Crocopato

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PZ Mayers e sua gravata ao estilo "crocopato".

O termo Crocopato refere-se inicialmente a um crocodilo presente em uma história infantil que, nascido de um ovo acidentalmente misturado aos de uma pata, cresce entre a prole de pintinhos co-nascidos.

Crocopato refere-se também a uma quimera com corpo de pato e cabeça de crocodilo. A figura deste é muito recorrente em debates envolvendo defensores da teoria da Evolução Biológica e os defensores do criacionismo, sendo usado como símbolo da não compreensão por parte dos últimos dos pressupostos básicos da teoria defendida pelos primeiros.

Defensores do criacionismo alegaram - exibindo pela primeira vez a caricatura da correspondente quimera - que a não existência de tal criatura na natureza constituiria fato relevante e suficiente contra a evolução.

Segundo a alegação dos defensores da teoria da evolução, contudo, "As espécies modernas compartilham ancestrais comuns, mas não são descendentes umas das outras [em alusão à comum frase proferida por criacionistas de que os humanos descendem dos macacos atuais], tão pouco de rudes quimeras, e patos portanto não são descendentes de crocodilos".

Não obstante contudo, embora o crocopato não seja real, os defensores do criacionismo parecem ignorar a existência de animais bastante exóticos, animais que, aos olhos de leigos, certamente configuram quimeras; a exemplo o ornitorrinco.

Origens[editar | editar código-fonte]

A palavra crocopato[1] figura pela primeira vez em uma história de criança onde um crocodilo cresce em meio a uma família de patos. Nesta versão moderna da conhecida história do Patinho Feio, de autoria do escritor e desenhista tailandêsChih-Yuan Chen, um ovo de crocodilo rola para o interior de um ninho de patos, e o filhote que nasce acaba sendo criado em meio a uma prole de patinhos co-nascidos. Este cresce como um crocopato, pensando ele que "não é um crocodilo mau", contudo "não exatamente um pato, também".

Reconstrução artística do velociraptor mongoliensis, exibindo largas asas com penas, conforme sugerido pelas estruturas de sustentação de penas encontradas nos registros fósseis. Muitos dinossauros têm características inerentes a aves e répteis em virtude de sua ancestralidade comum (Archosaur)

O termo foi posteriormente utilizado por criacionistas para afirmar que a ausência de uma quimera meio crocodilo meio pato invalida a teoria da evolução biológica, um argumento que rapidamente tornou-se um tema popularmente usado para ridicularizar incompreensões explicitas associadas à teoria da evolução.

Em 2007 os criacionistas Kirk Cameron e Ray Confort participaram de um debate televisivo, parte do qual foi ao ar no programa ABC Nightmare, sobre a existência de Deus. Confort disse que eles produziram imagens compostas do que "nós imaginamos ser uma genuína forma de transição inter-espécies". Nos nomeamos um "crocoduck" [crocopato] e o outro foi nomeado "birddog" [cão-pássaro]. Isto para mostrar exatamente o que a evolução propõe, mas estes nunca foram encontrados nos registros fósseis". A figura composta que apresentaram exibia uma quimera com corpo de pato e cabeça de crocodilo.

Esta afirmação foi amplamente divulgada e ridicularizada como um exemplo de equívoco criacionista. No The greatest show on Earth: Evidence to Evolution" [O maior espetáculo na Terra: evidência para a Evolução] , o cientista pro-evolução Richard Dawkins introduziu uma seção nomeada "Show me your crocoduck!" [Mostre-me seu crocopato!] no qual ele acabou por comparar o crocoduck com outra quimera então presente em uma pergunta feita por um criacionista quanto à inexistência de um fóssil de transição entre os anfíbios e os mamíferos, então noemado "fronkey" [sapo-macaco], e os descreveu como derivados de uma crassa incompreensão da teoria da evolução: "As espécies modernas compartilham ancestrais comuns, mas não são descendentes umas das outras [em alusão à comum frase proferida por criacionistas de que os humanos descendem dos macacos atuais], tão pouco de rudes quimeras, e patos portanto não são descendentes de crocodilos", ou vice-versa.

Fizeram-se também gravagas com uma ilustrações do crocopato, de autoria do desenhista de páginas eletrônicas Josh Timonen, em comemoração à data de aniversário deste equívoco. Dawkins afirmou que "Há apenas duas em existência. PZ [Mayers] traja uma. Estou contente em dizer que estou com a outra." As gravatas do Crocopato fizeram proeminente aparicão no episódio "The Colbert Report".

Reconstrução artística do Anatosuchus mostrando seu focinho chato (com dentes) e sua postura de andar ereto.

Em 2009 novos fósseis de ancestrais crocodilianos foram encontrados, incluindo um com focinho plano em muito similar a um bico de pato. Contudo, possuindo dentes, este certamente é um crocodilo e não uma quimera. O gênero associado foi cientificamente nomeado Anatosuchus, ou, em tradução literal, patocroco: membros deste grupo possuem pernas que lhe permitiam andar sobre o solo e não apenas rastejarem, como fazem os crocodilos modernos.

Prêmio virtual Crocopato de Ouro[editar | editar código-fonte]

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O Prêmio Crocopato de Ouro, ou, em língua anglófona, "The golden Crocoduck Award", é um prêmio virtual atribuido anualmente desde 2008 por votação livre aberta ao público com acesso à rede mundial de computadores ao divulgador das idéias criacionistas que "mais e melhor violou o nono mandamentocristão" [2] ao proferir incoerências e falácias lógico científicas em nome da divulgação de suas crenças.

Tem seu nome fundado em uma paródia a um argumento frequentemente utilizado pelos criacionistas para afirmar a invalidade da Teoria da Evolução: a inexistência de animais híbridos -segundo eles, os verdadeiros animais de transição - como um animal meio réptil meio símio, ou meio peixe meio réptil, ou especificamente no caso, um animal meio pato, meio crocodilo, seria uma evidência da incoerência da teoria da evolução.

Referências

  1. O texto que se segue é fundado em tradução do correspondente artigo crocoduck conforme gravado na wikipedia anglófona em 30 de dezembro de 2010 às 10:43. As referências encontradas no citado artigo aplicam-se também a este, portanto.
  2. "Não darás falso testemunho."

Ver também[editar | editar código-fonte]