Bradicinina

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A Bradicinina é uma hormona polipéptidea do grupo das Cininas com atividade fisiológica natural no ser humano.

O peptídeo calidina (kallidin) difere em apenas um aminoácido, mas é fisiologica e farmacologicamente idêntico.

Estrutura química[editar | editar código-fonte]

Bradicinina

A sequência de aminoácidos é: arg - pro - pro - gly - phe - ser - pro - phe - arg (RPPGFSPFR). A sua fórmula empírica é C50H73N15O11.

Síntese e degradação[editar | editar código-fonte]

O sistema enzimático das cininas, nomeadamente a calicreína promove a geração da bradicinina através da clivagem proteolítica do seu precursor, o cininogênio de alto peso molecular.

A sua degradação é feita pelas enzimas Cininases, das quais a Cininase II é sinónimo da Enzima conversora da angiotensina.[1][2]

Ação[editar | editar código-fonte]

A bradicinina é um vasodilatador poderoso e permeabilizador da parede dos vasos. A bradicinina contrai o músculo bronquial em alguns mamíferos, mas, mais lentamente que a histamina, daí seu nome (Bradi=lentamente) e contrai o tecido muscular liso noutras localizações também.

Em terminações nervosas sensíveis ela causa ativação das vias da dor, sendo uma das causas da dor em qualquer processo inflamatório. Este efeito é potenciado por determinadas prostaglandinas.[3]

Há dois receptores, B1 e B2. O B1 só é expresso após danos tecidulares ou após produção da citocina interleucina-1 e terá papel principal na dor crónica. O B2 é expresso normalmente em algumas células, como as do músculo liso, sendo responsável pelo efeito vasodilatador. A sua ação a nível dos vasos é devida em parte à produção de prostaglandinas e óxido nítrico (NO) que desencadeia.

Fisiologia[editar | editar código-fonte]

A bradicinina é um mediador da inflamação. A sua atividade vasodilatadora e permeabilizadora facilita a migração dos leucócitos para o tecido afetado a partir do sangue. Tem um importante papel na iniciação e manutenção da dor. Julga-se que terá um papel também na regulação da excreção de diversas glândulas em situações não patológicas.

História[editar | editar código-fonte]

A bradicinina foi descoberta por três fisiologistas brasileiros liderados por Maurício Rocha e Silva durante estudos sobre a histamina.

A descoberta da bradicinina se dá no Departamento de Bioquímica e Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP em 1948. Maurício Rocha e Silva teve colaboração de Wilson Teixeira Beraldo, então professor da faculdade de medicina da USP, e Gastão Rosenfeld, que deixara o Instituto Butantã e de lá trazia amostras do veneno da jararaca.

O veneno foi misturado a sangue de cachorro e então testado em intestino isolado de porquinhos-da-índia. Os cientistas pretendiam testar a histamina, comum em venenos de cobras, e por isso esperavam uma contração da musculatura lisa. O sangue, entretanto, não apresentava histamina, apresentando um efeito diferente sobre o músculo isolado.

Ao contrário da histamina, a contração se dava de forma lenta, porém consistente, e se mantinha por alguns minutos, o que levou Rocha e Silva a atribuí-la a uma nova substância batizada de bradicinina (bradys = lento, kinesis = movimento). Os relatos de sua descoberta saíram em 1949, um no número inaugural da revista Ciência e Cultura, da recém-criada SBPC (imagem ao lado), e outro na American Journal of Physiology[4]. Onde os autores, então, concluíram que o veneno de serpentes, assim como a tripsina são capazes de liberar do plasma um fator capaz de fazer contrair o intestino isolado, assim como causar hipotensão, o qual foi batizado de bradicinina.

O primeiro autacóide desse tipo a ser identificado foi a angiotensina—de propriedades vasoconstritoras --, e o segundo, a bradicinina.

  1. Dendorfer, Andreas; Wolfrum, Sebastian; Wagemann, Marc; Qadri, Fatimunnisa; Dominiak, Peter (1 de maio de 2001). «Pathways of bradykinin degradation in blood and plasma of normotensive and hypertensive rats». American Journal of Physiology-Heart and Circulatory Physiology (5): H2182–H2188. ISSN 0363-6135. doi:10.1152/ajpheart.2001.280.5.H2182. Consultado em 20 de dezembro de 2021 
  2. Kuoppala, Antti; Lindstedt, Ken A.; Saarinen, Juhani; Kovanen, Petri T.; Kokkonen, Jorma O. (1 de abril de 2000). «Inactivation of bradykinin by angiotensin-converting enzyme and by carboxypeptidase N in human plasma». American Journal of Physiology-Heart and Circulatory Physiology (4): H1069–H1074. ISSN 0363-6135. doi:10.1152/ajpheart.2000.278.4.H1069. Consultado em 20 de dezembro de 2021 
  3. Mutschler, Ernst (1996). Arzneimittelwirkungen Lehrbuch der Pharmakologie und Toxikologie ; mit einführenden Kapiteln in die Anatomie, Physiologie und Pathophysiologie ; 219 Tabellen 7., völlig neu bearb. und erw. Aufl ed. Stuttgart: [s.n.] OCLC 263584530 
  4. Rocha e Silva, M.; Beraldo, Wilson T.; Rosenfeld, G. (1 de fevereiro de 1949). «Bradykinin, a hypotensive and smooth muscle stimulating factor released from plasma globulin by snake venoms and by trypsin». American Journal of Physiology-Legacy Content (2): 261–273. ISSN 0002-9513. doi:10.1152/ajplegacy.1949.156.2.261. Consultado em 20 de dezembro de 2021