Aleixo da Rússia

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Aleixo
Czar da Rússia
Reinado 12 de julho de 1645
a 8 de fevereiro de 1676
Coroação 29 de setembro de 1645
Antecessor(a) Miguel I
Sucessor(a) Teodoro III
 
Esposas Maria Miloslavskaia
Natália Naryshkina
Descendência Ievdokia Alexeievna da Rússia
Marta Alexeievna da Rússia
Aleixo Alexeievich da Rússia
Sofia Alexeievna da Rússia
Catarina Alexeievna da Rússia
Maria Alexeievna da Rússia
Teodoro III da Rússia
Teodora Alexeievna da Rússia
Ivan V da Rússia
Pedro I da Rússia
Natália Alexeievna da Rússia
Casa Romanov
Nome completo
Aleixo Mikhailovich Romanov
Nascimento 29 de março de 1629
  Moscou, Rússia
Morte 8 de fevereiro de 1676 (46 anos)
  Moscou, Rússia
Enterro Catedral do Arcanjo São Miguel, Moscou, Rússia
Pai Miguel I da Rússia
Mãe Eudóxia Streshneva
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Aleixo (Moscou, 19 de março de 1629 – Moscou, 29 de janeiro de 1676) foi o Czar da Rússia de 1645 até sua morte. Era o filho homem mais velho do czar Miguel I e sua esposa Eudóxia Streshneva. Seu reinado viu as guerras contra a Polônia e a Suécia, o cisma interno da Igreja Ortodoxa Russa e a revolta cossaca de Stenka Razin.[1]

Aleixo foi o segundo czar da dinastia Romanov, sendo o primeiro a ser criado no Kremlin. A educação do jovem príncipe ficou a cargo de seu avô Feodor Romanov e de seu tutor, Boris Morozov, um boiardo ambicioso e perspicaz, aberto às ideias ocidentais.

Ascenção ao Trono[editar | editar código-fonte]

Quando Miguel I morreu, em 1645, Aleixo tinha apenas dezesseis anos, sendo demasiado jovem para governar, mantendo-se Morozov à frente de seu governo.

Em 1648, Morozov arranjou o casamento do czar com Maria Miloslavskaya, filha do ministro das finanças Ilya Danilovich Miloslavsky. Semanas depois o próprio Morozov casou-se com a Ana Miloslavskaya, irmã de Maria, tornando-se concunhado do czar.

O início do reinado foi marcado por uma grave crise financeira, a qual Morozov busca resolver, aumentando os impostos sobre o comércio do sal. A população moscovita, já sobrecarregada por impostos amotinou-se, levando o jovem czar a demitir e exilar Morozov e suprimir a sobretaxa incidente sobre o sal.

Após a “Revolta do Sal”, o governo editou em 1649 um novo código de leis; que substituiu as ordenações de Ivan IV, o Terrível e manteve-se até 1833. O código de 1649 (Sobornoye Ulozheniye), defendeu os interesses das classes médias urbanas (artesãos e comerciantes) e dos grandes proprietários rurais; porém reduziu os camponeses à completa servidão, intensificando as disposições do edito do czar Boris Godunov, de 1597.

Ainda neste período, Aleixo iniciou uma ampla reforma do exército, promovendo a criação de novos batalhões (dragões e hussardos) e a contratação de especialistas estrangeiros. Em 1650, Aleixo I enfrentou com sucesso as rebeliões das cidades de Pskov e Novogorod.

Cisma da Igreja Ortodoxa[editar | editar código-fonte]

Em 1652, Aleixo nomeou o metropolita Nikon de Novogorod para o Patriarcado de Moscou. Contando com o apoio do czar, o novo patriarca realizou a partir de 1653 uma reforma que visava estabelecer a uniformidade entre os ritos das igrejas grega e russa.

