Conquista do Reino de Valência

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Cronologia da Conquista do Reino de Valência, incluindo as agregações feitas ao longo do século XIX.

A Conquista de Valência (em árabe بلنسية; Balansiya) foi o conjunto de manobras militares que levaram a anexação da Taifa de Valência à Coroa de Aragão.

Entre 1229 e 1245, apenas dezesseis anos, a Coroa de Aragão conseguiu a conquista de grande parte do que seria o Reino de Valência.

História[editar | editar código-fonte]

A partir do sucesso conseguido por umas campanhas militares empreendidas a nível particular por nobres aragoneses, Jaime I empreendeu a conquista das Taifa de Valência.

Fases[editar | editar código-fonte]

A reconquista do que posteriormente seria o reino de Valência começou em 1232, com a tomada de Morella. No ano seguinte, em Alcañiz, foi planeada a campanha, que consistiria de três etapas:

  1. Uma primeira fase que comportou a conquista das comarcas setentrionais, com a conquista de Burriana em 1233 e de Peñíscola.
  2. A segunda fase, seguindo direção a sul, até ao rio Júcar. El Puig foi tomada em agosto de 1237. Depois do fracasso da esquadra enviada pelo rei de Tunis em auxílio de Valência, as capitulações foram assinadas a 28 de setembro, com o rei a entrar na cidade de Valência a 9 de Outubro de 1238.
  3. Com a terceira fase, de 1243 a 1245 chegou-se aos limites estipulados no tratado de Almizra em 1244, entre Jaime I e o infante Afonso de Castela, para delimitar as áreas de expansão sobre o território muçulmano entre Castela e a Coroa de Aragão.
As terras a sul da linha Biar-Villajoyosa ficaram reservadas para Castela (incluindo o reino de Múrcia), sendo incorporadas no reino de Valência por Jaime II de Aragão depois da Sentença Arbitral de Torrellas em 1304 e do tratado de Elche em 1305. Nesta última etapa e nos anos seguintes, Jaime I teve de fazer frente às diversas revoltas da população mudéjar, encabeçadas por Al-Azraq.

O reino de Múrcia foi conquistado também por Jaume I. Mas não seria até a época de Jaime II (sentença Arbitral de Torrellas, de 1304) que os territórios de Alicante e Orihuela foram anexados ao reino de Valência.

Distribuição do território e repovoamento[editar | editar código-fonte]

Em 1239, o Conquistador obteve um grande triunfo sobre a nobreza aragonesa ao converter as terras conquistadas de Valência num reino diferenciado, unido à Coroa de Aragão. Respeitou os seus usos e costumes e estabeleceu tribunais locais (els Furs, "os Foros"), já que esta cidade considerava os territórios vizinhos como um prolongamento dos seus senhorios. Isto provocou uma reação irada dos nobres, que viram-se assim impossibilitados de prolongar os seus domínios para as terras valencianas.

O Llibre del Repartiment fornece informação sobre muitos aspectos do povoamento e da maneira como se distribuiu o território conquistado. Os repovoadores procediam da Catalunha, Aragão e de outros países europeus.

A população muçulmana que não fugiu foi estabelecida nas terras montanhosas do interior, onde continuou sendo majoritária ao longo de toda a Idade Média.[1] Se bem que, outras fontes consideram que a população muçulmana, a cristã moçárabe e a judaica que vivia no reino de Valência e não se marchou com Zayyan, continuou vivendo e trabalhando no ambiente onde viviam, se bem que submetidos às novas hierarquias. Acredita-se que no Reino de Valência residiam 200.000 habitantes e as fontes mais ambiciosas calculam que uns 50 000 marcharam das suas terras, pois o pacto entre Jaime I e Zayyan estipulava na capitulação que os residentes poderiam seguir sem que ninguém os molestasse. A repovoação seria, segundo o professor Antonio Ubieto Arteta, de duas ou três mil pessoas, na sua maioria aragoneses, se bem que, ao ser uma cruzada, pudesse haver entre os repovoadores gentes de toda Europa.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. BOLÒS, Jordi: Dicionari de la Catalunya medieval (ss. VI-XV). Ed. 62, Col·lecció El Cangur / Diccionaris, núm. 284. Barcelona, abril de 2000. ISBN 84-297-4706-0, planos 255-256.