Darshan

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O termo darshan deriva da raiz sânscrita "drsh", que significa "ver", e é utilizado em referência às ocasiões em que alguém se coloca diante de um guru ou uma deidade e é agraciado com o compartilhamento do ver[1]. Visão, nesse contexto, está relacionada não ao sensorial, mas à realização da verdade.

Segundo Osho, "o significado de 'darshan' é a experiência da verdade. A busca pela verdade é sempre feita em dois caminhos. Um é 'pensando' e o outro é 'realizando' ou experienciando isso. O caminho do pensar é circular - há muito pensamento, mas você chega a lugar nenhum. Aqueles que seguem o caminho do pensamento se perdem em várias doutrinas e crenças ou teorias. A crença e a verdade são absolutamente diferentes. As doutrinas são conceitos intelectuais e a verdade é a experiência mais profunda. Teorias e conceitos mudam, mas a verdade nunca pode mudar."[2]

Ainda em diferenciação entre o ver e o pensar para se chegar à verdade, Osho diz:

"Filosofia significa pensar, e darshan significa ver. Ambos são basicamente diferentes; não só diferentes, mas diametralmente opostos. Porque quando você está pensando, você não pode ver. Você está tão cheio de pensamentos que a percepção é turva, a percepção está nublada. Quando o pensamento cessa, você se torna capaz de ver. Então seus olhos são abertos, eles tornam-se sem nuvens. A percepção só acontece quando o pensamento cessa.(...)

Assim, a verdade é alcançada através de uma certa experiência existencial. É existencial, não mental. Você deve mudar para conhecê-la e sê-la. Se você permanecer o mesmo e continuar colecionando informações, você se tornará um grande estudioso, um filósofo, mas você não será iluminado. Você permanecerá o mesmo homem; não terá havido mutação."[3]

Do mestre ao discípulo[editar | editar código-fonte]

Darshan, o ver que é possibilitado pelo mestre àquele que se coloca diante dele, se trata do verdadeiro autoconhecimento, do reconhecimento de sua natureza essencial ou natureza búdica. Para tanto, se é proposta a observação - como orientou Buda - a fim de descobrir quem ou o que é isso que observa; o mesmo feito por Ramana Maharshi, que propôs tal verificação por meio da auto-indagação através da questão "Quem sou eu?". Nisso reside a importância do mestre, aquele que vê e compartilha e/ou possibilita a visão, desfazendo equívocos, mitos e crenças e promovendo o apontamento direto para a Verdade.

Satyaprem, mestre brasileiro, diz sobre o ver:

"Os indianos chamam de 'Satchitananda', aquele transbordamento que acontece quando você olha e vê que você não cabe dentro de si mesmo.

O corpo transborda através dos olhos, lágrimas correm, há um transbordamento – afinal, não tem como conter Aquilo que você verdadeiramente é, dentro desse corpo mínimo.

Estamos falando de 'reconhecimento'.

Quando você não faz vista-grossa, pode notar o seu corpo andando, falando, sentindo, comendo...

Você simplesmente nota, observa, tudo isso acontecendo.

Você é aquele que vê, você não é aquele que come, que anda, que chora...

A partir desse reconhecimento, você anda sem andar, senta sem sentar, come sem comer...

Seu nome é Observação e seu sobrenome é Paz.

E aquele que Observa não se importa nem se desimporta com o que está sendo observado, ele apenas observa, sem a menor interferência no destino do corpo ou da mente."[4]

E ainda:

"Existe uma possibilidade de engano nesse 'processo' de auto-indagação. Ao fazer a pergunta 'Quem sou eu?' para si mesmo, você tenta ver algo, você tem ideia de que vai conseguir uma resposta palpável, um objeto. Mas não é possível que você veja a resposta, porque a resposta é aquilo que está vendo. Apenas veja que você é aquilo que Vê. E não se engane, pois isso não pode ser visto, mas a Consciência está consciente de si."[5]

Outros autores[editar | editar código-fonte]

O indiano Sadhguru Jaggi Vasudev diz:

"Se você quer saber algo, você deve se tornar isso, não há outra maneira de conhecê-lo. Se você quer conhecer o amor, você deve se tornar isso. Se você quer saber a verdade, você tem que se tornar isso. Essa é a única maneira. Só quando você se tornou isso, você tem uma experiência disso, senão você só tem uma definição disso. Não é algo que você pode fazer, é algo que você pode se tornar. Não é um truque, de alguma forma conseguir algo, não - você tem que se tornar isso. 

