Educação sexual

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Educação sexual é o ensino sobre a anatomia, a psicologia e aspectos comportamentais relacionados à reprodução humana. Costuma ter, como principal público alvo, os adolescentes, visando à construção de uma vida sexual saudável e a prevenir problemas como a gravidez indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis e o abuso sexual.[1] [2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

As discussões sobre a inclusão de temáticas relativas à sexualidade humana no currículo das escolas de ensino fundamental e médio vem se intensificando desde a década de 1970. Acredita-se que isso se deu provavelmente em função das mudanças comportamentais dos jovens dos anos 1960, mas principalmente pelas cobranças por parte dos movimentos feministas e de grupos que pregavam o controle da natalidade. Com diferentes enfoques, há registros de discussões e de trabalhos em escolas desde a década de 1920.

Especificamente no caso do Brasil, a retomada contemporânea dessa questão deu-se juntamente com os movimentos sociais que propunham, com a abertura política (1974-1988), repensar, de forma crítica, o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados. Mesmo assim, as ações práticas, tanto na rede pública como na rede privada de ensino, não foram muitas.

A partir de meados dos anos 1980, a demanda por trabalhos na área da sexualidade nas escolas aumentou em virtude da preocupação dos educadores e de toda a população com o grande crescimento da incidência de gravidez indesejada entre as adolescentes e principalmente com o risco crescente da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana entre os jovens.[3]

Abordagem Pedagógica[editar | editar código-fonte]

Possui as seguintes características:

  • Volta-se mais diretamente para o processo "ensino aprendiz" de sexualidade;
  • Valoriza o aspecto informativo desse processo, podendo também dar ênfase ao aspecto formativo, onde se propicie a discussão de valores, atitudes e preconceitos; pode, ainda, considerar a importância da discussão de dúvidas, sentimentos e emoções;
  • Direciona mais acentuadamente a reformulação de valores, atitudes e preconceitos, bem como todo o "processo de libertação", para o nível individual.[4]

Abordagem Religiosa Tradicional[editar | editar código-fonte]

Possui as seguintes características:

A preocupação da abordagem religiosa é a formação cristã dos indivíduos, sendo que os católicos seguem as orientações oficiais da Igreja Católica e os protestantes, cada denominação a seu modo, a interpretação literal da Bíblia.

Abordagem Religiosa Liberadora[editar | editar código-fonte]

Apresenta as seguintes características:

  • liga a vivência da sexualidade ao amor a Deus e ao próximo;
  • tem, como metas básicas, a conservação dos princípios cristãos fundamentais, o desenvolvimento da vida espiritual e a consciencialização do cristão para a participação na transformação social;
  • valoriza a informação de conteúdos, num contexto de debate, para, através da discussão da sexualidade, levar à tomada de consciência da cidadania;
  • vê, de maneira crítica, as normas oficiais da Igreja sobre a sexualidade e procura levar o cristão a ser sujeito de sua sexualidade, com liberdade, consciência e responsabilidade;
  • vê a educação sexual como um ato político, ou seja, como uma atitude de engajamento com a transformação social [...][4]

Abordagem Política[editar | editar código-fonte]

Possui as seguintes características:

  • orienta para o resgate do género, do erótico e do prazer na vida das pessoas;
  • ajuda a compreender (ou alerta para a importância de se compreender) como as normas sexuais foram construídas socialmente;
  • considera importante o fornecimento de informações e a autorrepressão;
  • propicia questionamentos filosóficos e ideológicos (ou mostra a importância desses questionamentos);
  • encara a questão sexual com uma questão ligada diretamente ao contexto social, influenciando e sendo influenciada por este;
  • dá ênfase à participação em lutas coletivas para transformações sociais;
  • considera importantes as mudanças de valores, atitudes e preconceitos sexuais do indivíduo para o alcance de sua libertação e realização sexual. Porém, isto é encarado como um meio para se chegar a novos valores sexuais, que possibilitem a vivência de uma sexualidade com liberdade e responsabilidade, em nível não apenas do indivíduo, mas da sociedade como um todo.[4]
Cartazes sobre o aparelho reprodutor humano numa feira em Luang Prabang, no Laos
Commons
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Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Brasil Escola. Disponível em http://www.brasilescola.com/sexualidade/educacao-sexual.htm. Acesso em 20 de novembro de 2015.
  2. BBC Brasil. Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150318_educacao_sexual_mdb. Acesso em 20 de novembro de 2015.
  3. Parâmetros Curriculares Nacionais: Orientação Sexual. p.291
  4. a b c d FIGUEIRÓ, Mary Neide Damico. Educação sexual: retomando uma proposta, um desafio. 2. ed. Londrina: UEL, 2001. 183 pag.


Ver também[editar | editar código-fonte]

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