Tecnologia educacional

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A tecnologia educacional é uma área de estudo que se preocupa com o design de oportunidades de ensino e aprendizagem. É comum associar a área de tecnologia educacional estritamente ao uso de dispositivos mídias na educação, como o livro, o filme ou o computador[1] . Essa perspectiva, mais restrita é usualmente relacionada a informática na educação ou a "...inserção do computador no processo de ensino-aprendizagem de conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades de educação."[2]

No entanto, os profissionais da área e os interessados em tecnologia educacional estão particularmente conectados às práticas do design instrucional e aos estudos sobre performance, que incluem a seleção de mídias como parte das considerações sobre o ensino e aprendizagem. A definição da Association for Educational Communications and Technology (AECT), tradicional grupo ligado a academia norte-americana define a área como:

"A tecnologia educacional é o estudo e prática ética da facilitação do aprendizado e a melhoria da performance através da criação, uso e organização de processos e recursos tecnológicos."[3]

Dispositivos e mídias[editar | editar código-fonte]

A tecnologia educacional não é uma atividade recente se levarmos em conta a inserção de mídias na educação. Desde o começo do registro da palavra escrita, passando ao uso de novas mídias[4] , vemos evidências de discussão sobre o impacto dessas mediações no processo de ensino e aprendizagem. Atualmente tendemos a associar a tecnologia a artefatos eletrônicos como o computador ou o tablet. No entanto, o giz e da lousa, tido como artefatos antiquados (antigamente eram feitas de pedra - ardósia) bem como os livros impressos são tecnologias sofisticadas, largamente utilizadas ao redor do planeta. Um dos grandes desafios para os sistemas de ensino é a reflexão sobre o papel do desenvolvimento tecnológico e seus artefatos e sistemas (atualmente associados às TICs) no ambiente educacional, tais como o papel da internet, da televisão e do rádio que funcionam como meios educativos formais ou informais.

Nos estudos da tecnologia educacional, procura-se pensar em formas adequadas de utilizar os recursos tecnológicos na educação, ou seja, as funções maiores da escola serão enriquecidas com a grandeza das novas fontes de informações e ferramentas tecnológicas modernas preocupando-se com as técnicas e sua adequação às necessidades e à realidade dos educandos, da escola, do professor, da cultura em que a educação está inserida.

Contínuas transformações tecnológicas em todo o mundo vem influenciando as relações sociais. Neste contexto os espaços formais de ensino (escola, universidade) e os espaços não formais tem mais uma vez buscado refletir sobre a influência da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem. Nestes termos, como resultado do avanço das pesquisas em torno do computador e da Internet no final do século XX trouxeram renovado interesse na inserção desses sistemas na educação. A tecnologia educacional deixa de ser encarada como "ferramentas" que tornam mais eficientes e eficazes os processos já sedimentados, passando a ser consideradas como elementos estruturantes de diferentes metodologia. A múltiplas mídias (desde o livro até a Internet) permitem a utilização de diversas linguagens e novas forma de comunicação. É crescente o número de escolas e centros de educação que estão usando ferramentas on-line e colaborativas para aprendizado e busca de informações.

Todas as ferramentas podem ser utilizadas como instrumentos educacionais. Parte da função da tecnologia educacional é avaliar sua integração nas práticas educativas de modo a promover um momento de ensino-aprendizagem que seja coeso.

A perspectiva pedagógica[editar | editar código-fonte]

O educador tem papel primordial na avaliação e seleção de mídias e ferramentas para uso no ensino, independente da perspectiva pedagógica na qual se baseia. Para alguns, a tecnologia educacional pode ser pensada para facilitar a "assimilação" do conhecimento; para outros como um mediador na construção de estruturas mentais; ainda para outros como uma "ferramenta cognitiva"[5] que funciona como um mediador do processo de aprendizagem. Na mídia popular, o dispositivo é muitas vezes apenas pensado como um "motivador" ou estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a informação mais relevante.

Histórico no Brasil[editar | editar código-fonte]

Nas décadas de 1950 e 1960, a tecnologia educacional se integrou aos estudos vigentes em psicologia educacional, o que gerou grande interesse por CAI (instrução facilitada pelo computador). Em 1971, foi realizado, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um seminário sobre o uso computadores no ensino de Física bem como a I Conferência Nacional de Tecnologia em Educação Aplicada ao Ensino Superior (I CONTECE) no Rio de Janeiro. Outras experiências surgiram como o uso de software para simulação no ensino de química na Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1973. As experiências culminaram no primeiro grande projeto de escopo nacional, o projeto EDUCOM no início dos anos 80 em cinco universidades brasileiras (UFMG, UFRGS, UFPE, UNICAMP e UFRJ). O projeto teve como objetivo articular os estudos desenvolvidos na universidade, que agiriam em consórcio, realizando de projetos em parcerias com escolas[2] .

