Ciência no Renascimento

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Quando se trata do Renascimento científico, o racionalismo, é a nova maneira de abordar o conhecimento humano. Dentre eles, destacava-se o geocentrismo, que é a terra no meio dos planetas, que foi intensamente questionado pelos novos observadores dos movimentos celestes, os astrônomos, que propuseram novas explicações.

Entre os astrônomos, destaca-se Nicolau Copérnico (1473-1543), nascido na Polônia, e que foi o primeiro a afirmar que a Terra girava em torno do Sol e não ao contrário. Suas ideias foram expostas em sua obra Sobre a revolução das órbitas celestes. Outro grande astrônomo da época foi Galileu Galilei (1564-1641), que embora afirmasse o mesmo que Copérnico, foi obrigado pela inquisição a negar sua teoria. Nascido na Alemanha, o também astrônomo Johannes Kepler (1571-1630) conseguiu comprovar que a trajetória seguida pelos planetas ao orbitar em torno do Sol era elíptica.

Leonardo da Vinci teve também um importante papel no Renascimento científico como grande engenheiro, físico, anatomista, geólogo, botânico, zoólogo e um dos maiores colaboradores para esse desenvolvimento. Dentre seus projetos encontravam-se uma máquina equipada com hélice, que poderiam manter o homem no ar. Esses projetos não se realizaram na época, mas se tornaram simbolo da genialidade de um pensador muito além de seu tempo.

O século XV presenciou o início do florescimento artístico e cultural da Renascença. Em meados do século XIV a redescoberta de textos científicos antigos, que se iniciara no século XII, foi aprimorada com a Queda de Constantinopla. Na mesma época ocorreu a invenção da imprensa, que traria grande efeito na sociedade europeia ao democratizar o aprendizado e permitir a propagação mais rápida de novas ideias. Mas apesar de seu florescimento artístico, o período inicial da Renascença é geralmente visto como um momento de estagnação nas ciências.

Renascença[editar | editar código-fonte]

A redescoberta de textos antigos foi aprimorada depois da Queda de Constantinopla, em meados do século XV, quando muitos eruditos bizantinos tiveram que buscar refúgio no ocidente, especialmente na Itália. Esse novo influxo alimentou o interesse crescente dos acadêmicos europeus pelos textos clássicos de períodos anteriores ao esfacelamento do Império Romano do Ocidente. No século XVI já existe, paralelamente ao interesse pela civilização clássica, um menosprezo pela Idade Média, que passou a ser cada vez mais associada a expressões como "barbarismo", "ignorância", "escuridão", "gótico", "noite de mil anos" ou "sombrio".

Desse modo, o humanismo renascentista rompeu com a visão teocêntrica e com a concepção filosófico-teológica medieval. Agora conceitos como a dignidade do ser humano passam a estar em primeiro plano. Por outro lado, esse humanismo representa também uma ruptura com a importância que vinha sendo dada às ciências naturais desde a (re)descoberta de Aristóteles, no chamado Renascimento do Século XII.

Apesar do florescimento artístico, o período inicial da Renascença é geralmente visto como um momento de estagnação nas ciências. Há pouco desenvolvimento de disciplinas como a física e astronomia. O apego aos escritos antigos tornam as visões Ptolomaica e Aristotélica do universo ainda mais enraizadas. Em contraste com a escolástica, que supunha uma ordem racional da natureza na qual intelecto poderia penetrar, o chamado naturalismo renascentista passava a ver o universo como uma criação espiritual opaca à racionalidade e que só poderia ser compreendida pela experiência direta. Ao mesmo tempo, a filosofia perdeu muito do seu rigor quando as regras da lógica passaram a ser vistas como secundárias ante a intuição ou a emoção.

Por outro lado, a invenção da imprensa, que ocorrera simultaneamente à Queda de Constantinopla, teria grande efeito na sociedade europeia. A disseminação mais fácil da palavra escrita democratizou o aprendizado e permitiu a propagação mais rápida de novas ideias. Entre essas ideias estava a álgebra, que havia sido introduzida na Europa por Fibonacci no século XIII, mas só se popularizou ao ser divulgada na forma impressa.

A tecnologia da impressão é um marco na história da comunicação, sedimentando a passagem de uma sociedade marcada pela oralidade para uma nova realidade em que a leitura, o registro e a transmissão de informações em maior escala permitiram a criação do hábito de leitura, além de um novo processo social pautado pela padronização da difusão de informação, pelo questionamento sobre a credibilidade das fontes dos materiais impressos, além do surgimento de técnicas de divulgação e disseminação, tornando  mais ágil a recepção das informações. Evidentemente, que este foi um caminho longo, ao se considerar que o primeiro lote de impressões feito por Gutenberg foi composto por 300 exemplares da bíblia em dois volumes, em uma versão escrita em latim e comercializada por 30 florins, um valor equivalente ao salário de três anos de um sacerdote. Um exemplo incontestável que a aponta como essa nova tecnologia ainda seria para restrita a um grupo ínfimo de cidadãos[1].

Ainda assim, é notório que este processo impactou de forma incontestável a disseminação do conhecimento, inclusive da difusão científica que ganharia fôlego apenas dois séculos depois. Um exemplo interessante aconteceu com a publicação do livro "Mensageiro Celeste", em 1610, pelo italiano Galileu Galilei. Na obra, o cientista faz um relato, em linguagem coloquial e acessível, da sua descoberta das três luas de Júpter, o que teria transformado a publicação em pauta nos diferentes círculos da sociedade italiana. Entretanto, a ciência astronômica, que ganhou fôlego com o aprimoramento do telescópio contrariava as Escrituras Sagradas. Depois da publicação desse livro, Galilei foi perseguido pela Igreja Católica e passou a escrever de forma extremamente técnica, usando a linguagem matemática, para que não fosse entendido pelo clero católico, consequentemente, afastando as suas publicações dos leitores não especializados.[2]

Essas transformações facilitaram o caminho para a revolução científica, mas isso só ocorreria depois do movimento Renascentista ter chegado ao norte da Europa, com figuras como Copérnico, Francis Bacon e Descartes. Foram essas figuras que levaram adiante os avanços iniciados pelos sábios da Idade Média, mas estes personagens já são muitas vezes descritos como pensadores pré-iluministas, ao invés de serem vistos como parte do renascimento tardio.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. CARVALHO, Juliano Maurício de; SASTRE, Angelo (2019). «Da prensa à Galáxia de Gutemberg: perspectivas do Jornalismo no Ecossostema Tecnológico.». Gênero, notícia e transformação social. Aveiro: Ria Editorial. pp. 233–238. ISBN 9789898971067 
  2. OLIVEIRA, Fabíola de (2005). «Parceiros desde Gutemberg.». Jornalismo Científico. São Paulo: Contexto. pp. 17–18