Se você contemplar, ele se tornou uma parte de você. Quando você permitir que ele se torne um todo em você, é apenas uma questão de quando você vai se tornar em nada. Então, se você quer saber, você tem que se tornar isso. Se você tem que se tornar isso, o que você já se tornou tem que ir, só então você pode se tornar algo mais do que você é. Esta não é uma adição. Esta é uma invasão completa.(...)

Então, se darshan tem que acontecer, você tem que tomar o máximo de abertura em você. Então, se você é tão meditativo que você não está absolutamente lá, você é uma casa vazia - se você é uma casa vazia, essa é uma ótima maneira de ver."[6]

Alan Watts, no livro "Budismo: a religião da não religião", relaciona o termo darshan ao apontamento de Buda:

"A primeira fase do caminho óctuplo das 'quatro nobres verdades' é composta por três elementos, a visão correta, a decisão correta e a fala correta. A visão correta - ou drishti samyak - está relacionada com darshan samyak, o que significa 'ponto de vista' ou 'visão'. Quando se vai visitar um grande guru ou mestre para receber darshan, você olha para ele e oferece sua reverência diante dele. Darshan tem muitos significados, mas, em última análise, significa simplesmente ver ou olhar para a visão."[7]

Sivaya Subramuniyaswami define:

"O conceito de darshan vai além do devoto vendo o guru. Envolve também o guru vendo o devoto. Os hindus acreditam que quando você se encontra na presença do guru, que ele o vê e, por conseguinte, conhece você e seus karmas, é outra graça. Portanto darshan é uma faca de dois gumes uma rua de mão dupla. É o processo de ver e ser visto. O devoto está vendo e, naquele momento, está trazendo as bênçãos de satguru, swami ou sadhu. Por sua vez, ele está vendo o devoto e sua localização divina no universo. Ambos ocorrem em um mesmo momento, e esse momento, assim como uma visão, torna-se mais forte à medida que os anos passam, não como a imaginação, que desvanece. É uma experiência espiritual que sempre cresce. O sentimento de separação é transcendido, então há uma unidade entre ver e ser visto. Este é o monoteísmo, este é Adaita Ishvaravada. Cada um está vendo o outro e momentaneamente sendo o outro."[8]

Referências

  1. «Mini dicionário de sânscrito» (PDF). Universidade Estadual de Feira de Santana 
  2. Urmila, Ma Anand. The Inward Journey in Osho Guidance (em inglês). [S.l.]: Diamond Pocket Books Pvt Ltd. ISBN 9789352612956 
  3. «Darshan - Philosophies - Thinking? - Osho Online Library». OSHO | Meditation - Mindfulness and the Science of the Inner 
  4. «Satyaprem Diario ~ Brasil, 05/11/2013». satyaprem.com. Consultado em 31 de março de 2017. 
  5. Satyaprem. «o ver vendo o ver | Satyaprem Blog». satyaprem.com. Consultado em 31 de março de 2017. 
  6. «Sadhguru Darshan - Behold the Divine - Isha Yoga Center | Isha Foundation | Sadhguru». www.ishafoundation.org. Consultado em 31 de março de 2017. 
  7. Watts, Alan (15 de outubro de 1999). Buddhism the Religion of No-Religion (em inglês). [S.l.]: Tuttle Publishing. ISBN 9781462901678 
  8. «El poder de Darshan - YOGA EN VALENCIA». yogaenvalencia.blogspot.es. Consultado em 31 de março de 2017.