Chipa

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Chipa
chipas paraguaias
País Paraguai
Região Missões franciscanas e jesuíticas
Variações pão de queijo
Receitas: Chipa   Multimédia: Chipa

A chipa (ou chipá) é uma iguaria tradicional da culinárias paraguaia[1]. Tem suas origens nas missões jesuíta e franciscana da Governação do Paraguai (Vice-Reino do Peru), conforme registrado nas crônicas dos séculos XVI, XVII e XVIII.[2][3] Em geral, o preparo de sua massa requer polvilho, óleo vegetal ou azeite de oliva, queijo ralado, ovos e sal. Após pronta a massa, as chipas são moldadas em forma de "ferradura" e levadas ao forno para assar. Pode-se acrescentar margarina no lugar do óleo vegetal.

O pão de queijo brasileiro é uma das variações sul-americanas da receita.

Origem[editar | editar código-fonte]

Alguns revisionistas históricos apontam que, na era do vice-reinado, o viajante alemão Ulrich Schmidl já falava sobre a receita daquele pão de amido que os Carijós-Guaraníes faziam. Schmidl se encarregou de anotar no diário de bordo do navio espanhol em que chegava a expedição comandada por Juan de Ayolas, que mais tarde chegaria a Assunção, dando assim o primeiro encontro espanhol com os Carijós-Guaraníes. Antes de ser conhecido como chipa, havia um cardápio que já fazia parte de uma das variedades de pão que os carijós tinham nos primeiros tempos da conquista. Naquela época, a comida anterior à chipa era conhecida como "mbujape" ou "mbuyapé", que traduzido do guarani significa "pão". Para fazer o mbuyapé, misturava-se farinha de milho ou fécula de mandioca com gordura animal, depois envolvia-se em uma folha de bananeira e colocava-se no "tanimbú" (cenzeiro) para cozinhá-lo.[4]

Sopa paraguaia e chipa, ao fundo

Nos diários de viajantes como o alemão Ulrich Schmidl e nos registros históricos da época do vice-reinado, consta em vários parágrafos que os carijós-guaraníes (tribo que habitava a região de Assunção) preparavam bolos e pães à base de mandioca e milho, misturados à gordura animal, conhecidos como "mbuyapé" ("pão" em guarani). A dieta guarani era complementada com alimentos crioulos que os espanhóis traziam do velho continente. Isso ocorreu devido à introdução do gado em 1556 em Assunção,[5] e desses "novos" alimentos foram obtidos: carne bovina e ovina, leite, ovos, queijos, etc. Desta forma, as refeições com ingredientes da base gastronômica guarani (milho, mandioca, abóbora, batata doce, etc.) eram misturadas com ingredientes trazidos pelos espanhóis (carne, leite, queijo, ovos, etc.). Essa união deu origem a alimentos que são consumidos desde a era do vice-reinado até os dias atuais. Foi neste contexto que surgiu a receita dos pratos típicos paraguaios que têm como base a mandioca, o milho, o queijo, o leite e a carne bovina.[6]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Assunção 1537: Mãe da gastronomia do Río de la Plata e Matto Grosso do Sul. Vidal Domínguez Díaz (2017).

Referências

  1. «No clima da Sul-Americana, veja famosos petiscos de estádios pelo continente». Esporte - iG. Consultado em 29 de março de 2020 
  2. «Chipa, o petisco mais popular do Paraguai e um símbolo de sua identidade» (em espanhol). Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  3. «A chipa, símbolo da identidade paraguaia» (em espanhol). Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  4. «Chipa: comida favorita em vigor há mais de 400 anos» (em espanhol). Consultado em 6 de maio de 2020 
  5. «História das fábricas de processamento de bovinos e carnes na Argentina» (em espanhol). Consultado em 6 de maio de 2020 
  6. «Cozinha nativa e mestiça» (em espanhol). Consultado em 6 de maio de 2020 
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