Boris Godunov

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Boris
Czar da Rússia
Reinado 21 de fevereiro de 1598
a 23 de abril de 1605
Coroação 1 de setembro de 1598
Antecessor(a) Teodoro I
Sucessor(a) Teodoro II
 
Esposa Maria Skuratova-Belskaia
Descendência Teodoro II da Rússia
Xenia Borisovna da Rússia
Casa Godunov
Nome completo
Boris Feodorovich Godunov
Nascimento c. 1551
Morte 23 de abril de 1605 (54 anos)
  Moscou, Rússia
Enterro Mosteiro da Trindade-São Sérgio, Serguiev Possad, Rússia
Pai Teodoro Godunov
Mãe Stepanida Ivanovna

Boris Feodorovich Godunov (c. 155123 de abril de 1605) foi o Czar da Rússia de 1598 até sua morte, tendo antes disso servido como regente a partir de 1585 até sua ascensão. Era filho de Teodoro Godunov e Stepanida Ivanovna, tendo sido o primeiro monarca russo que não pertencia à Casa de Rurique

Vida na Corte[editar | editar código-fonte]

Membro de uma antiga família russa de origem tártara, serviu na guarda pessoal (oprichnik) de Ivan IV. Godunov, por volta de 1571, reforçou sua posição na corte por seu casamento com Maria Grigorievna Skuratova-Belskaya, filha de Malyuta Skuratov-Belskiy, chefe dos oprichniks.

Em 1580, o czar escolheu Irina Godunova, irmã de Boris Godunov para ser esposa de seu segundo filho e eventual herdeiro, Feodor Ivanovich (1557-1598), de 14 anos de idade. Nesta ocasião, Godunov foi elevado à dignidade de boiardo.

Em 15 de novembro de 1581, Godunov estava presente quando o czar assassinou seu próprio primogênito, o príncipe herdeiro Ivan. Godunov tentou intervir, mas recebeu golpes do cetro do czar. Ivan IV imediatamente se arrependeu e Godunov correu para obter ajuda para o czarevich, que morreu quatro dias depois.

Regência[editar | editar código-fonte]

Três anos depois, em seu leito de morte, Ivan IV nomeou um conselho composto por Godunov, Feodor Nikitich Romanov, Vasili Shuiski e outros para guiar seu filho e sucessor da Rússia, Feodor I, considerado fraco em mente e em corpo para o encargo.

Ivan possuía ainda outro filho mais novo, Demétrio Ivanovich (1581-1591), de três anos, de seu sétimo e último casamento, porém a Igreja Ortodoxa considerara legítimo apenas os seus primeiros três casamentos, o que excluía o Demétrio do direito de sucessão ao trono.

Logo após a morte de Ivan IV, o Conselho transladou Demétrio e sua mãe, Maria Nagaya, para Uglich, a cerca de 120 milhas a norte de Moscou, onde Demétrio veio a morrer em 1591 com dez anos de idade.

Quando a morte de Dmitri foi anunciada pelo sino da igreja, o povo de Uglich levantou-se em protesto contra o que eles suspeitavam ter sido um assassinato encomendado por Boris Godunov. As tropas enviadas pelo Conselho rapidamente reprimiram a rebelião, e os revoltosos sobreviventes foram enviados à Sibéria.

Uma comissão oficial liderada por Vasili Shuiski foi enviada para determinar a causa da morte. O veredicto oficial indicou que o menino se asfixiara durante uma crise epiléptica. A viúva de Ivan afirmou que seu filho havia sido assassinado por agentes de Godunov. A culpa de Godunov nunca foi comprovada e, logo depois, a mãe de Dmitri foi forçada a fazer votos num monastério.

Na coroação de Feodor Ivanovich como Czar Feodor I, em 31 de maio de 1584, Boris recebeu honras e riquezas como membro do conselho de regência, no qual ele ocupou o segundo lugar durante a vida de Nikita Romanovich, tio do czar. Quando Nikita morreu em 1586, Boris passou a controlar completamente a regência.

Uma conspiração de alguns boiardos e Dionísio II, Metropólita de Moscou, procurou quebrar o poder de Boris promovendo o divórcio do czar com a irmã de Godunov, visto que o casamento não gerara filhos. A tentativa não teve êxito, e os conspiradores foram banidos ou enviados para mosteiros. Godunov manteve sua supremacia no governo.

Sua política foi geralmente pacífica e prudente. Derrotou em 1590 um exército tártaro que investiu contra Moscou, pelo qual recebeu o título de Konyushy (mestre equestre), uma dignidade ainda maior que a de boiardo. Também apoiou uma facção anti-turca na Criméia e deu subsídios ao imperador em sua guerra contra o sultão. Em 1595, recuperou da Suécia, algumas cidades perdidas durante o antigo reinado (Guerra Russo-Sueca de 1590 a 1595).

Neste período a Igreja Ortodoxa Russa recebeu seu patriarcado, colocando-o em pé de igualdade com as antigas igrejas orientais e liberando-se da influência de Constantinopla, o que agradou ao czar Feodor I que muito se interessava por assuntos religiosos.

