar da morte de Demétrio em 1042, ele continuou a lutar com seus aliados bizantinos e com Davi I de Lori. Depois da derrota na Batalha de Sasireti, o controle de Bagrat se reduziu às províncias ocidentais. Durante as campanhas seljúcidas na Anatólia em 1048, Liparit, que vinha combatendo pelos bizantinos, foi capturado na Batalha de Capetron e Bagrat, aproveitando-se, retomou todas as suas posses orientais. Contudo, a sorte do rei rapidamente mudou quando Liparit retornou do cativeiro. O duque rebelde forçou Bagrat a fugir para Constantinopla, onde ele foi forçado a ficar por três anos por causa das intrigas de Liparit. Na ausência do rei (1050-1053), Liparit era o governante de facto da Geórgia, chegando ao ponto de instalar o filho de Bagrat, Jorge, como rei e declarando-se regente. Depois do retorno do rei, Liparit reiniciou os combates até que, finalmente, em 1060, seus seguidores conspiraram contra ele, prendendo-o e entregando-o a Bagrat, que forçou-o a entrar para um mosteiro. A partir daí Bagrat ganhou impulso para restringir o poder dos príncipes dinásticos, reduziu o poder dos reis do Reino de Lori e da Cachétia à completa impotência e chegou a conquistar Tbilisi por um breve período[4] [5] .

Ataques seljúcidas[editar | editar código-fonte]

Na década de 1060, Bagrat enfrentou um problema ainda maior: os seljúcidas de Alp Arslan começaram a invadir as regiões fronteiriças da Geórgia. Bagrat teve que comprar a paz entregando a Alp uma sobrinha em casamento[6] .

A ameaça seljúcida incitou os governos bizantino e georgiano a buscarem uma cooperação mais próxima. Para assegurar uma aliança, a filha de Bagrat, Mart'a (Maria) se casou, em algum momento entre 1066 e 1071, com o co-imperador bizantino Miguel VII Ducas. A escolha de uma princesa georgiana não tinha precedentes e foi vista na Geórgia como uma vitória diplomática de Bagrat[7] .

Em 10 de dezembro de 1068, Alp Arslan, acompanhado pelos reis de Lori, da Cachétia e do emir de Tbilisi, marchou novamente contra Bagrat. As províncias de Kartli e Argveti foram ocupadas e saqueadas. Os antigos rivais de Bagrat, os shaddadidas de Arran foram recompensados recebendo as fortalezas de Tbilisi e Rustavi. Depois que o sultão deixou a Geórgia, Bagrat reconquistou Kartli em julho de 1068. Al-Fadl I b. Muhammad, um dos shaddadidas, acampado em Isani (um subúrbio de Tbilisi na margem esquerda do Mtkvari) com 33 000 homens, arrasou toda a região rural da província. Bagrat o derrotou, porém, e forçou as tropas shaddadidas a fugir. Na estrada através da Cachétia, Fadl foi preso pelo governante local Aghsartan que, em troca de diversas fortalezas às margens do rio Iori, foi entregue a Bagrat. O rei obrigou-o a render-lhe Tbilisi, que foi entregue a um emir local sob a condição de vassalagem[8] .

Os últimos anos do reino de Bagrat coincidiram com o que o professor David Marshall Lang descreveu como "o débacle final do cristianismo oriental" - a Batalha de Manziquerta - na qual Alp Arslan derrotou decisivamente o exército bizantino, capturando o imperador Romano IV Diógenes, que morreu preso e na miséria. Bagrat IV morreu no ano seguinte, em 24 de novembro de 1072, e foi enterrado no Mosteiro de Chkondidi. A suserania sobre os problemáticos reinos da Geórgia passou para o seu filho Jorge II[9] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Jorge I
Rei da Geórgia
1027–1072
Sucedido por
Jorge II

Referências

  1. a b c Lynda Garland & Stephen Rapp. Mary 'of Alania': Woman and Empress Between Two Worlds, pp. 94–5. In: Lynda Garland (ed., 2006), Byzantine Women: Varieties of Experience, 800–1200. Ashgate Publishing, Ltd., ISBN 0-7546-5737-X.
  2. Holmes, Catherine (2005), Basil II and the Governance of Empire (976–1025), p. 482. Oxford University Press, ISBN 0-19-927968-3.
  3. Alemany, Agusti (2000). Sources of the Alans: A Critical Compilation, p. 222. Brill Publishers, ISBN 90-04-11442-4.
  4. a b c Robert Bedrosian, "Liparit IV Orbēlean", p. 586. In: Joseph Reese Strayer (1983), Dictionary of the Middle Ages. Scribner, ISBN 0-684-16760-3.
  5. Suny, Ronald Grigor (1994), The Making of the Georgian Nation: 2nd edition, p. 33. Indiana University Press, ISBN 0-253-20915-3
  6. John Andrew Boyle, William Bayne Fisher (ed., 1991), The Cambridge History of Iran, p. 62. Cambridge University Press, ISBN 0-521-06936-X.
  7. Lynda Garland with Stephen H. Rapp Jr. (2006). Mart'a-Maria 'of Alania'. An Online Encyclopedia of Roman Emperors. Retrieved on 24 December 2007.
  8. V. Minorsky, "Tiflis", p. 754. In: M. Th. Houtsma, E. van Donzel (1993), E. J. Brill's First Encyclopaedia of Islam, 1913–1936. Brill, ISBN 90-04-08265-4.
  9. Lang, David Marshall (1966), The Georgians, p. 111. Praeger Publishers.
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