Falácia do espantalho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A falácia do espantalho é uma falácia informal em que o debatedor ignora referentes (significados) do posicionamento do adversário, substituindo tudo por uma versão mais ou menos distorcida que não representa o que de fato seu adversário defende.[1][2] Essa falácia se produz propositalmente ou não. Em todo caso, facilmente pode estar ocorrendo uma ânsia por tornar o argumento do adversário mais fácil de refutar.

Se a distorção aconteceu por acidente, de forma não-intencional, terá sido por que o debatedor que a produziu realmente não entendera o argumento de seu oponente.[2]

Na prática, a falácia consiste em o atacante refutar um argumento (espantalho) fabricado por ele mesmo. Fica a sensação de vitória, para a platéia, enquanto que a realidade do argumento original, aquilo que o adversário realmente defende, nem sequer foi tocada.[2] Para alguém que não esteja familiarizado com o argumento original, que não esteja ciente da sua significação completa, tal "ilusionismo" de golpes no argumento espantalho será percebido como uma refutação válida do argumento original.[2]

Formato[editar | editar código-fonte]

Uma formulação para a falácia do espantalho é a seguinte:[1]

  1. Pessoa A defende argumento X
  2. Pessoa B ataca argumento Y como se atacasse X
  3. Na verdade, Y é uma distorção de X

Exemplo[editar | editar código-fonte]

Não raro, este tipo de falácia aparece em debates de interesse público, social ou político. Por exemplo, em discussões sobre a legalização ou a proibição de alguma coisa.

Vejamos um caso hipotético:

  • Pessoa A defende: "Nós deveríamos ter leis menos rígidas em relação ao consumo de cerveja."
  • Pessoa B ataca: "Não. Pois toda sociedade com acesso irrestrito a bebidas alcoólicas acaba perdendo qualquer senso ético e termina arruinada."

A proposta original (da pessoa A) era apenas de sermos menos rígidos em relação à cerveja. Mas a pessoa B, de boa-fé ou não, transforma isso numa proposta de "liberar geral", ou seja, de não haver nenhuma espécie de restrição no tocante ao consumo de cerveja; e mais ainda: refere-se a "bebidas alcoólicas" quaisquer, assim não se limitando a tratar de cerveja mas também incluindo sorrateiramente entre as noções da conversa, por exemplo, bebidas destiladas com altíssimo teor alcoólico.

Homem de palha?[editar | editar código-fonte]

Uma difamação injusta do adversário, ou seja, que falte com a verdade sobre ele, por mais que pareça se encaixar como crítica ad hominem, será em primeiro lugar uma falácia do espantalho, exatamente por fabricar um "homem de palha", que não é o real.

Atribuir equivocadamente rótulos difamatórios tais como o de "fascista" ou de "nazista" é fabricar homem de palha, é usar a falácia do espantalho. Assim como também o é fazer equivalerem a conduta do líder e a conduta de alguns supostos liderados.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Algumas falácias relacionadas:

Referências

  1. a b Nizkor, Fallacy: Straw Man
  2. a b c d Skepdic, Critical Thinking mini-lesson 9 [em linha]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre lógica é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.