Clarice Orsini

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Clarice Orsini
Pintura de 1494 por Domenico Ghirlandaio.
Cônjuge Lourenço de Médici
Casa Família Orsini
Casa de Médici
Nascimento c. 1453
  Monterotondo, Estados Papais
Morte 30 de julho de 1488 (35 anos)
  Florença, República Florentina
Filho(s) Lucrécia (1470-1553)
Pedro (1472-1503)
Madalena (1473-1519)
Beatriz (1474)
Papa Leão X (1475-1521)
Luisa de Médici (1477-1488)
Antônia de Médici (1478-1515)
Juliano II de Médici (1479-1516)
Pai Jacopo Orsini
Mãe Madalena Orsini

Clarice Orsini (Monterotondo, c. 1453 - 30 de julho de 1488), foi a esposa de Lourenço de Médici e mãe do Papa Leão X. Filha de Jacopo (Giacomo) Orsini, Senhor de Monterotondo e de Bracciano e sua esposa Madalena Orsini. Nasceu nos Estados Pontifícios, ela é mais conhecida por ter sido mulher de Lourenço de Médici, de facto governante da República Florentina. Foi mãe do Papa Leão X.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lourenço e Clarice casaram-se por procuração a 7 de fevereiro de 1469 e houve uma celebração que durou quatro dias.[1] O casamento foi arranjado pela mãe de Lourenço, Lucrezia Tornabuoni, que desejava que o seu filho mais velho se casasse com uma mulher da nobreza, a fim de melhorar o estatuto social dos Médici.[1] A sua união era algo rara na época uma vez que Lourenço e Clarice tinham quase a mesma idade.[1] O dote de Clarice foi de 6.000 florins e esta chegou a Florença a 4 de junho de 1469.[2]

A natureza política deste casamento fazia com que Clarice fosse chamada por cada lado da sua família para influenciar o outro.[1] Tal incluiu Lourenço ajudar Rinaldo, o irmão de Clarice, a ser nomeado Arcebispo de Florença.[1] Clarice ajudava ainda pessoas da região a fazer chegar os seus pedidos ao seu marido, que incluíam diminuir impostos e libertar familiares da prisão ou do exílio. Clarice usava ainda a sua rede de conhecimentos para conseguir informações sobre acontecimentos políticos e militares distantes.[1]

A sua popularidade era bastante débil devido à sua estrita personalidade religiosa que se encontrava em profundo contraste com os ideais humanistas da época.[3] No entanto, existem fontes e cartas que sugerem que havia um grande carinho e respeito entre ela e Lourenço, apesar de este ter uma amante, Lucrezia Donati, a quem dedicaria os seu poemas.[4] Dos dez filhos nascidos do casal, três faleceram na infância.

Durante a Conspiração dos Pazzi, que visava assassinar Lourenço e o seu irmão Juliano de Médici, Clarice e os seus filhos foram enviados para Pistoia. Neste período, os Pazzis conseguiram assassinar Juliano, porém Lourenço sobreviveu ao ataque, assim o plano dos conspiradores de substituir os Médici enquanto governante de facto de Florença, falhou.[3]

Clarice regressou a Roma inúmeras vezes para visitar os seus parentes, assim como Volterra, Colle di Val d'Elsa e Passignano sul Trasimeno entre outros locais da época, em 1480. Nestes locais era recebida como uma representante do seu marido, algo invulgar naquela época.

A 30 de julho de 1488 Clarice Orsini faleceu inesperadamente de tuberculose em Florença e foi enterrada dois dias depois.[1] O seu marido não estava presente quando ela morreu, nem no funeral uma vez que estava bastante doente e encontrava-se em Bad Filetta a receber tratamentos.[1] Numa carta ao Papa Inocêncio VIII, Lourenço escreveu que sentia muito a falta da mulher.[5]

Descendentes[editar | editar código-fonte]

O casal teve dez filhos, alguns dos quais tiveram fundamental importância sobre a história do Renascimento e de Florença;

Provavelmente o fato de Clarice ser uma Orsini era, juntamente com a riqueza da família Médici, tornou possível que João fosse nomeado cardeal e mais tarde Papa Leão X em 1513.

As crianças foram educadas por Angelo Poliziano durante algum tempo.[1] Em 1478, este queria ensinar-lhes humanismo, latim e grego, mas Clarice insistiu que as suas lições deviam ser mais religiosas e dadas em italiano.[1] Ela também retirou a família e o professor de Florença após o susto com a conspiração dos Pazzi, algo que irritou o professor.[1] Em maio de 1479, Clarice tentou despedir o professor devido a uma alteração no programa de estudos, mas Lourenço continuou a pagar-lhe.[1]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Marcello Vannucci, Las mujeres Médici, Newton Compton Editores, Roma 1999, ISBN 88-541-0526-0