Uma significativa parte do clero e da população se opôs violentamente à tais reformas, vendo nisso uma negação da tradição e especificidade russa. Conduzidos pelo arcebispo Avakum Petrov, estabeleceu-se um cisma (raskol), sendo os antigos crentes chamados “raskolnikis”.

Em 1658, após um desentendimento, Nikon abandonou o patriarcado. Visando apaziguar a questão, o czar convocou em 1666 o “Grande Sínodo de Moscou”, que contou com a participação do Patriarca Macários III de Antioquia e do Patriarca Paisius de Alexandria.

O sínodo concordou com a deposição de Nikon e também decidiu excomungar todos os que se opuseram às reformas da igreja. A divisão iniciada nesta época se manteve até os dias atuais.

Guerra Russo-Persa (1651-1653)[editar | editar código-fonte]

Em 1651 uma bem sucedida ofensiva do exército safavda resultou na destruição de uma fortaleza russa, possibilitando aos persas o controle de uma das margens do Rio Terek.

Aleixo I, que inicialmente pensara em lançar uma contra-ofensiva; optou por uma solução diplomática, enviando à Isfahan uma embaixada conduzida pelo príncipe Ivan Lobanov-Rostov e o mordomo Ivan Komynin, que concluíram um acordo com o Xá Abbas II.

Guerra Russo-Polonesa (1654-67) e Guerra Russo-Sueca (1656-58)[editar | editar código-fonte]

Valendo-se da fragilidade política da Polônia, Aleixo I invadiu a Ucrânia, em apoio ao hetman Bogdan Khmelnitsky, que se insurgira contra os poloneses (revolta Khmelnitsky) e oferecera vassalagem ao Czar mediante o Tratado de Pereyaslav. A campanha de 1654 foi favorável aos russos, que tomaram diversas cidades, incluindo a valiosa fortaleza de Smolensk, permitindo aos russos o domínio do leste ucraniano.

Uma súbita invasão de Carlos X da Suécia, no verão de 1655; varreu o estado polonês, que virtualmente deixou de existir por um breve período, no episódio que ficou conhecido como o “Dilúvio”.

Felizmente para a Polônia, o Aleixo I e Carlos X se desentenderam sobre a repartição dos territórios e ao final de maio de 1656, o czar, encorajado pelo imperador Fernando III de Habsburgo e declarou guerra à Suécia. Os russos invadiram a Livônia Sueca e sitiaram a cidade de Riga, após a assinatura de uma trégua com os poloneses (Tratado de Vilna).

O cerco à Riga fracassou, pois a incipiente frota russa não pôde fazer frente à marinha sueca que permitiu aos suecos o domínio da costa do Báltico e o reforço aos sitiados, levando os russos a levantarem o cerco. Os suecos recuperaram parte da Ingria, mas seu avanço foi contido pela vitória russa na Batalha de Gdov.

A situação política mudou repentinamente em 1658, quando os suecos selaram a paz com a Dinamarca e o novo hetman ucraniano Ivan Vihovsky, sucessor de, aliou-se ao rei da Polônia, João II Casimiro; forçando Aleixo I a retomar a guerra contra os polaco-lituanos. Os russos, sem recursos para suportar a guerra em duas frentes, assinaram com os Suecos o tratado de Kärde em 1661, pelo qual restituíam à Suécia as terras conquistadas na Livônia e na Ingria; o que foi mantido até a eclosão da Grande Guerra do Norte, em 1700.

Os ucranianos, liderados por Vihovsky, venceram o exército do voivoda Aleksei Trubetskoi e assediaram Kiev, mas foram repelidos pelas forças russas do príncipe Vassily Sherementev.

Os cossacos amotinados, pediram a renúncia de Ivan Vihovsky, elegendo como novo hetman à Iuri Khmelnitsky, filho do antigo hetman Bogdan.

