Cila

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a ninfa transformada em monstro marinho. Se procura a filha do rei Niso de Mégara, veja Cila (filha de Niso).
Cila
Cila
Vaso grego, Museu do Louvre
Pais Tifão e Equidna

Cila (em grego: Σκύλλα, transl.: Skýlla), na mitologia grega, conforme Homero e Ovídio, era uma bela ninfa que se transformou em um monstro marinho.

Versão de Ovídio[editar | editar código-fonte]

Segundo o poeta romano Ovídio, Glauco era um humano que as divindades aquáticas resolveram transformar em uma criatura do mar, com uma barba verde-acinzentada, largos ombros, braços azulados, pernas curvadas com nadadeiras na extremidade. Ele se apaixonou pela ninfa Cila, que apavorada com sua aparição, põe-se a fugir, pelas águas, pelas rochas, pelas cavernas submarinas. Mas o amor do pobre Glauco era imenso e, desesperado, e ele se lança em perseguição da bela ninfa, implorando, aos prantos, que lhe conceda um pouco de atenção. Impassível às suas súplicas, Cila continua sua fuga, escondendo-se num lugar tão inacessível que jamais Glauco conseguiria encontrá-la. Depois de inúteis buscas, Glauco é obrigado a reconhecer sua derrota. Apenas algum poder superior lhe facultaria conquistar o afeto da formosa ninfa. Abatido, torturado, Glauco dirige-se à ilha de Eeia, onde morava Circe, a feiticeira, e roga-lhe que o ajude a conquistar sua amada. Circe promete atendê-lo, mas acaba enamorando-se pelo deus marinho. Como Glauco a rejeita, agora é Circe quem põe-se a percorrer os mares, sem descanso atrás de seu amado. Como encantos de mulher revelam-se insuficientes, ela recorre a seus poderes de feiticeira, e decide transformar Cila em uma criatura tão horrenda e repulsiva que todo o amor de Glauco haveria de transformar-se em aversão. Sem ser vista, Circe derrama veneno nas águas de uma fonte onde a ninfa costumava banhar-se e retorna para a ilha de Ea onde aguarda pelos resultados. Quando Cila mergulha na água enfeitiçada seu belo corpo começa lentamente a transformar-se. Monstros horrendos surgem à sua volta, com ensurdecedor alarido. Aterrorizada, a ninfa procura afastá-los e fugir. Então descobre que os monstros são parte de si mesma, nascem de seu corpo. Desesperada corre ao encontro de Glauco e em seus braços chora longamente. Ele também lamenta a beleza perdida, mas recusa-se a permanecer com a antiga ninfa, pois o grande amor não existe mais.

Odisseu lutando contra Cila e Caribdis
Por Heinrich Füssli

Cila retira-se para longe e vai viver no estreito de Messina, entre a Sicília e a península Itálica, aterrorizando os mortais que antes a cortejavam, deslumbrados com sua extraordinária beleza. Na ilha de Ea, Circe inutilmente espera o retorno de Glauco. Revoltado com sua traição e crueldade, Glauco jamais quis visitá-la, passando toda a existência cultivando a lembrança de uma ninfa bela e doce, que um dia se perdeu nos feitiços do ciúme.

O aterrorizante monstro marinho em que Cila se transformou tinha o torso de uma bela mulher mas, em volta da cintura, possuía seis cabeças de serpente com três fileiras de dentes e um círculo de doze cães labradores. Os cães a alertavam quando um navio estava passando, de forma que ela pudesse capturar os navegantes.

Versão de Homero, na Odisseia[editar | editar código-fonte]

Segundo a Odisseia de Homero, para quem Cila era filha do rio Cráteis,[1] quando a nau de Odisseu passou junto à gruta onde Cila se escondia, os cães saltaram e devoraram seis de seus companheiros.[2][3]

Outras versões[editar | editar código-fonte]

Na tradição mitológica grega, Cila era habitualmente relacionada a Caribdis, outro monstro marinho. Os dois moravam nos lados opostos do estreito de Messina e personificavam os perigos da navegação perto de rochas e redemoinhos. No cimo do rochedo, que não era tão alto quanto o penedo oposto de Cila, erguia-se uma figueira negra. Caribdis propriamente dita ficava fora da vista.[4]

Em outras versões, Cila era filha de Fórcis e Hécate ou ainda de Lâmia. Tal como acontece com a maioria dos deuses marinhos, era às vezes tida também como filha de Tifão e Equidna; Higino diz que ela foi morta por Hércules.[5][nota 1]

Na literatura popular moderna[editar | editar código-fonte]

Ela aparece no livro O Mar de Monstros, da série Percy Jackson e os Olimpianos. Scylla é um dos servos de Drácula em Castlevania: Symphony of the Night. [carece de fontes?]
Io de Scylla(ou Cila ou Skylla) é um dos Generais Marinas de Poseidon, em "Os Cavaleiros do Zodíaco". Ele protege o Pilar do Pacífico Sul e usa golpes baseados em suas 6 bestas (Abelha Rainha, Urso, Lobo, Águia, Morcego e Serpente). Foi derrotado por Shun de Andrômeda, quando sua corrente se adaptou a cada besta, destruindo-as.[carece de fontes?] Também aparece como referência na série Prison Break: Em Busca da Verdade. Na série, Scylla é um pequeno dispositivo de dados portátil que contém informações extremamente importantes sobre formas alternativas de energia. Ele está preso dentro de um decodificador que só pode ser aberto por seis cartas, que são uma espécie de chave para abrir o dispositivo. As seis chaves são em referência às seis cabeças de Scylla da mitologia.

Notas

  1. O texto de Higino, que muitos consideram como um exercício de um estudante, é cheio de erros; Hércules não poderia ter matado a mesma Cila que comeu marinheiros durante a Odisseia, que ocorreu muito tempo após sua morte.

Referências

  1. Higino, Fabulae, CXCIX, A outra Cila
  2. Odisseia, Homero, ed. Ediouro
  3. Higino, Fabulae, CXXV, Odisseia
  4. Theoi Greek Mythology: Bestiary (em inglês)
  5. Higino, Fabulae, Prefácio

6. http://prisonbreak.wikia.com/wiki/Scylla. «Prison Break» Fandom (em inglês). Consultado em 27 de Junho de 2018

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