Masturbação

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Masturbação é o acto da estimulação dos órgãos genitais, manualmente ou por meio de objectos, com o objectivo de obter prazer sexual, seguido ou não de orgasmo. É uma prática sexual não-penetrativa, que pode ser praticada pelo próprio ou por outra pessoa.

O termo foi usado pela primeira vez pelo médico inglês e fundador da psicologia sexual, Dr. Havelock Ellis, em 1898.

A masturbação é observada em muitas espécies de mamíferos, especialmente nos grandes primatas. Na espécie humana, a masturbação é comum em ambos os sexos e em uma larga faixa etária, iniciando-se no início da puberdade, ou, segundo alguns, ainda durante a infância - mas sem a carga erótica nesta fase. O acto da masturbação é socialmente condenável em algumas culturas, embora não seja uma doença e nem cause doenças.

História

Gravura em uma cratera grega retratando a masturbação de um sátiro, do século VI a.C.
Cintos de prevenção contra o onanismo; imagem publicada em 1921.

Antes do cristianismo, era vista como uma ação natural; a partir desse, foi proibida, com toda a sexualidade sendo reprimida. A partir do século XX, voltou a ser considerada natural.[1]

Pré-Cristianismo

Registros de que o Homo sapiens se masturbava são datados da era paleolítica10000 a.C., com inscrições feitas por homens primitivos mostrando figuras de masturbação solitária, coletiva ou como parte de rituais.

No Antigo Egito a masturbação era uma prática coletiva feita em santuários de adoração as divindades como o Atum e as mulheres quando morriam eram mumificadas com os objetos fálicos utilizados por elas, uma espécie de dildo de argila.

Os Maias também possuíam rituais de masturbação[2] e desenhavam esses rituais em pedras que são encontradas hoje em ruínas.

Os Indianos tinham a crença de que a masturbação acarretava perda de energia vital e evitavam a prática para se sentirem mais fortes. O esperma era considerado o elixir da vida e deveria ser conservado dentro do corpo o maior tempo possível. Veio daí a crença de que a masturbação deixa as pessoas fracas e poderia levá-las até a morte. Nesse contexto se desenvolveu o sexo tântrico e a masturbação tântrica.

Na Grécia Antiga, de moralidade sexual muito livre, comparada à Ocidental actual, a masturbação era um acto sexual visto com certa naturalidade[3], ainda que a prática fosse alvo de chacota entre as classes mais abastadas. Para os gregos, um homem de classe superior não precisaria se masturbar, devido às alternativas sexuais que tinha: escravas, prostitutas e mulheres de classes inferiores.[1] No Império Romano, a visão era semelhante.[1]

Pós-Cristianismo

Com a chegada da cultura judaico-cristã no Ocidente, iniciou-se um processo de repressão, por motivos morais e religiosos. Nomeadamente, o desperdício voluntário de esperma (ou sêmen) era pecado grave. No século XVII, na colónia puritana de New Haven, chegou a ser um crime punido com pena de morte. Este fenómeno teve dois grandes responsáveis: a Medicina e a Igreja Católica.

A Igreja Católica, através do teólogo São Tomas de Aquino, classificou-a como um pecado contra natureza, mesmo pior do que incesto[carece de fontes?]. Ele se baseava na interpretação da narrativa (critica-se, errónea) do Antigo Testamento sobre Onã[carece de fontes?]. A descoberta do espermatozóide, em 1677, motivou a Medicina a se associar à Igreja Católica para qualificar a masturbação como uma doença abominável e um mal moral, uma vez que o espermatozóide veio a ser considerado como um bebé em miniatura[carece de fontes?].

Acredita-se que os mitos foram sendo inventados graças a história de Onã, que expressava o pensamento dos judeus a 4.000 anos atrás. Mas esse pensamento seguiu até o século XVIII.Após esse século, o mundo não passou a ver a visão da igreja, mas sim uma visão mais racional e científica. A partir daí, não bastava apenas a religião condenar o ato. Então a partir daí surgem os mitos.[1]

A condenação à masturbação, mesmo por parte de médicos, foi, consequentemente, a regra nos Séculos XVII a XIX. Era vista como uma doença que provocava distúrbios do estômago e da digestão, perda do apetite ou fome voraz, vómitos, náuseas, debilitação dos órgãos respiratórios, tosse, rouquidão, paralisias, enfraquecimento do órgão de procriação a ponto de causar impotência, falta de desejo sexual e ejaculações nocturnas e diurnas[carece de fontes?]. Em 1758, Samuel Auguste Tissot publica o "Ensaio sobre as doenças decorrentes do Onanismo", em que diz que esta doença ataca os jovens e libidinosos e, embora comam bem, emagrecem e consomem seu vigor juvenil.

Criaram-se mitos anticientíficos fortemente negativos acerca da prática da masturbação, visando a desencorajar o acto nos jovens ainda em desenvolvimento psicossexual, o que levou a muitos casos de complexos de culpa, medos e recalcamentos. Vários mitos populares que visam desencorajar a prática da masturbação remontam aos séculos XVIII e XIX, quando a sociedade europeia promoveu a censura da sexualidade.[4]

Modernidade

No entanto, no início do século XX, surgiram novos estudiosos como Sigmund Freud, Kraft-Hebing e Havelock Ellis, com novas linhas de pensamento que levaram a uma visão diferente da masturbação.

