Cardiopatia congênita

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Cardiopatia congênita
Classificação e recursos externos
CID-10 Q20.q-Q26.q
CID-9 745-747
DiseasesDB 17017
MeSH D006330

Cardiopatia congênita é a doença na qual há anormalidade da estrutura ou função do coração, que está presente no nascimento, mesmo que descoberta muito mais tarde. Essa anormalidade que surge nas primeiras 8 semanas de gestação quando se forma o coração do feto. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto no nascimento ou anos mais tarde.

  • É o defeito congênito mais comum e uma das principais causas de óbitos relacionadas a malformações congênitas.
  • Nascem no Brasil aproximadamente 28 mil crianças com problemas cardíacos por ano, ou seja, a cada 100 bebês nascidos vivos 1 é cardiopata.
  • Desses 28 mil cardiopatas que nascem anualmente, pelo menos 23 mil necessitarão de uma cirurgia cardíaca, mas infelizmente cerca de 18 mil (78%) não recebem o tratamento, principalmente por falta de diagnostico ou vagas na rede pública. Em 2014 foram realizadas apenas 5773 operações causando um déficit enorme.*
  • A mortalidade decorrente das cardiopatias congênitas seria drasticamente reduzida se todos os cuidados pré e pós natais fossem devidamente instituídos.
  • A incidência de cardiopatia congênita é 8 vezes maior do que a Síndrome de Down.

*dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, 2015.

Sintomas da cardiopatia congênita[editar | editar código-fonte]

O que causa a cardiopatia?[editar | editar código-fonte]

Uma das primeiras reações de uma mãe ao descobrir que o filho tem cardiopatia congênita é se culpar ou buscar um culpado, na tentativa de entender e saber o porquê. Essa preocupação, porém, é infundada. As cardiopatias congênitas não têm causa definida, ocorrem pela interação de fatores genéticos e ambientais. No entanto, está comprovado que existem algumas famílias consideradas com maior risco de ter filhos com cardiopatia congênita. Vejamos:

  • Mães com mais de 35 anos;
  • Pai, mãe ou filhos anteriores com cardiopatia congênita;
  • Mães portadoras de diabetes, hipotireoidismo ou lúpus eritematoso 
sistêmico (LES);
  • Mães que apresentem doenças como toxoplasmose ou rubéola 
durante a gestação;
  • Mães em uso de medicamentos como anticonvulsivantes, anti-inflamatórios, ácido retinóico, lítio, entre outros, durante a gestação;
  • Gestação de gêmeos ou múltiplos;
  • Gravidez por fertilização in vitro

Algumas situações verificadas em ultrassom merecem ser mais bem investigadas com exames específicos, como o ecocardiograma fetal:

  • Fetos que apresentem alteração na translucência nucal (detectada no ultrassom de 12 semanas) ou malformação em algum outro órgão;
  • Fetos que apresentem suspeita de síndromes ou defeitos genéticos. As síndromes mais comumente associadas à cardiopatia são: Síndrome de Di George, Síndrome de Down, Síndrome de Edwards, Síndrome de Marfan, Síndrome de Noonan, Síndrome de Patau, Síndrome de Turner e Síndrome de Williams

Nos casos das situações listadas, a realização do ecocardiograma fetal é muito importante, mesmo que o ultrassom morfológico esteja normal. Assim garante-se que se possa detectar ou excluir uma cardiopatia e assim programar o nascimento do bebê, proporcionando uma gravidez mais tranquila para toda a família.

Sintomas da cardiopatia congênita[editar | editar código-fonte]

Em bebês:

  • ponta dos dedos e/ou lábios roxos, conhecido como CIANOSE;
  • transpiração e cansaço excessivos durante as mamadas;
  • respiração acelerada mesmo durante o sono;
  • dificuldade de ganhar peso;
  • irritação frequente, choro sem consolo.