Projetos recentes relevantes[editar | editar código-fonte]

  • Programa Nacional de Tecnologia Educacional ou ProInfo - É um programa "educacional com o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica"[6] , em articulação com os estados e municípios. Foi criado em 1997 pela portaria 522 do Ministério da Educação. Na sua primeira fase teve como enfoque a instalação de computadores, com conexão a Internet nas escolas bem como a formação de professores. A partir do Decreto 6300 de 2007, o programa se expande, promovendo a criação de laboratórios de informática e fomentando a produção de recursos digitais[7] .
  • Um Computador por Aluno ou UCA - Partindo da influência da proposta do OLPC, iniciou-se no Brasil um projeto centrado na distribuição de laptops para alunos em escolas públicas. No projeto foram incluídas propostas para formação para professores com o envolvimento de instituições de ensino superior do país além da implantação de infraestrutura[8] . Um pré-piloto foi realizado em cinco escolas em diferentes estados. Nessa fase foram experimentadas diferentes modelos (Mobilis, Classmate e XO), todos utilizando alguma distriuição do sistema operacional livre Linux[9] . A segunda fase, ou piloto[10] , iniciou-se em 2010, com a meta distribuir 150.000 computadores portáteis. Nesta fase a escolha recaiu sobre o Classmate (representado pelo consórcio de empresas CCE/Digibras/Metasys). Expandiu-se o raio de ação para 300 escolas ao redor do país. Ademais, seis cidades receberam laptops para todas as suas escolas públicas, sendo chamadas de “UCA-Total”. A terceira fase do UCA teve como meta a expansão vislumbrando a compra de 600 mil laptops. Foi realizada através de uma de ata de registro de preços pelo governo federal, para que a compra dos laptops fosse efetuado pelos estados e municípios interessados. O projeto hoje se encontra em uma situação ambígua, com limitado apoio do governo[11] . Na falta de investimento em uma avaliação sistemática dos resultados, torna-se difícil avaliar a fidelidade da implementação e a qualidade do projeto como um todo. Alguns estudos e análises abrangentes apontam problemas já conhecidos em projetos envolvendo a utilização de computadores em escolas, incluindo limitada infra-estrutura, manutenção e formação docente[12] . Outros, focados em estudos de caso, apontam mudanças de práticas e interessantes projetos desenvolvidos em interação com o laptop[13] .
  • Tablets - Atualmente o projeto ProUCA concentra-se na distribuição de tablets para professores. O processo se iniciou em 2011 com um pregão (FNDE 081/2011) para registro de preços para 900.000 tablets em dois modelos - um com tela maior e outro com tela menor. O pregão foi realizado em quatro lotes, sendo que as empresas Positivo (3 lotes) e Digibras (1 lote) vencerão. Os estados e municípios poderiam adquirir os equipamentos que forma distribuídos a partir de 2013.

Uma série de outros projetos relacionados foram desenvolvidos no âmbito dos municípios e dos estados por iniciativa pública, privada ou em parceria envolvendo os mais variados dispositivos e modelos de projetos.

  • Introdução de jogos para facilitar o ensino: O desenvolvimento de jogos é uma área que se desenvolve cada vez mais nos dias atuais, mas esse desenvolvimento não só aparece como uma forma de entretenimento lúdica, mas também como um artifício colocado em sala de aula para prender a atenção do aluno e facilitar seu aprendizado. Está se tornando cada vez mais comum o uso de Softwares educacionais para ajudar no ensino nas salas de aula.

Dados sobre tecnologia e educação no Brasil[editar | editar código-fonte]

De acordo com o último levantamento sobre o ensino básico do TIC & Educação (2013)[14] conduzido pelo CETIC.br:

  • 95% das escolas da rede pública, e 99% da rede privada tem acesso a Internet, sendo que a velocidade da conexão ainda é baixa para a maioria das escolas públicas (52%, 2Mbps);
  • 98% dos professores indicam ter computador em casa. Destes, a quase totalidade dos computadores de mesa (99%) utilizam o sistema operacional Windows, com pequena representação de Linux (3%, considerando que mais de uma máquina pode estar presente no domicílio); Para computadores portáteis a proporação é pouco menor (95% para Windows);
  • 96% dos professores indicam ter acesso a internet em casa.