O peso histórico da carga negativa e pecaminosa dessa atividade ainda existe em algumas pessoas, inibindo-as da vivência plena da sua sexualidade ou mesmo atrofiando o seu natural desenvolvimento psicossexual. Atualmente, o novo Catecismo da Igreja Católica classifica-a de "desordem moral" a ser vencida pelo crente. O ato ainda é condenado por muitas igrejas evangélicas.[carece de fontes?]

No final do século XX foi criado um consenso por profissionais de saúde de que a masturbação é sadia, e com o advento da especialização acadêmica da sexualidade o ato é defendido por especialistas como parte do desenvolvimento sexual de uma pessoa normal. O mercado de vibradores e estimulantes ao ato vem crescendo no mundo todo com lojas na Internet.[carece de fontes?]

Recentemente, estudos mostraram que a masturbação pode prevenir o câncer de próstata e aliviar os sintomas de depressão. A masturbação frequente, particularmente aos 20 anos, ajudaria os homens nesse sentido, de acordo com um estudo publicado na revista "New Scientist" (www.newscientist.com).[carece de fontes?]

Segundo cientistas australianos, quanto mais os homens se masturbam entre os 20 e os 50 anos, menos chances há de um tumor prostático se desenvolver. Eles suspeitam que a ejaculação frequente preveniria a formação de carcinógenos na glândula, pois o sêmen é rico em substâncias como potássio, zinco, frutose e ácido cítrico.[carece de fontes?]

O pesquisador Graham Giles, do Conselho de Câncer Victoria, em Melbourne, analisou 1.079 pacientes com câncer e 1.259 homens saudáveis. Giles descobriu que as pessoas que ejaculavam mais de cinco vezes por semana aos 20 anos tinham três vezes menos chance de apresentar uma versão agressiva da doença.[carece de fontes?]

Técnicas

Masculina

Ver artigo principal: Onanismo

Feminina

Ver artigo principal: Siririca

Prevenção de AIDS (SIDA) e de DSTs

Vários programas de orientação sexual que divulgam a abstinência sexual propõem a masturbação como uma alternativa para a prevenção de AIDS (SIDA) e outras doenças sexualmente transmissíveis, alcançando resultados bastante interessantes com comprovadas pesquisas que apontam para uma diminuição significativa no número de infeções do HIV em Uganda.[carece de fontes?]

Mesmo na masturbação mútua, o risco quanto à transmissão de doenças sexuais é quase inexistente já que a prática em si não propicia a troca de fluidos corporais.[carece de fontes?]

Desde a década de 1980, a masturbação mútua já era incentivada entre homossexuais como uma alternativa ao sexo anal ou ao oral, sendo que hoje a sua divulgação destina-se também aos heterossexuais como um eficiente método preventivo e contraceptivo.[carece de fontes?]

Atualmente, as escolas de vários países falam abertamente sobre o uso da masturbação aos seus alunos, ensinando que se trata de algo saudável para os adolescentes, embora persista uma oposição de diversos grupos religiosos quanto a esta concepção moderna nos modelos de educação sexual, recomendando unicamente a abstinência do sexo e sua limitação aos relacionamentos matrimoniais.[carece de fontes?]

Mesmo funcionando como um método seguro de prevenção de AIDS e DSTs, bem como de contracepção, pode não ser recomendável que um casal pratique a masturbação mútua sem ter alguns preservativos por perto, considerando a possibilidade dos parceiros não se conterem durante o momento e praticarem o sexo penetrativo sem nenhuma proteção. Até mesmo porque a masturbação quando praticada na mulher pode despertar mais ainda o seu desejo pelo coito vaginal.[carece de fontes?]

Análise psicológica

Auto-retrato de Egon Schiele, 1911.

Alguns psicólogos defendem a masturbação na adolescência como essencial para o auto conhecimento das zonas erógenas e da sua resposta sexual, para o exercício das fantasias sexuais, e nos casos de impossibilidade de se ter um relacionamento sexual, desde que não seja em excesso ou se torne numa obsessão. Estudos científicos comprovam que o orgasmo resultante da masturbação pode ser tão intenso ou mais do que o resultante de uma relação sexual, de modo que tem se tornado comum o uso da masturbação mútua mesmo entre parceiros heterossexuais. Para a maioria das pessoas, independentemente do seu envolvimento ou não em actividades sexuais, torna-se uma prática saudável complementar que permanece até a velhice, sem maiores intercorrências.[carece de fontes?]

Há algumas correntes da psicologia que defendem que a prática da masturbação pode ser prejudicial à vida conjugal futura, quando um(a) jovem acostumado à rápida satisfação sexual por meio da masturbação acaba por desconsiderar egoisticamente as necessidades de satisfação sexual do seu parceiro(a), podendo gerar problemas no seu relacionamento sexual e afectivo.[carece de fontes?]

