Crise de Consciência

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Crise de Consciência
Autor(es) Raymond Victor Franz
País EUA
Editora Commentary Press
Lançamento 1983
Páginas 420

Crise de Consciência é o primeiro livro de Raymond Franz, ex membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, que havia deixado o movimento em 1979 [1], publicou o livro em inglês em 1983 pela editora Commentary Press de Atlanta, EUA, e em português do Brasil pela Editora Hagnos, São Paulo, em 2002. Esta edição atualmente está esgotada, mas o livro está disponível em formato eletrônico, na página oficial da editora. O livro foi atualizado e revisado 4 vezes, com edição final em 2004.Foi traduzido para checo, dinamarquês, holandês, francês, alemão, italiano, japonês, polonês, Português, russo, espanhol e sueco. Segundo alguns autores, é um importante livro de exposição sobre o funcionamento da Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião [2] [3]

Visão Geral[editar | editar código-fonte]

Apresenta o relato dos quarenta anos do ministério de tempo integral de Raymond Franz, ao serviço da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA), incluindo os 9 anos que serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Segundo os editores é "uma visão penetrante do conselho supremo de uma religião e seu dramático poder sobre vidas humanas". Afirma explicar documentadamente o funcionamento das reuniões da liderança da religião, e como seriam tomadas as suas decisões. O simples fato de uma Testemunha de Jeová possuir este livro supostamente pode resultar numa ação judicativa.

As credenciais de Raymond Franz[editar | editar código-fonte]

Sobre sua família e sua efetiva atividade entre as Testemunhas de Jeová, Raymond Franz descreve:

Meu pai e minha mãe (e três dos meus quatro avós) eram Testemunhas, tendo meu pai sido batizado em 1913, quando as Testemunhas eram conhecidas simplesmente como Estudantes da Bíblia. Só me tornei uma Testemunha ativa depois de completar dezesseis anos de idade. Embora ainda na escola, já há muito tempo eu gastava de vinte a trinta horas por mês no “testemunho” de casa em casa, ficando de pé nas esquinas das ruas com revistas e distribuindo panfletos, enquanto usava cartazes que diziam: “A Religião é um laço, a Bíblia diz por quê. Sirva a Deus e a Cristo, o Rei.” [4]

Sobre o batismo e as perseguições nos Estados Unidos em 1940:

Fui batizado em 1939 e, em junho de 1940, tendo me graduado na escola secundária, ingressei imediatamente no serviço de tempo integral da atividade de testemunho. Esse foi um ano turbulento para o mundo e para as Testemunhas de Jeová. A 2ª Guerra Mundial havia começado, a obra das Testemunhas de Jeová veio a estar sob proscrição em vários países e centenas de Testemunhas de Jeová foram presas; nos Estados Unidos, filhos de Testemunhas de Jeová estavam sendo expulsos da escola por se recusarem a saudar a bandeira (visto por elas como uma forma de adoração de imagem); a posição de neutralidade das Testemunhas para com a guerra inspirava quase sempre antagonismo violento por parte dos que se orgulhavam de sua lealdade e patriotismo; ataques de turbas enfurecidas estavam começando a se espalhar. [5]

Sobre a fiel crença nas pregações de Joseph Rutherford

Naquele verão [1940].. o Juiz Rutherford indicou que ‘esta deveria ser a última assembléia que teríamos antes de romper a grande tribulação’. Quando veio o outono de 1940 e guardei minhas roupas de verão, lembro-me de ter pensado que, provavelmente, jamais as pegaria novamente — que o Armagedom teria vindo ou estaríamos todos então em campos de concentração, como muitas Testemunhas na Alemanha Nazista. [6]

Ainda sobre o mesmo tema, Raymond Franz alguns meses mais tarde, enquanto esperava a proximidade do Armagedom, "ficou estupefado" quando seu tio, Fred Franz, "falar ao contrário" e sugerindo a assinatura da revista A Sentinela "não precisava fazê-la por apenas seis meses — poderia fazê-la por um ano inteiro ou dois anos, se quisesse!’ [7]

Cita o pavoroso fanatismo quando pregador da mensagem dos Testemunhas de Jeová, jovens de um campo de mineração gritavam "negadores do inferno, enquanto passávamos" e "estava feliz por fazer parte de uma organização livre de tal intolerância". [8]

