Ativo, passivo e versátil

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Em sexualidade humana, ativos, passivos e versáteis são posições sexuais ou funções durante a atividade sexual, especialmente entre homens. Um ativo é geralmente uma pessoa que penetra, um passivo é geralmente aquele que recebe a penetração, e alguém que é versátil se envolve em uma ou em ambas as funções. Estes termos podem ser elementos de auto-identidade que indicam um indivíduo, de costume, de preferência e hábitos, mas também pode descrever mais amplo do que as identidades sexuais e de papéis sociais.[1]

No Brasil, há também o uso de gouinage, sendo gouine quem desejar sexo sem penetração, semelhante a g0y.[2][3][4][5]

Ativo(a)[editar | editar código-fonte]

Pintura homoerótica do século 19 retratando Adriano "comendo" Antínoo (detalhe), de Paul Avril
Ver artigo principal: Ativo (relação sexual)

Um ativo geralmente é uma pessoa que desempenha o papel de penetração durante a atividade sexual; para homens que fazem sexo com homens (HSH), isso geralmente envolve penetração usando o pênis durante o sexo anal ou oral.[1] Top também é usado como verbo que significa "penetrar no outro" em inglês. Ativo também pode descrever uma identidade pessoal mais ampla envolvendo domínio em um relacionamento romântico ou sexual; no entanto, essa estipulação não é um elemento necessário para ser um top.

Existem vários termos relacionados. No que diz respeito à sexualidade gay masculina, um total top é aquele que assume um papel exclusivamente penetrativo para o sexo.[6] Um power top é aquele conhecido por sua grande habilidade ou agressividade no topping. Um service top é "aquele que faz o topo sob a direção de um fundo ansioso".[7] Um versátil ativo é aquele que prefere ser ativo, mas que coloca o fundo ocasionalmente.[8] Os termos penetrative partner [9] ou giver são sinônimos de top, criados para descrever o ato de penetrar sem implicar em relações não igualitárias entre os participantes. 

Trevor Hart, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, descobriu que os tops autoidentificados eram mais propensos a atuar como parceiro penetrante em outras atividades sexuais (além da relação anal), incluindo sexo oral e brinquedos sexuais .[10]

Passividade[editar | editar código-fonte]

O homem à direita é o "ativo" e o homem à esquerda é o "passivo"
Ver artigo principal: Passivo (relação sexual)

O passivo ou passível geralmente é o parceiro receptivo durante a penetração sexual. Isso frequentemente se refere aos HSH que são penetrados pelo ânus durante o sexo anal.[1] Bottom também é usado como um verbo que significa "ser penetrado por outro, seja anal ou oralmente". Bottom também pode descrever um contexto social mais amplo de submissão dentro de um relacionamento romântico ou sexual, embora este elemento não se aplique a todas as pessoas que preferem o bottom.

Na sexualidade gay masculina, um bottom total ou passivo radical (comumente abreviado a radpas/s) é alguém que assume um papel exclusivamente receptivo durante a relação anal ou oral. Um "power bottom é alguém que gosta de ser agressivamente o parceiro receptivo. Um passivo versátil é aquele que prefere ser passivo, mas ocasionalmente é ativo.[11] O termo receiver ou receptive partner pode ser preferido por alguns. O bottom oral é o parceiro exclusivamente receptivo no sexo oral, fornecendo ao parceiro penetrativo, ou top oral, felação e irrumatio não correspondidas .

Versatilidade[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Versátil (relação sexual)

Versátil, também chamado de relativo, se refere a uma pessoa que gosta tanto de topping quanto de bottoming, ou de ser dominante e submissa (switch), e pode alternar entre os dois em situações sexuais.[1][12][13] Flip-flop ou flip fuck (troca-troca) comumente descrevem a mudança de cima para baixo durante um encontro sexual entre dois homens.[14] Cada participante penetra no outro e é penetrado por sua vez.

Versatilidade é um conceito de estilo de vida .[15] A versatilidade, porém, não se limita aos simples atos de penetração anal, oral ou vaginal, mas também inclui a divisão de deveres e responsabilidades no relacionamento.[16]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Steven Gregory Underwood (2003). Gay men and anal eroticism: tops, bottoms, and versatiles. Psychology Press. [S.l.: s.n.] ISBN 1-56023-375-3 
  2. Fontes, Beatriz (6 de dezembro de 2016). «Gouine: conheça o que é gouinage e quem são os gouines - Home - iG». iGay. Consultado em 15 de novembro de 2020 
  3. «Nem ativos nem passivos: conheça os 'gouines', gays que não curtem penetração». www.bol.uol.com.br. Consultado em 15 de novembro de 2020 
  4. «Gouinage: conheça a técnica que dá prazer sem penetração!». Mulheres Bem Resolvidas. 7 de agosto de 2020. Consultado em 15 de novembro de 2020 
  5. «Conheça o gouinage, uma técnica para obter prazer sem penetração». Metrópoles. 24 de fevereiro de 2018. Consultado em 15 de novembro de 2020 
  6. Gremore, Graham (4 de maio de 2015). «What Do You Do When Your Total Top Boyfriend Refuses To Bottom?». Queerty. Consultado em 24 julho de 2015 
  7. Rodriguez, Carissa. «It's Symptomatic». Document Journal. Consultado em 5 de setembro de 2015 
  8. Versatile Top. Gaylife.about.com (2012-01-01). Retrieved on 2012-01-09.
  9. Peter M. Davies; Ford C. I. Hickson; Peter Weatherburn; Andrew J. Hunt (31 de outubro de 2013). Sex Gay Men & AIDS. Routledge. [S.l.: s.n.] ISBN 978-1-135-72249-4 
  10. Bering, Jesse. «Top Scientists Get to the Bottom of Gay Male Sex Role Preferences». Scientific American. Consultado em 20 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 19 de março de 2011 
  11. Versatile Bottom. Gaylife.about.com (2012-01-01). Retrieved on 2012-01-09.
  12. Goodreau, SM; Peinado, J; Goicochea, P; Vergara, J; Ojeda, N; Casapia, M; Ortiz, A; Zamalloa, V; et al. (2007). «Role versatility among men who have sex with men in urban Peru». Journal of Sex Research. 44: 233–9. PMID 17879166. doi:10.1080/00224490701443676 
  13. "Männer, die sowohl passiven als auch aktiven Analsex praktizieren, nennt man versatile." Georg Pfau, Präventionsmedizin für den Mann, Linz 2009
  14. Michael D. Smith, David W. Seal; Seal (2008). «Motivational Influences on the Safer Sex Behavior of Agency-based Male Sex Workers». Archives of Sexual Behavior. 37: 845–53. PMC 5454495Acessível livremente. PMID 18288599. doi:10.1007/s10508-008-9341-1 
  15. Levine, Martin P.; Kimmel, Michael S. (1998). Gay Macho: The Life and Death of the homosexual Clone. New York University Press. New York: [s.n.] 
  16. Jay, Karla; Young, Allen (1979). The gay report: Lesbians and gay men speak out about sexual experiences and lifestyles. Summit. New York: [s.n.] ISBN 0-671-40013-4