Bloomsday

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Atores caracterizados como personagens de Ulisses, durante o Bloomsday, em Dublin

Bloomsday, comemorado em 16 de junho, é o dia instituído na Irlanda para homenagear o personagem Leopold Bloom, protagonista de Ulisses, de James Joyce. Em todo o mundo, é o único dia dedicado ao personagem de um livro.

O Bloomsday é comemorado na Irlanda e pelos amantes da literatura com diversos eventos oficiais e não oficiais. Também é comemorado todos os anos em vários lugares e em várias línguas. Em comum entre os muitos dedicados entusiastas e simpatizantes envolvidos nestas comemorações há o esforço por relembrar os acontecimentos vividos pelos personagens de Ulisses pelas dezenove ruas da cidade de Dublin.

Ulisses narra os acontecimentos vividos pelo personagem Leopold Bloom durante 19 horas do dia 16 de junho de 1904. Joyce estabelece uma série de correspondências com a Odisseia de Homero, seja entre os personagens (Leopold Bloom e Ulisses; Molly Bloom e Penélope; Stephen Dedalus e Telêmaco) seja com referência aos acontecimentos narrados. A obra é considerada um dos marcos da literatura ocidental contemporânea.

Há alguma controvérsia sobre o ano em que o Bloomsday começou a ser comemorado. Alguns especialistas indicam 1925 (três anos após o lançamento do livro); outros afirmam que foi na década de 1940, logo após a morte de Joyce, enquanto a hipótese mais aceita indica que foi em 1954, na data do quinquagésimo aniversário do dia retratado em Ulisses.

Hoje o Bloomsday é uma efeméride inserida no calendário cultural de vários países e não se restringe ao círculo de leitores da obra (de aproximadamente 900 páginas).

No Brasil é comemorado em vários estados, sob tudo na capital do pais. O Bloomsday começou a ser comemorado em Brasília em 2007, organizado pelo professor de teoria literária Piero Eyben. Por sugestão do jornalista Antônio Carlos Queiroz, a Livraria Sebinho incorporou o evento ao seu calendário a partir de 2012, com a colaboração de Eyben e de vários professores da UnB.

Desde o início, a festa contou com a participação da banda Tanaman Dùl, liderada pelo músico Jesse Wheeler, responsável também pela seleção de trechos retirados das diversas traduções do Ulisses em português para a leitura dramática por parte de funcionários da livraria.

A partir de 2015, o jornalista Antônio Carlos Queiroz passou a coordenar o evento, com a colaboração das professoras de literatura Eva Leones e Michelle Alvarenga.

Em 2016, a Embaixada da Irlanda, que já vinha apoiando o Bloomsday, incrementou a sua participação. De maneira entusiástica, o embaixador na época, Brian Glynn passou a dar palestras e a ler trechos do Ulisses, integrado ao programa do evento.

Em 2017, houve um salto qualitativo na organização do Bloomsday. Antes realizado no auditório do subsolo da livraria, para um público de no máximo 100 pessoas, a festa foi transferida para o térreo, em palco montado ao ar livre. Com reserva antecipada de mesas, a comemoração atraiu público de mais de 400 pessoas. Houve leitura dramática de trechos do Ulisses pela professora Michelle Alvarenga, pelo ator André Aires e pelo músico Jesse Wheeler. Houve também uma apresentação de dança irlandesa pelo conjunto Celtas do Cerrado.

O sucesso do novo formato do Bloomsday repetiu-se no ano seguinte, 2018, em maior escala. Uma novidade foi a participação do professor da Universidade Federal de Santa Catarina, José Roberto O’Shea, respeitado tradutor de William Shakespeare e James Joyce. O embaixador Brian Glynn fez a sua última apresentação e anunciou sua despedida do Brasil.

Em 2019, mais uma vez o Bloomsday realizado pela Livraria Sebinho em Brasília foi sucesso, contando agora com a presença do atual embaixador da Irlanda, Mr  Seán Hoy, com leituras dramáticas e apresentação musical de sua esposa Susan Roy, além do show musical com a banda Tanaman Dùl e leituras dramáticas com músico Jesse Wheeler e a professora Michelle Alvarenga.

Origem[editar | editar código-fonte]

Joyce escolheu o dia 16 de junho para ser imortalizado em sua obra porque este foi o dia em que teve a primeira relação sexual com sua futura companheira, Nora Barnacle (apesar de a imprensa irlandesa publicar que, nesse dia, eles "caminharam juntos" pela primeira vez[carece de fontes?]), que, à época, era uma jovem virgem de vinte anos. Na verdade, Nora teve medo de completar o coito e o masturbou "com os olhos de uma santa", como Joyce relatou em uma carta.[1]

James Joyce[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: James Joyce

James Joyce experimentou vários gêneros literários. Publicou uma peça de teatro, Exiles; um livro de contos, "Dublinenses"; duas séries de poemas, coletados em Chamber Music e em Pomes Penyeach; uma novela autobiográfica, Giacomo Joyce; e três romances densos e seminais: Retrato do artista quando jovem, Ulisses e Finnegans Wake.

É atribuído a ele o comentário de que seus últimos livros deixariam os críticos e pesquisadores ocupados por anos, tão diferentes e contraditórias seriam suas possíveis leituras.[carece de fontes?]

Fontes e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Robert Anton Wilson (2002). Cosmic Trigger II. Down to Earth 8 ed. [S.l.]: New Falcon Publications. p. 58/59. 281 páginas. ISBN 1-56184-011-4 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]