Na idade de 19 anos comenta a pregação de Rutherford em tom paternal, onde foi doado um exemplar do livro intitulado Filhos, e no livro é apresentado que "Podemos bem adiar o nosso casamento até que a paz duradoura venha à terra. Agora nada devemos acrescentar às nossas tarefas, mas estejamos livres e equipados para servir ao Senhor." [9] [10], reunião esta citada pela revista A Sentinela de 15 de dezembro de 1941:

Ao receber o presente [o livro Filhos], as crianças enfileiradas seguravam-no junto a si, não como um brinquedo ou passatempo para o prazer ocioso, mas como o instrumento provido pelo Senhor para a obra mais eficaz nos meses que restam antes do Armagedom. [11] [12]

Assim creu e em 1942 vivia num trailer com outras jovens testemunhas em Wellston (Ohio), Ohio, como "pioneiro especial" [13] onde a alimentação diária se compunha "geralmente de batata cozida, margarina e pão dormido" [14], tendo sido submetido algumas vezes à prisão nesta cidade, e o trailer fora virado por intolerantes religiosos. [15] Estava tão acostumado em padecer pela que pregava que ao passar cinco noites, em 1944, em "Bete Sarim", uma residência de classe alta da organização religiosa, em São Diego, Califórnia, refletiu, a época, porque um pregador das Testemunhas de Jeová iria querer "alojar-se lá" em tamanho luxo,[16] pois cria fielmente no breve Armagedom. Na preparação em 1946 por Nathan Knorr, quando estavam sendo ele e outros preparados para supervisores a serem enviados a diversos países a norma era: A perca do celibato significava perda da designação. Dali seguiu para Porto Rico onde sofreu com ataques de disenteria, seguidos de infecção paratífica. [17]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

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Por descrever, entre outras coisas, o funcionamento interno do conselho máximo de um grupo religioso, o livro é alvo de muitas controvérsias. As reuniões de tal conselho são secretas e nem todos os fatos relatados podem ser comprovados por evidência externa.

Os defensores apontam que o livro alcançou a distribuição de mais de cem mil exemplares, e sinopses dele apareceram em revistas noticiosas tais como a Time, dos Estados Unidos. Tal publicidade desfavorável ao Corpo Governante e à Sociedade Torre de Vigia não ficariam impunes caso fossem falsidades. Nunca houve um processo judicial contra o autor por calúnia ou manipulação de fatos, o que certamente ocorreria caso o livro não passasse de uma coletânea de mentiras - embora a falta de interesse, da organização, em processos judiciais dessa natureza seja, por muitos, conhecida.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Revista Christianity Today de março de 2001
  2. Penton, M. James (1985). Apocalypse Delayed: The Story of Jehovah's Witnesses. Toronto: University of Toronto Press. pp. 149, 401. ISBN 0802079733.
  3. Crompton, Robert (1996). Counting the Days to Armageddon. Cambridge: James Clarke & Co. pp. 8. ISBN 0227679393.
  4. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 11 - ISBN 85-88234-36-X
  5. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 13 - ISBN 85-88234-36-X
  6. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 14 - ISBN 85-88234-36-X
  7. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 15 - ISBN 85-88234-36-X
  8. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 16 - ISBN 85-88234-36-X
  9. livro Filhos, página 283.
  10. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 17 - ISBN 85-88234-36-X
  11. Revista A Sentinela (em inglês) de 15 de dezembro de 1941
  12. citado no livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 17 e 18 - ISBN 85-88234-36-X
  13. Nota: Franz afirma que recebia a designação especial por ser representante em tempo integral e receber uma mesada mensal de 15 dólares
  14. Nota: Raymond afirma que a compra do pão dormido saía pela metade do preço
  15. citado no livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 18 e 19 - ISBN 85-88234-36-X
  16. citado no livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 19 e 20 - ISBN 85-88234-36-X
  17. Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 20 - ISBN 85-88234-36-X
  18. Comentário do Doutor em Teologia Ingemar Linder (Dagen, Estocolmo, Suécia) registrado na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 858823436X
  19. Comentário aposto na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 85-88234-36-X
  20. Comentário anotado na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 85-88234-36-X
  21. Nota: Comentário registrado na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 85-88234-36-X
  22. Comentário registrado de críticos na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 85-88234-36-X
  23. Comentário do Dr. Desmond Ford, ex-teologo dos Adventistas do Sétimo Dia e Professsor do Pacific Union College registrado na contra capa do livro de Raymond Franz, Crise de Consciência, Editora Hagnos, SP, 2008, pág. 520 - ISBN 85-88234-36-X

Ligações externas[editar | editar código-fonte]