Internamente, a medida de maior impacto do governo foi um edito de 1597 que proibiu os camponeses de se transferirem de um feudatário para outro (até então tinham sido livres para fazê-lo todos os anos em torno do dia de São Jorge em novembro). Vinculados à propriedade da terra, esta ordenança levou à instituição da servidão que vigoraria até meados do século XIX.

Ascenção ao Trono e Morte[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Teodoro I, em 7 de janeiro de 1598, sem deixar herdeiros diretos, Boris apoderou-se do trono, tendo sua eleição proposta pelo Patriarca de Moscou ao Zemsky Sobor (assembléia nacional), que se reuniu a 17 de fevereiro e o elegeu quatro dias depois.

Boris Godunov foi solenemente coroado de czar em 1º de setembro. O início de seu reinado foi próspero e direcionado à uma aproximação cultural e diplomática com os demais países europeus.

Sua ação política foi obstruída a partir de 1600, com o aparecimento de um impostor que afirmava ser Demétrio, o filho assassinado de Ivan IV. Contando com o apoio velado de nobres polaco-lituanos, o Falso-Demétrio conseguiu amplo apoio da população camponesa e de alguns boiardos descontentes.

A instabilidade ganha corpo, Boris acaba acusado de usurpação do trono e tem início uma guerra civil.

Doente e politicamente isolado; Boris Godunov morreu em abril de 1605, em decorrência de um acidente vascular cerebral; quando a guerra civil em curso ainda estava indecisa, sendo sucedido no trono por seu filho, Teodoro II, o qual veio a ser assassinado pouco depois de sua ascensão, abrindo caminho para coroação do príncipe impostor naquele mesmo ano.

O Falso-Demétrio também teve um reinado curto, associado aos tradicionais rivais poloneses, foi derrubado e morto em maio de 1606 por uma insurreição liderada pelo príncipe Vasili Shuisky, chefe dos boiardos sublevados, o qual tomou o trono para si, sendo coroado czar Vassili IV.

Vida Familiar[editar | editar código-fonte]

Boris Godunov casou-se com Maria Grigorievna Skuratova-Belskaya (c.1552-1605), o casal teve três filhos:

• Boris (1587-1588).

• Xênia (1582-1622), a qual chegou a ser noiva de Johann de Schleswig-Holstein, porém o noivo morreu em 1602 pouco antes do casamento. Após a morte de seu irmão, foi forçada a fazer votos monásticos, tomando o nome de Olga.

• Fiodor (1589-1605), que veio a ser coroado czar Teodoro II, sendo morto juntamente com sua mãe, durante o golpe palaciano que abriu caminho para a coroação de Demétrio I. Boris, sua esposa e seus filhos estão enterrados num mausoléu junto à entrada da Catedral da Assunção no mosteiro da Trindade de São Sérgio.

Legado[editar | editar código-fonte]

Boris Godunov foi o primeiro monarca após o desaparecimento do ramo direto da casa Rurik, e dirigiu seus esforços para uma aproximação cultural e diplomática como o ocidente, sendo neste quesito um precursor das políticas postas em prática pelo czar Pedro, o Grande, um século mais tarde.

Godunov promoveu reformas educacionais, sendo o primeiro czar a trazer professores estrangeiros em grande escala, além de enviar jovens russos para serem educados no exterior. Também foi o primeiro monarca a permitir a construção de igrejas luteranas na Rússia.

Quanto a outros aspectos sociais, seu decreto de 1597, quando era ainda regente de Teodoro I, reforçou os aspectos feudais da sociedade russa, submetendo os camponeses ao regime de plena servidão, o que levou a uma crescente insatisfação por parte das camadas populares, que veio a servir de combustível às pretensões políticas de seus inimigos. A persistência do regime de servidão, foi a longo prazo, um dos fatores preponderantes do atraso social russo em relação aos demais países europeus, até a sua abolição em 1861, pela reforma agrária instituída pelo czar Alexandre II.

Após tornar-se czar, Godunov não conseguiu conter a instabilidade política crescente, que resultou no interregno conhecido como “Tempo das Dificuldades”, caracterizado por sucessivos conflitos internos verificados entre a extinção da Casa Rurik (1598) e a ascensão da dinastia Romanov (1613).

Posteridade[editar | editar código-fonte]

A vida de Boris foi dramatizada por Alexander Pushkin, em sua peça Boris Godunov, de 1831; inspirada no Henrique IV de Shakespeare.

O compositor russo Modeste Mussorgsky baseou sua célebre ópera “Boris Godunov” de 1874 no drama de Pushkin.

Outro famoso compositor russo, Sergei Prokofiev escreveu uma música incidental para o drama de Pushkin.em 1936.


Boris da Rússia
Casa de Godunov
c. 1551 – 23 de abril de 1605
Precedido por
Teodoro I
COA by Ivan IV of Russia 1577.png
Czar da Rússia
21 de fevereiro de 1598 – 23 de abril de 1605
Sucedido por
Teodoro II