Casa Museu José Régio (Portalegre)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Casa Museu José Régio (Vila do Conde).
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Casa Museu José Régio
Tipo Galeria de arte
Local histórico
Website Site oficial
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Portalegre
Localidade Praça do Município

A Casa Museu José Régio em Portalegre é um museu que está instalado na casa onde o viveu o escritor José Régio durante 34 anos. É um museu simultaneamente biográfico e etnográfico, pois além de escritor, Régio era um ávido coleccionador.

José Régio[editar | editar código-fonte]

José Régio é o pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, um professor, poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, fundador da revista literária Presença e colaborador da revista literária Seara Nova. Foi professor de Português no então Liceu Nacional de Portalegre (actual Escola Secundária Mouzinho da Silveira), de 1928 a 1967. Um dos seus poemas mais famosos é a Toada de Portalegre, no qual menciona casa onde actualmente funciona o museu:

vivi numa casa velha/velha, grande, tosca e bela/à qual quis como se fosse feita para eu morar nela
 
José Régio, Toada de Portalegre.

No museu respira-se o ambiente em que viveu José Régio, portalegrense de adopção. O quarto e a sala de trabalho do poeta encontram-se tal e qual ele os deixou.[1]

O edifício[editar | editar código-fonte]

Data dos finais do século XVII e terá sido um anexo do Convento de São Brás, do qual ainda existem alguns vestígios, nomeadamente da capela. Serviu como quartel-general aquando das Guerra Peninsular (vulgo invasões francesas) e muito mais tarde foi uma pensão.[2]

Quando José Régio hospedou-se na pensão quando chegou a Portalegre, começando por alugar um quarto modesto, mas à medida que o tempo foi passando e as suas necessidades de espaço foram aumentando, foi ocupando mais quartos, acabando por se tornar o único hóspede.[2]

Além das suas actividades literárias, José Régio foi um grande coleccionador, principalmente de arte sacra, arte popular e artesanato. Em 1965 vendeu as suas colecções à Câmara Municipal de Portalegre com a condição desta adquirir a casa, restaurá-la e transformá-la em museu, ficando ele com o usufruto até à sua morte. Tal não aconteceu, pois José Régio viria a falecer em 22 de Dezembro de 1969, enquanto que o museu só abriria a 23 de Maio de 1971.[2]

Antes de morrer, o escritor voltou para a sua terra natal, Vila do Conde, onde também conseguiu abrir um museu na sua própria casa.

Espólio[editar | editar código-fonte]

O espólio do museu resultou do gosto de José Régio pelas antiguidades e pelo coleccionismo que segundo diz, nasceu-lhe cedo por influência do seu avô, mas foi no Alentejo que se ampliou e desenvolveu. A região era fértil para essa actividade, e rapidamente se espalhou que havia um professor do liceu que comprava coisas velhas. Começou por ser um passatempo, mas depressa se transforma numa actividade regular, quase um vício.[2]

Entre o vasto número de objectos destacam-se os de arte sacra, quer de origem conventual, quer de origem popular e o artesanato local de cariz simultaneamente utilitário e decorativo.

Para além de algumas obras conventuais e um oratório, juntou uma extensa colecção de Cristos nas mais diversas apresentações e representações, a maior parte em madeira, Santo Antónios, santos chatos (com as costas achatadas), os reis da casa de David (representação da ascendência de Jesus), barros de Portalegre e mobiliário rústico. Na sua quase totalidade, estas peças eram produzidas por mestres iletrados, mas com certo jeito natural e muito talento manual. Os Cristos faziam parte do enxoval das noivas, em tempos idos. Os barros de Portalegre são fortemente expressivos nas suas cores intensas e formas simultaneamente poderosas e graciosas, adequadas à intensidade sensitiva de quem vivia muito próximo da natureza.[2][3]

Há também uma colecção assinalável de faianças, sobretudo pratos de Coimbra denominados "ratinhos", trazidos pelos migrantes sazonais que vinham do norte para fazer as ceifas no Alentejo, e que os trocavam por roupa e tecidos antes de voltarem a suas casas. O termo "ratinho" era o nome a esses migrantes pelos alentejanos, pois as suas silhuetas nos campos faziam lembrar ratos, por vestirem normalmente de cinzento e estarem constantemente curvados.

Aos locais adquiria os estanhos, os cobres, os ferros forjados, e outras curiosidades do artesanato alentejano, como marcadores de pão e bolos, chavões ou pintadeiras (para marcar o pão nos fornos comunitários), dedeiras ou canudos (protecção dos dedos dos ceifeiros) e trabalhos em chifre, como as cornas (recipientes para azeitonas) e os polvorinhos.[2] Estes objectos eram principalmente obra de pastores, daí serem usualmente designados de "arte pastoril", e são apontados como representando a psicologia dos próprios autores — se tivessem à mão um pedaço de madeira, de cortiça, cana ou chifre, dele faziam surgir pintadeiras, dedeiras, polvorinhos (recipientes para pólvora), tarros e tarretas (recipientes em cortiça), com inscrições, datas e nomes.[3]

De destacar ainda um quadro de um amigo de Régio, Ventura Porfírio, em que o poeta aparece retratado no seu escritório, outro quadro que representa Portalegre no fim do século XIX e uma extensa colecção de almofarizes.

O museu tem duas cozinhas. Uma delas tem exposta a colecção de pratos "ratinhos" e peças em ferro, como suportes dos espetos. O ferro forjado foi bastante utilizado para as formas dos mesmos suportes (nas cozinhas) e para a decoração de portas e janelas, aliando a arte à funcionalidade. Na outra cozinha estão os trabalhos pastoris.

Além do espólio descrito, a Casa Museu possui um variado acervo literário dividido entre a própria casa, as reservas e o centro de estudos.

Devido à falta de espaço, nem todas as peças estão expostas, nomeadamente as colecções de numismática e medalhística, e parte das colecções de escultura, faiança, trabalhos pastoris, ferros forjados e registos.

As colecções expostas estão distribuídas por 17 salas de exposição permanente e por uma sala de reservas, ocupando os dois pisos do edifício.

Referências

  1. «Casa-Museu José Régio». Descubra Portugal, website do Turismo de Portugal. Consultado em 10 de dezembro de 2009. 
  2. a b c d e f «Museu José Régio». Câmara Municipal de Portalegre. Consultado em 10 de dezembro de 2009. [ligação inativa] 
  3. a b Rodrigues, Ciro. «Casa do Poeta José Régio». Diário de Bordo (mtfoliveira.blogspot.com). Consultado em 10 de dezembro de 2009.