Uso da internet nas escolas: Por ser um meio onde o aluno tem acesso a um contingente muito grande de informações de uma maneira rápida e confortável, a internet vem sendo nos últimos anos integrada ao ensino como uma maneira onde os alunos e os professores teriam acessos a novas culturas, realidades, em todo o mundo, desenvolvendo seus conhecimentos. Em alguns países sua implantação nas escolas já apresenta um número bastante significativo:

No mundo: Na Europa os NREN (National Research and Education Network) chegam a atender um percentual de 80% a 100% das escolas de ensino superior em países como França, Inglaterra, Espanha. Quando se fala em ensino secundário, esse percentual chega a cair para menos de 10% nesses mesmos países citados antes.

Os benefícios e os problemas encontrados pela tecnologia na educação[editar | editar código-fonte]

O crescimento tecnológico trouxe junto com ele novos artifícios e métodos tecnológicos utilizados para o desenvolvimento e aprimoramento dos métodos educacionais utilizados hoje em dia. A utilização da internet, tablets e jogos para facilitar a assimilação dos alunos sobre determinado tipo de assunto ou a criação de sistemas computacionais para a análise do desenvolvimento de uma sala de aula em relação a seu nível de aprendizagem, são alguns exemplos do uso dessas novas tecnologias na educação.

O modelo educacional atual foi construído devido ao desenvolvimento de modelos anteriores. Esse desenvolvimento passou pelo modelo clássico Greco-romano que utilizava a disciplina para a construção de um cidadão ideal, predeterminado e pregava o amor à sabedoria, pela era do iluminismo onde se iniciou um modelo antropológico-social e onde existiria uma propagação da educação entre todas as camadas sociais, chegando ao modelo do século XXI e atual, onde a educação propicia a construção de uma pessoa apta a ajudar na evolução da sociedade.

Com a disseminação da internet na década de 90 e o aumento no desenvolvimento de novas tecnologias, o uso de ferramentas tecnológicas passou a ser muito cogitado no meio educacional.

Relação com o ensino a distância[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento de softwares com sistematização de ensino virtual: Existe a criação e o aprimoramento de Ambientes virtuais de aprendizagem, que são softwares que auxiliam na aplicação do modelo de ensino. São elaborados para auxiliar os professores no ambiente de ensino, através do gerenciamento dos conteúdos, do seu curso e dos alunos, permitindo acompanhar o progresso deles constantemente. Modelos que utilizam tele-aulas que vão de assuntos iniciais como soma e subtração até assuntos mais complexos como cálculo numérico, derivadas, integrais, alem de possuir também uma variação muito grande de matérias, geografia, biologia, história entre outras, onde o aluno assiste às aulas pela TV e praticam o que foi aprendido em materiais com exercícios. Esse sistema de teleaulas é um exemplo do modelo de EaD. Existe ainda outro auxílio tecnológico, que é um método educacional muito interessante e também faz uso da EaD, proposto pela Khan Academy onde os alunos acessam seu site e podem fazer uso de uma videoteca com mais de 3200 vídeos, com uma grande variedade de conteúdos que vão de assuntos iniciais como soma e subtração até assuntos mais complexos como cálculo numérico, derivadas, integrais, alem de possuir também uma variação muito grande de matérias, geografia, biologia, história entre outras. Possui também desafios interativos, e avaliações a partir de qualquer computador com acesso a web. Nesse sistema, os país e professores podem verificar o progresso de seus alunos ou filhos através de relatórios em tempo real, com estatísticas deles, matérias aprendidas e comparativos com outros alunos. É um método que emprega o aprendizado de cada aluno no seu ritmo, onde muitas vezes em uma sala de aula isso não ocorre, pois o aluno tem que seguir o ritmo de seus colegas. Isso faz com que o conhecimento seja construído e não apenas transferido e imposto pelo professor, faz com que o aluno tenha o controle nessa construção e assim possa ele guiar da melhor forma que seja para ele.