Em crianças maiores:

  • cansaço excessivo em atividades físicas e dificuldade de acompanhar o ritmo de outras crianças;
  • crescimento e ganho de peso de forma não adequada;
  • infecções pulmonares repetitivas;
  • lábios roxos (cianose) e a pele mais pálida quando brinca muito;
  • coração com ritmo acelerado (taquicardia).

Sintomas de gravidade

Sinais de baixo débito cardíaco: esse é um termo geral que engloba os sinais que refletem a incapacidade do coração de bombear o sangue para o corpo e para os pulmões de maneira adequada, entre eles: respiração muito rápida, coração acelerado, pés e mãos frios, palidez ou cor arroxeada da pele, criança molinha, largada (hipoativa), irritabilidade ou sonolência excessiva.

Crises de hipóxia (falta de oxigênio no sangue): ocorrem em cardiopatias cianóticas (aquelas que deixam as crianças com lábios e extremidades arroxeadas) e seguem com a piora desse quadro de roxidão existente e acentuada irritação. São desencadeadas por fatores como febre, pelo esforço da criança ao mamar ou chorar, quando ela precisa fazer força para evacuar, e podem evoluir para crise convulsiva e desmaio. Essas crises são consideradas de emergência médica. Existem duas medidas que podem ajudar, com as crianças sendo posicionadas da seguinte maneira: as maiores assumem a posição de cócoras e as crianças menores devem ter as pernas dobradas sobre a barriga (posição genupeitoral).

Outros sintomas 

Síncope (desmaio): quando a mãe nota que o desmaio é precedido de tonturas, turvação da vista e a criança consegue anunciar que está se sentindo mal, pode ser, na maioria das vezes, algo sem tanta gravidade. Ainda assim, é prudente buscar orientação médica. No entanto, quando o desmaio ocorre de maneira súbita, com a perda da consciência, a ponto de a criança até se machucar, pode ser sinal de uma arritmia e consequentemente de um quadro mais grave.

Dor torácica (dor na região do tórax): queixa de dor no peito é frequente em crianças e sua interpretação é muito diferente daquela sentida por adultos. As principais causas são dor muscular (por trauma local), ou ansiedade. A dor de origem cardíaca é muito rara e geralmente está relacionada a exercícios físicos que possam cansar muito a criança e associada a outros sintomas cardiológicos, como taquicardia (coração acelerado), palidez, mal-estar e suor excessivo.

Texto parte integrante da publicação “Cardiopatia Congênita de Mãe para Mãe – um guia para famílias com filhos cardiopatas”.

Como diagnosticar[editar | editar código-fonte]

As cardiopatias congênitas podem ser suspeitadas durante a gestação por meio de um ultrassom morfológico e confirmadas pelo ecocardiograma fetal, mas também podem ser detectadas logo após o nascimento, com o Teste do Coraçãozinho e do exame físico feito pelo pediatra. O diagnóstico precoce salva vidas.

ULTRASSOM MORFOLÓGICO E EECOCARDIOGRAMA FETAL

As cardiopatias congênitas podem ser descobertas ainda na gestação, a partir do segundo trimestre de gravidez. O ultrassom morfológico é realizado em torno da 20a semana de gestação (5° mês). É um exame abrangente, examina todo o corpinho do bebê (cérebro, pulmões, rins, mãos, pés), inclusive o coração. Com esse exame já se pode suspeitar de alguma alteração no ritmo, na estrutura ou na função cardíaca. Havendo a suspeita, a gestante deve ser encaminhada para a realização de um ecocardiograma fetal.

ECOCARDIOGRAMA FETAL (ECG)

O ecocardiograma fetal é um exame parecido com o ultrassom, mas específico para o coração do feto. É realizado por um médico cardiologista especializado e é por meio dele que se pode confirmar se o bebê tem cardiopatia ou não e qual será a forma de tratamento

A ecocardiografia fetal é também necessária quando as gestantes:

  • Tem mais de 35 anos de idade;
  • Já tiveram filhos ou outros familiares com cardiopatia congênita;
  • Têm diabetes ou lúpus;
  • Tiveram doenças como toxoplasmose ou rubéola durante a gestação;
  • Estão esperando gêmeos ou múltiplos;
  • Apresentaram alteração nos exames de translucência nucal (ultrassom de 12 semanas), de cariótipo ou foi detectada qualquer anormalidade em outro órgão do bebê.