Para além disto, pode constituir um problema psicológico, quando uma pessoa adulta prefere obter satisfação sexual unicamente pela masturbação, em vez de uma relação sexual. A masturbação compulsiva não é uma mera busca ocasional de alívio da ansiedade ou da tensão; torna-se numa prejudicial válvula de escape da realidade, podendo tornar-se numa dependência psicológica fortíssima. Nestes casos, a pessoa deverá procurar um acompanhamento psicológico, identificar as causas do seu comportamento e, depois, lidar com elas.[carece de fontes?]

Origem do termo "onanismo" e sua crítica

Embora se use frequentemente o termo onanismo quando se fala da masturbação, muitos consideram-no inapropriado.

Segundo o relato bíblico, Er, o primogénito de Judá, teria sido executado por Deus por um motivo grave não mencionado. Como ele não tinha descendência, Judá, seu pai, mandou que Onã, o segundo filho, casasse com a cunhada Tamar, viúva de Er (casamento Levirato)[5]. Assim, se tivessem um filho, a herança do primogénito pertenceria a criança como herdeira legal de Er e, se não tivessem um herdeiro, Onã ficaria com a herança de primogénito, por isso o motivo dele não querer engravidar a cunhada.

Ao não ter relações sexuais com Tamar, o texto bíblico diz que ele "desperdiçou o seu esperma na terra", em vez de inseminá-la. Desse modo, acredita-se que não se tratou de um acto de masturbação por parte de Onã, considerando que o relato diz que ele "teve relações com a esposa de seu irmão", apenas evitando que houvesse a concepção dela. O que pode ter acontecido de fato seria então um caso de coito interrompido. Onã, que não tinha filhos, teria sido executado por Deus por causa de sua cobiça e desobediência deliberada[6].

Todavia, a incorreta associação entre o pecado de Onã e a masturbação tem sido utilizada até hoje por alguns religiosos para justificarem a existência de respaldo bíblico a fim de condenarem a prática.[carece de fontes?]

Opinião das Religiões

Para muitas religiões cristãs, a Bíblia é considerada a fonte dos mandamentos que devem ser praticados pelos fiéis.

Hoje em dia, embora a maioria dos teólogos e doutrinadores do cristianismo não se baseiem tanto na experiência de Onã, busca-se em outras passagens quais seriam os fundamentos para proibirem a masturbação. Uma das referências bíblicas estaria no Sermão da Montanha, quando Jesus afirmou que o homem que olhasse para uma mulher com intenção impura no coração já teria adulterado com ela. Fundamentam também nas recomendações de Paulo que, em uma de suas epístolas, escreveu que tudo o que fosse puro ocupasse o pensamento dos cristãos. Assim, o fundamento atual defendido por católicos e protestantes estaria mais no desvio do pensamento do que na ejaculação em si.[carece de fontes?]

Para as testemunhas de jeová, a masturbação é um hábito espiritualmente nocivo que estimula pensamentos que levam ao egoismo e corrompem a mente.[7]

Já no Antigo Testamento, a lei mosaica tinha recomendações sobre a purificação do homem quando tivesse alguma polução noturna, o qual deveria banhar-se em água e ficaria impuro durante um período, tal como a mulher em seu período menstrual. Também as relações sexuais obrigavam que o israelita religioso se purificasse para participar de determinadas ocasiões religiosas.

Deste modo, é possível que os judeus tivessem associado as recomendações de higiene na ejaculação involuntária do sêmen com a masturbação.

Mitos

Há diversos mitos que envolvem a masturbação. Um deles é que a masturbação provoca espinhas. Mas essa afirmação não tem relatos científicos que a comprovem. O Acne é uma doença inflamatória na pele, que pode formar pus. Mas isso não tem nada a ver com masturbação.[8] Outro mito que se tem visto é que a masturbação pode provocar pelos nas mãos. Mas isso é mentira. O nascimento ou não de pelos nas mãos é determinado geneticamente e não ligação com a masturbação.[9]

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Referências

  1. a b c d Marcos Nogueira (Fevereiro de 2004). «O prazer em suas mãos». Superinteressante. Consultado em 24 de abril de 2011. 
  2. Último Segundo (14 e julho de 2010). «Arqueólogos estudam práticas sexuais de astecas e maias»  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Marina Motomura (07 de abril de 2017). «Como era o sexo na Antiguidade?». Mundo Estranho  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Stengers, Jean; van Neck, Anne. Masturbation: the history of a great terror. New York: Palgrave, 2001. ISBN 0-312-22443-5.
  5. Gênesis 38:6-8
  6. Génesis 38:9-10
  7. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (2011). Mantenha-se no amor de Deus. [S.l.]: Associação Torre de Vígia de Bíblias e Tratados. 218 páginas 
  8. «Masturbação provoca espinhas?». Saúde na Internet. 18 de novembro de 2007. Consultado em 24 de abril de 2011. 
  9. «Masturbação faz crescer pêlos nas mãos dos meninos e provoca espinhas? Espinhas e pelos». SABER. Consultado em 24 de abril de 2011. 

Ligações externas