As gerações atuais, já inseridas nessa cultura tecnológica, de modo geral,lidam facilmente com esses avanços. Entretanto, é necessário que se desenvolvam habilidades cada vez mais refinadas e especificas para destacarem-se no mundo do trabalho, o qual também está com forte influência da tecnologia. Por isso, é essencial estar apto a lidar com a informática e, principalmente, conhecer a abrangência de recursos que ele fornece ao usuário. Indicamos algumas dentre diversas possibilidades de utilização do computador na abordagem de temas matemáticos. Sugerimos o trabalho com programas computacionais direcionados que contribuem para a visualização e verificação de propriedades e auxiliam na resolução de problemas, uma vez que permitem construções e efeitos pouco viáveis ou impossíveis de serem realizados apenas com lápis, papel e instrumentos de medição e desenho. Para você conhecer e explorar o uso de tais recursos computacionais e experimentar procurando tornar o estudo mais interessante e dinâmico. -- Winstats - é um programa gratuito que permite o tratamento de dados estatístico, realizando cálculos de medidas estatísticas e obtendo diversos tipos de gráficos, estudos de probabilidade.

Problemas para implementação[editar | editar código-fonte]

Estas tecnologias tentam ajudar a metodologia atual, mas ainda encontram problemas em sua fundamentação. Alguns exemplos dessas dificuldades são:

  • Problema na disponibilidade de conteúdo: Muitas editoras ainda não possuem a disponibilização de seus livros para Tablets devido a problemas com direitos autorais, onde escritores ou até mesmo editoras não aceitam divulgar suas publicações de forma gratuita. Devido isso sistemas como o citado anteriormente, onde seria criado um acervo bibliotecário virtual mundial encontra problemas para torna-se completa a sua realização;
  • Preparo dos professores: A maioria dos professores, não possuem ainda preparo para utilização das tecnologias digitais, não conseguindo por enquanto explorar de uma maneira eficiente o uso de dispositivos tecnológicos como os tablets, ou de novas metodologias de ensino, como a Educação a Distância, por exemplo.
  • Incerteza: Ainda não existem argumentos, nem provas necessárias que provem que essas novas metodologias aplicadas por essas tecnologias sejam realmente eficientes e esse se torna o maior problema enfrentado, a desconfiança de introduzir algo novo em um modelo tradicional e que teoricamente sempre deu certo, faz com que o uso da tecnologia de maneira mais efetiva na educação seja introduzido com cautela e devagar.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Portal A Wikipédia possui o portal:
  1. Amiel, Tel; Sergio Amaral. . "Nativos e Imigrantes: Questionando a Fluência Tecnológica de Alunos e Professores". Revista Brasileira de Informática na Educação. Visitado em 2015.
  2. a b José Armando, Valente. O computador na sociedade do conhecimento. [S.l.: s.n.], 1999.
  3. Hlynka, Denis; Michele Jacobsen. . "[http://www.cjlt.ca/index.php/cjlt/article/view/527/260 What is educational technology, anyway? A commentary on the new AECT definition of the field]". Canadian Journal of Learning and Technology. Visitado em 2015.
  4. Lev, Manovich. The language of new media. [S.l.: s.n.], 2001. ISBN 000-0262632551
  5. Kim, Beaumie; Thomas C. Reeves. . "Reframing research on learning with technology: in search of the meaning of cognitive tools". Instructional Science.
  6. MEC. Proinfo - Apresentação. Visitado em 23 de julho 2015.
  7. Martins, Ronei Ximenes; Vânia de Fátima Flores. . "A implantação do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo): revelações de pesquisas realizadas no Brasil entre 2007 e 2011". Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. DOI:10.1590/S2176-6681/330812273. Visitado em 23 de junho de 2015.
  8. Cornils, Patrícias. . "Um computador por aluno. Quando? Onde? Como?". ARede. Visitado em 20 de junho de 2012.
  9. Paulo Henrique, Lutosa. Um computador por aluno: A experiência brasileira. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 978-85-736-5536-0
  10. Concretizada através de pregão eletrônico - Edital no 59/2007.
  11. Luiz Queiroz (2015). UCA: MEC não tem ideia de quantos laptops escolares ainda funcionam Convergência Digital. Visitado em 23 de junho de 2015.
  12. Lavinas, Lena; Alinne Veiga. . "Desafios do modelo de inclusão digita pela escola". Cadernos de Pesquisa. Visitado em 24 de junho de 2015.
  13. Valente, José Armando. ABInv Aprendizagem Baseada na Investigação. [S.l.: s.n.], 2014. ISBN 978-85-88833-09-8
  14. CETIC.br. TIC & Educação 2013. [S.l.: s.n.], 2014. ISBN 978-85-60062-86-7