Bardanes de Arevel

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Bardanes Arevel
Nascimento 1200
Morte 1271
Etnia Armênia
Ocupação Historiador, geógrafo, filósofo, tradutor
Religião Catolicismo

Bardanes de Arevel (em armênio/arménio: Վարդան Արևելցի; transl.: Vardan Areveltsi; em grego: Βάρδας; transl.: Bardas/Bardanes c. 1200-1271), também referido como Bardanes de Ganzaque (Vardan Gandzaketsi), Bardanes de Albânia (Aghvanits Vardan), Bardanes da Cilícia (Vardan Kiliketsi), Bardanes, o Grande (Vardan Mets), Bardanes, o Historiador (Vardan Patmich) ou Bardanes, o Oriental (Vardan Vardapet) foi um historiador, geógrafo, filósofo e tradutor armênio do século XIII. É conhecido por ter fundado várias escolas e mosteiros, pela sua rica contribuição para a literatura armênia,[1] e pela sua "História Universal", uma das primeiras tentativas de um historiador armênio para escrever uma história mundial.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Bardanes nasceu em Ganzaque ca. 1200.[3] Recebeu sua educação antes de tomar os cursos de Mechitar Goch[1] e João Vanakan em Nor-Getik[4] (onde conheceu e fez amizade com Kirakos Gandzaketsi[5]) e completar sua formação em Khoranachat, em Tavush, que incluiu o aprendizado de literatura, gramática e teologia, assim como línguas estrangeiras (hebraico, grego, latim e persa).[1] Tornou-se monge,[6] e obteve em 1235 o título de vardapet e implementou seus talentos de ensino, abrindo uma escola no mosteiro de Santo André de Kayenaberd, onde ensinou em 1235 a 1239 e de 1252 a 1255. Em 1239-1240, partiu para Jerusalém e Armênia e em sua viagem de regresso, passou através da Armênia Menor onde foi convidado a permanecer por Hetum I (r. 1226–1270);[5] teria ficado até pelo menos o concílio ecumênico de Sis de 1243.[1] Bardanes então retornou à Grande Armênia em 1245, produzindo uma encíclica do católico que os notáveis da Grande Armênia eventualmente assinaram.[5]

Três anos depois, Bardanes retornou à Cilícia armênia e participou da vida política, opondo-se fortemente às usurpações e a influência das Igrejas romana e bizantina.[7] Ele também trabalhou junto do católico Constantino I de Bardzaber na elaboração de um tratado, Escrito didático, destinado aos fieis da Armênia Oriental; particularmente enviou uma carta ao papa e participou do concílio ecumênico de Sis de 1251.[carece de fontes?]

Mosteiro de Khor Virap. Ao fundo está o monte Ararate

Bardanes retornou à Grande Armênia em 1252 a fim de organizar outro concílio ecumênico em Haghpat e Dzagavan. Voltando ao ensino, abriu escolas nos mosteiros de Saghmosavank, Teghenyats, Aghjots Vank e Xoraquerta, e emprestou sua experiência para Haghpat até 1255, ano em que foi para Khor Virap e estabeleceu um seminário. Ele introduziu um programa incluindo filosofia, lógica, retórica e gramática, e ensinou muitos futuros intelectuais armênios como Gevorco Esceurra, João de Ierzenca, Narses de Mexe e Gregório de Bejne.[1] Em 1264, Bardanes também desempenhou um papel importante como negociador em uma viagem à Tabriz, a residência do suserano mongol Hulagu Khan (r. 1256–1265);[2] obteve um privilégio em favor dos armênios que viviam sob julgo mongol e concluiu um acordo sobre a cobrança de impostos. Seus laços com os mongóis foram estreitos: foi conselheiro religioso da esposa de Hulagu, Doquz Khatun.[8] Bardanes morreu em 1271 em Khor Virap, deixando uma herança literária importante, abrangendo vida política, cultura, religiosa e social da Armênia.[3]

Obras[editar | editar código-fonte]

Mais de 120 obras atribuídas a Bardanes foram preservadas,[3] incluindo o Matenadaran de Erevã.[1] Eles incluem, entre outros, uma coleção de 66 textos (Análise de escrituras) escritos a pedido de Hetum em língua vernácula[3] e abrangendo muitas disciplinas (astronomia, botânica, zoologia, linguística, filosofia, música, etc.). Sua principal obra, no entanto, é sua História Universal; como a história da Armênia de Moisés de Corene, este livro tenta traçar as origens da história armênia de em seu tempo (e dá grande número de informações sobre a dinastia zacárida),[9] mas difere na medida que tenta documentar a história do mundo; começando com a Torre de Babel e a batalha épica de Haico e Bel, termina com a morte do católico Constantino I, em 1267.[1] No entanto, é comumente referida como uma crônica.[2]

Bardanes também traduziu várias obras em armênio, incluindo a crônica do patriarca siríaco Miguel, o Sírio em 1248[1] com um monge chamado Ichox.[10] Além disso, também deixou uma Geografia[9] (cuja autoria é por vezes questionada[2]), homilias e comentários do Antigo Testamento,[11] de estruturas gramaticais (partes de discursos e a Interpretação do Livro do Gramático), de discursos, de elogios, de xaracãs (sharakans; elementos do cânone, que honram aos santos tradutores como "Aqueles que embelezam"), etc.[2]

Referências

  1. a b c d e f g h Hovhannisyan 1985, p. 312-313.
  2. a b c d e Hacikyan 2002, p. 487.
  3. a b c d Hacikyan 2002, p. 486.
  4. Dédéyan 2007, p. 356.
  5. a b c Vardan Arewelts'i's. «Compilation of History» (em inglês). Consultado em 18 de abril de 2014 
  6. Mathews 2001, p. 25.
  7. Hacikyan 2002, p. 488.
  8. Lane 2003, p. 13.
  9. a b Dédéyan 2007, p. 359.
  10. Schmidt 2007, p. 345-346; 348.
  11. Dédéyan 2007, p. 361.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dédéyan, Gérard (2007). «O tempo das cruzadas (final do século XI - final do século XIV) — A renovação da vida intelectual». História do povo armênio. Toulouse: Privat. ISBN 978-2-7089-6874-5 
  • Hacikyan, Agop Jack (2002). A Herança da literatura armênia, Vol. II: do VI ao XVIII século. Detroit: Wayne State University Press. ISBN 978-0814330234 
  • Lane, George E. (2003). Domínio mongol precoce do Irã do século XIII: Um renascimento persa. Londres: Routledge. ISBN 0-4152-9750-8 
  • Mathews, Thomas F.; Taylor Alice (2001). The Armenian Gospels of Gladzor, the life of Christ illuminated. Los Angeles: Getty Publications. ISBN 978-0-89236-627-3 Verifique |isbn= (ajuda)