O rei da Polônia, João II Casemiro cruzou o Dnieper ao final de 1663 e invadiu a Ucrânia. A maioria das cidades em seu caminho se rendeu sem resistência. Os poloneses sob comando de Potocki e Lubomirski venceram os russos sob comando de Sheremetev na Batalha de Cudnów.

Em 1664 os polaco-lituanos obtiveram nova vitória em Vitebsk. O esforço de guerra declinou e ambas as pares exauridas assinaram em janeiro de 1667 o tratado de Andrusovo; pelo qual a República das Duas Nações, cedia aos russos as terras ucranianas na margem esquerda do Rio Dniepper e a cidade de Smolensk; enquanto as terras à margem direita permaneciam em mãos dos polacos-lituanos.

Revolta do Cobre[editar | editar código-fonte]

Ainda por volta de 1660, as dispendiosas guerras contra Polônia e Suécia pressionaram o tesouro russo, levando o governo de Aleixo I a cunhar um elevado número de moedas de cobre (1654) na tentativa de fazer frente ás despesas estatais; o que ocasionou a desvalorização do rublo, inflação e uma grave crise financeira.

Outro fator agravante foi a intensa falsificação destas moedas superando as emissões do estado, já que os rublos de cobre, eram mais facilmente “reproduzidos” pelos falsificadores.

A carestia levou a uma rebelião popular na cidade de Moscou em 1662, reprimida com violência pelas forças do governo. O rublo-cobre foi finalmente abolido em 1664.

Os cossacos estabelecidos ao longo do Rio Don no sul da Rússia também se rebelaram contra as pesadas cargas tributárias em 1669, capturando a cidade russa de Astrakhan. Tomaram outras cidades ao longo do Rio Volga, entre 1670 e 1671; até que seu líder Stenka Razin foi capturado e executado, após o fracassado cerco à cidade de Simbirsk.

Últimos Anos[editar | editar código-fonte]

Aleixo I teve o chanceler Artamon Sergeevich Matveyev como principal ministro e colaborador, nos últimos anos de seu reinado. Matveyev era favorável à uma aproximação cultural com o ocidente.

Após a morte prematura de seu herdeiro presuntivo, o czarevitch Aleixo; em 1670, associou ao trono seu outro filho Feodor em 1674.

O czar Aleixo I morreu de ataque cardíaco aos 47 anos; em 9 de fevereiro de 1676.

Vida Familiar[editar | editar código-fonte]

O primeiro casamento de Aleixo com Maria Miloslavskaya foi harmonioso e feliz. O casal teve treze filhos (cinco filhos e oito filhas) em vinte e um anos de casamento. A czarina morreu apenas algumas semanas depois do décimo terceiro parto. Quatro filhos sobreviveram a ela (Alexei, Feodor, Semion e Ivan), mas dentro de seis meses de sua morte, dois deles estavam mortos, incluindo Alexei (Aleixo), o herdeiro do trono.

Os filhos do casal eram:

> Dmitri Alexeevich (1648-1649); príncipe herdeiro; morreu na infância.

> Yevdokia Alekseevna (1650-1712)

> Marfa Alekseyevna (1652-1707)

> Alexei Alexeevich (1654-1670); príncipe herdeiro; morreu com 15 anos de idade.

> Anna Alexeevna (1655-1659); morreu na infância.

> Sofia Alexeevna (1657-1704), regente da Rússia (1682-89) para os dois irmãos mais novos; nunca se casou.

> Ekaterina Alexeevna (1658-1718).

> Maria Alexeevna (1660-1723).

> Feodor III (1661-1682); sucedeu a seu pai como czar da Rússia; morreu sem filhos.

> Feodosia Alexeevna (1662-1713).

> Simeon Alexeevich (1665-1669); morreu na infância.

> Ivan V (1666-1696); foi co-governante junto com seu meio-irmão mais novo, Pedro, o Grande.

> Yevdokia Alexeevna (1669-1669).

