Colégios Militares do Brasil

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O Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB) é formado por treze colégios militares. Encontra-se sob o controle da Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial, por sua vez subordinada ao Departamento de Educação e Cultura do Exército - DECEX (anteriormente Departamento de Ensino e Pesquisa - DEP). O SCMB é um subsistema de ensino do Exército Brasileiro. Seu objetivo é promover grande parte da Educação Básica (Ensino Fundamental II e Médio). Seu corpo discente é formado por dependentes de militares, que sofrem os reflexos das obrigações profissionais dos pais em razão das peculiaridades da carreira, e são atendidos de forma preparatória e assistencial, regida por regulamento próprio, e por alunos que prestaram concurso público. Os concursos são realizados, anualmente, para o 6º ano do ensino fundamental e para a 1ª série do ensino médio. A cada ano, concorrem, em média, 22 mil candidatos, entre dependentes de militares e civis.[1]

O Sistema Colégio Militar do Brasil atende atualmente a cerca de 14.500 alunos de ambos os sexos.

Composição[editar | editar código-fonte]

Atualmente o sistema é composto pelos seguintes estabelecimentos de ensino:

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Entrada do Colégio Militar do Rio de Janeiro
  • 1889 (6 de maio) - criação do Imperial Colégio Militar pelo decreto 10.202; no mesmo ano, após a Proclamação da República, passou a ser denominado Colégio Militar do Rio de Janeiro
  • 1912 - Criação dos Colégios Militares de Porto Alegre e Barbacena
  • 1925 - Extinção do Colégio Militar de Barbacena
  • 1938 - Fechamento dos Colégios Militares de Porto Alegre e do Ceará
  • 1955 - Criação do Colégio Militar de Belo Horizonte
  • 1957 - Criação do Colégio Militar de Salvador
  • 1958 - Criação do Colégio Militar de Curitiba
  • 1959 - Criação do Colégio Militar de Recife
  • 1962 - Reabertura dos Colégios Militares de Porto Alegre e Fortaleza (antigo Colégio Militar do Ceará)
  • 1971 - Criação do Colégio Militar de Manaus
  • 1978 - Criação do Colégio Militar de Brasília
  • 1988 - Fechamento dos Colégios Militares de Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Recife
  • 1989 - As jovens do sexo feminino passam a ser aceitas nos Colégios Militares.
  • 1993 - Reabertura dos Colégios Militares de Salvador, Belo Horizonte e Recife e criação dos Colégios Militares de Campo Grande e Juiz de Fora.
  • 1993 - A Fundação Osório passa fazer parte do Sistema Colégio Militar do Brasil.
  • 1994 - Criação do Colégio Militar de Santa Maria.
  • 1995 - Reabertura do Colégio Militar de Curitiba.
  • 2015 - Criação do Colégio Militar de Belém

Corpo Docente[editar | editar código-fonte]

Professor ministrando aula no CMRJ.

O corpo docente permanente dos colégios é composto por professores civis e militares que juntos integram o Magistério do Exército. Os militares fazem parte do Quadro Complementar de Oficiais do Magistério (QCO). São profissionais licenciados por universidades civis que após a conclusão da graduação prestaram concurso público para ingressarem como oficiais de carreira do Exército Brasileiro.

Há ainda professores temporários que ministram aula nos colégios militares. Estes profissionais são divididos em dois grupos principais: Os Oficiais Técnico Temporários (OTT) e os Prestadores de Tarefa por Tempo Certo (PTTC). Ainda há grupos de baixa percentagem como os professores em comissão.

Uniformes dos colégios militares[editar | editar código-fonte]

Desfile dos alunos em Salvador (Bahia) com o Uniforme de Gala (1ªA/CM).

Os uniformes utilizados nos Colégios Militares são:

Uniforme de Gala[2]
  • Uniforme de Gala (1ªA/CM) é o uniforme utilizado em ocasiões e datas especiais. Utilizado regularmente nas atividades cívico-militares ao início e ao final do ano letivo, além dos aniversários de fundação de cada colégio e no dia da Independência do Brasil (7 de Setembro). O uniforme é composto por:
  • Túnica ou jaqueta branca;
  • Calça ou saia garança (para meninas, com meia calça branca);
  • Sapatos pretos ou coturno; e
  • Boina.

(Quando utilizado em Guarda de Honra usa-se barretina, charlateiras e polainas).

Uniforme Garança[2]
  • Uniforme Garança é utilizado em ocasiões especiais, porém um pouco mais casuais, que não requerem o uso do uniforme de Gala. Normalmente, visita de altos oficiais. O uniforme é composto por:
  • Camisa cáqui;[2]
  • Calça ou Saia Garança (para meninas, com meia-calça branca);
  • Sapatos pretos ou coturno; e
  • Boina.
Alunos do Colégio Militar do Rio de Janeiro e da Fundação Osório em frente ao busto do Marechal Trompowsky patrono do Magistério do Exército.
Uniforme Diário[2]
  • Uniforme diário é o uniforme utilizado diariamente nas atividades regulares dos Colégios Militares. É composto por:
  • Camisa cáqui;
  • Calça ou saia cáqui;
  • Sapatos pretos ou coturno; e
  • Boina.

Abrigos desportivos[editar | editar código-fonte]

  • Eventualmente, podem ser encontrados em alguns CMs os abrigos desportivos, geralmente substituindo o diário em dias que há Ed. Física, quando o aluno permanece em horário contra-turno no colégio ou quando há passeios ou viagens externas ao colégio. É o único traje diferente entre os colégios militares.
  • Calça (cor variada);
  • Camisa (cor variada);
  • Tênis (geralmente preto); e
  • Jaqueta (cor variada).

Obs: embora não previstos na lista oficial de uniformes dos CMs, os abrigos podem sim ser utilizados, sob forma de concessão do comando aos alunos.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Entre 2010 e 2013 foram denunciados uma série de casos de abusos sexuais em colégios militares de crianças e adolescentes. O pai de uma aluna que foi abusada no Colégio Tiradentes de Montes Claros disse que dentre um professor de Educação Física, "um vice-diretor da instituição conhecido pelo nome de Cássio também aliciou diversas estudantes na escola, mas já foi excluído do educandário. Há informações também de que um sargento da PM, que trabalhava na escola, usava do poder de polícia para aliciar as adolescentes (...) possivelmente existe uma rede de pedofilia na instituição militar, onde diversos funcionários faziam de conta que nada de anormal estava acontecendo." Na mesma rede de colégios, porém em SantoÂngelo, no Rio Grande do Sul, o pai de uma aluna de 15 anos disse que "Ela estava sendo assediada dentro do Colégio Tiradentes por um sargento (...) os abusos ocorreram em pelo menos cinco ocasiões. Os atos de violência aconteceram dentro e fora da instituição". [3]

Um soldado da PM denunciou que seu filho de 12 anos, estudante do Colégio Militar de São Paulo, era abusado sexualmente por um inspetor escolar que não estava registrado na Polícia Militar. O pai do aluno questionou: "São 10 mil alunos nos colégios da PM. Quem garante que isso é um caso isolado, que nunca aconteceu? A criança fica constrangida a denunciar."[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Exército do Governo. Ingresso - Colégios Militares Página visitada em 19 de novembro de 2012
  2. a b c d Colégio do Vagão. Uniformes Página visitada em 19 de novembro de 2012
  3. a b Redação (8 de julho de 2015). «Assédio e o abuso sexual em Colégios Militares». DMRevista. Consultado em 17 de outubro de 2017