Caso o diagnóstico não tenha sido feito na gestação temos ainda dois recursos disponíveis:

TESTE DO CORAÇÃOZINHO

O Teste do Coraçãozinho também chamado de oximetria de pulso deve ser realizada após as primeiras 24 horas de vida do bebê e antes da alta hospitalar, utilizando um sensor externo (oxímetro), que deve ser colocado primeiro na mão direita, e depois em um dos pés do bebê, para verificar a saturação (nível de oxigênio no sangue).

Saiba mais sobre o Teste do Coraçãozinho aqui (colocar link da página do teste)

PEDIATRA

Outro aliado essencial para o diagnóstico de alterações cardíacas é o pediatra. O médico que acompanha o recém-nascido e a família devem ficar atentos e procurar um cardiologista pediátrico caso percebam sintomas ou haja alteração na asculta do coração. Somente o cardiologista poderá dizer exatamente quais cuidados são necessários e como deverá ser o tratamento.

Saiba mais sobre os principais sintomas da cardiopatia aqui (colocar link dessa pagina).

O diagnóstico precoce pode salvar a vida da criança, principalmente em cardiopatias mais graves, quando o parto deve ser planejado e a criança precisa ser operada nos primeiros dias de vida.

Texto parte integrante da publicação “Cardiopatia Congênita de Mãe para Mãe – um guia para famílias com filhos cardiopatas”.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O prognóstico, previsão de evolução, também é muito variável. Existem doenças que não alteram tempo ou qualidade de vida, mas existem doenças que nas quais é impossível a vida extraútero. Entre estes dois extremos há uma infinidade de nuances possíveis de apresentações clínicas e de perspectiva de vida.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento ideal é a correção do defeito estrutural. Conforme o caso, pode-se precisar de cirurgia imediata ou aguardar meses ou anos para a cirurgia. Conforme o caso, a intervenção pode ser feita intra-útero. Cada apresentação clínica tem particularidades quanto aos medicamentos ou outras medidas indicadas.

Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita - 12 de junho[editar | editar código-fonte]

A AACC Pequenos Corações luta desde 2011 para que o dia 12 de junho seja reconhecido em todo o Brasil como o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita a fim de que a população e o poder público conheçam as necessidades das crianças cardiopatas.

Por que dia 12 de junho? Em vários países do mundo, principalmente no hemisfério Norte o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita é comemorado no dia 14 de fevereiro, Valentine’s Day. No Brasil já foi adotado como lei em diversas cidades o dia 12 de junho como Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, o nosso “dia dos corações”. Em homenagem a todos os portadores de cardiopatia congênita, seus pais, familiares, profissionais envolvidos no tratamento e aqueles que perderam esta difícil batalha pela vida, criamos um símbolo brasileiro para ser usado na semana do 12 junho em todos os eventos que promovam a conscientização da cardiopatia em nosso país.

Já integra o calendário de algumas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas (SP), Bauru (SP), Porto Alegre (RS), Londrina (PR), Maringá (PR), Juiz de Fora (MG), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Várzea Grande (MT), Mogi das Cruzes (SP), entre outras.

Objetivos da data

  • Esclarecer sobre as Cardiopatias Congênitas e a importância do diagnóstico precoce;
  • Informar sobre a importancia da capacitaçao dos profissionais envolvidos e adoção do exameEcocardiograma Fetal como rotina no pre-natal de risco – diagnóstico precoce que salva;
  • Discutir junto aos orgaos competentes quais as alternativas mais adequadas para aumentar o numero de diagnósticos precoces ainda na maternidade a fim de diminuir a mortalidade;
  • Criação de um programa de saúde específico para os cardiopatas.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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