Aleixo I voltou a casar-se em 1º de fevereiro de 1671 com Nathália Kyrillovna Naryshkina (1651-1694); filha de criação de Artamon Matveyev. O casal teve três filhos:

> Pedro I (1672-1725), conhecido como "Pedro o Grande", o czar da Rússia.

> Natalya Alexeevna (1673-1716).

> Feodora Alexeevna (1674-1677)

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Conforme descrito por alguns de seus contemporâneos, Aleixo demonstrava uma natureza contemplativa, passiva. Profundamente religioso, porém sem inclinar-se ao fanatismo.

Embora descrito como gentil e amigável, era dado a poucas palavras, o que lhe valeu o apelido de “silencioso”. Metódico, inteligente e culto, em suas horas vagas interessava-se por astronomia/astrologia; falcoaria; música e poesia, além de apreciar jogos de tabuleiro, sobretudo o xadrez.

De acordo com a Encyclopædia Britannica Eleventh Edition; “Ele não era um homem de força superior de caráter, ou nunca teria se submetido aos ditames de Nikon; mas, por outro lado, embora timidamente; era naturalmente progressista, ou nunca teria encorajado o grande boiardo reformador Matveyev. Seus últimos anos, apesar da terrível rebelião de Stenka Razin, foram merecidamente tranquilos.” [2]

Cioso defensor da autocracia; Aleixo I rompeu relações com a Grã-Bretanha após a decapitação de Carlos I, oferecendo auxílio financeiro a casa de Stuart destronada e acolhendo em Moscou refugiados realistas ingleses que se opunham à ditadura de Oliver Cromwell.

Legado[editar | editar código-fonte]

Durante seu reinado, a política externa pontuou-se pelo aumento da extensão territorial, expandindo-se no ocidente pela conquista de Smolensk e do leste da Ucrânia mediante a guerra contra a Polônia; e no oriente pela intensificação da colonização em direção à Sibéria, sendo a costa do Pacífico alcançada em 1645.

Além das mudanças territoriais; os conflitos contra suecos e poloneses despertaram grandes mudanças nas forças armadas russas. O exército russo ainda era semi-permanente, com a maior parte de seus efetivos mobilizada sazonalmente, e tais conflitos conduziram às reformas para organização de um exército permanente, assentando as bases para os sucessos militares russos verificados sob os reinados de Pedro, o Grande e Catarina, a Grande.

Internamente, seu código de 1649 consagrou o regime de servidão ao qual estiveram sujeitos os camponeses russos, o que muito contribuiu para o atraso social do país nos séculos seguintes, visto que o regime de servidão vigorou até 1861, quando foi abolido pela reforma agrária do czar Alexandre II.

Apesar disso, ainda que de maneira tímida, Aleixo I mostrou-se favorável a uma aproximação técnica e cultural com o ocidente; que viria a se realizar plenamente no reinado de seu filho mais novo Pedro, o grande.

Outro fato ocorrido durante o reinado de Aleixo I que repercutiu ao longo da história russa foi o cisma da igreja ortodoxa; onde a resistência dos “velhos crentes” e a divisão estabelecida permeou a ocorrência de levantes e perseguições que empanaram o brilho de Moscou como a “terceira Roma”; pelo qual os monarcas russos se apresentavam como principais defensores da fé cristã ortodoxa, após a queda do Império Bizantino.


Referências

  1. Moss, Walter (2002). A History of Russia: To 1917. [S.l.]: Anthem Press. pp. 163–166 

[2] . Uma ou mais das frases precedentes incorporam texto de uma publicação agora em domínio público : Bain, Robert Nisbet (1911). " Alexius Mikhailovich ". Em Chisholm, Hugh. Encyclopædia Britannica . 1 (11º ed.). Cambridge University Press. p. 578.


Aleixo da Rússia
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29 de março de 1629 – 8 de fevereiro de 1676
Precedido por
Miguel I
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12 de julho de 1645 – 8 de fevereiro de 1676
Sucedido por
Teodoro III