Petitio principii

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A expressão latina petitio principii ("petição de princípio") é uma retórica falaciosa que consiste em afirmar uma tese que se pretende demonstrar verdadeira na conclusão do argumento, já partindo do princípio que essa mesma conclusão seja verdadeira em uma das premissas.[1]

Também transformar a conclusão numa premissa é um petitio principii.

Exemplo 1:

Todo cara lindo como eu gosta de fazer as coisas que eu faço, ora, eu gosto de fazer as coisas que eu faço, logo eu sou um cara lindo.

(percebe-se que a conclusão já estava contida de algum modo na premissa)

Exemplo 2:

Carlos é um bom homem pois doa dinheiro a mendigos, e todo indivíduo que doa dinheiro a mendigos é um bom homem.

(percebe-se que a conclusão já estava contida na premissa, de modo que a conclusão, então, mais uma vez, nada demonstrou)

Exemplo 3:

A bíblia diz a verdade pois é a palavra de Deus. (petitio principii 1). E a bíblia é a palavra de deus pois a bíblia diz a verdade (petitio principii 2).

E a bíblia existe porque é a palavra de Deus. E a palavra de deus existe porque é a verdade (petitio principii 3). E a verdade existe porque é a palavra de Deus. E a palavra de Deus existe porque Deus existe (petitio principii 4). E Deus existe porque está escrito na bíblia. E a bíblia é a palavra de Deus, pois isso é dito na bíblia (petitio principi 5).

(nesse caso a falácia ocorreu várias vezes, uma dando suporte à outra, mas sempre colocando conclusões nas premissas, de tal forma que nunca se demostra como válida conclusão alguma, apenas se faz um rodízio de afirmações não provadas onde uma supostamente estaria suportando a outra, porém como nenhuma dessas conclusões foi demonstrada como válida, logicamente nenhuma das premissas também é válida - pois se fez das premissas as conclusões. Então, nesse caso, como as premissas são também as próprias conclusões, percebe-se que nenhuma das conclusões [que também foram usadas como premissas] foi demonstrada como válida).

Outra forma de petitio principii é inverter os significados da conclusão com a premissa. (Após um assalto a mão armada, uma das vítimas pergunta para o parceiro assaltado: Por que você entregou nosso passaporte junto com o dinheiro? Porque ele é um viajante. Mas ele não pediu passaporte. Por que acha que ele é viajante? Porque ele tem um passaporte.[1]

A falácia permeia-se em presumir de forma cíclica, até chegar a uma conclusão inválida que está interligada à premissa. A inferência não é inválida, e a estrutura lógica é aceitável, o equívoco se fundamenta na solidez da presunção. Por isto é considerado uma falácia de presunção.

Estrutura lógica[editar | editar código-fonte]

  • Declarando A verdadeiro
  • Declara-se não-A não verdadeiro

Exemplos[editar | editar código-fonte]

  • Laranja é a cor mais bela de todas, então está decidido que os condôminos devem escolher o laranja para a pintura dos apartamentos.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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