Mahavira

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Estátua de Mahavira no Rajastão

Mahavira, também conhecido como Vardhamana, foi o vigésimo quarto tirthankara (fabricante de vau) que reviveu o jainismo. Ele expôs os ensinamentos espirituais, filosóficos e éticos dos tirthankaras anteriores da remota era pré-védica. Na tradição jainista, acredita-se que Mahavira nasceu no início do século 6 aC em uma família real Kshatriya na atual Bihar, na Índia. Ele abandonou todos os bens do mundo aos 30 anos de idade e saiu de casa em busca do despertar espiritual, tornando-se um asceta. Mahavira praticou intensa meditação e severas austeridades por 12 anos, após o que acredita-se que ele tenha atingido Kevala Jnana (onisciência). Ele pregou por 30 anos e é acreditado pelos jainistas como tendo atingido moksha no século 6 aC, embora o ano varie por seita. Estudiosos como Karl Potter consideram sua biografia incerta; alguns sugerem que ele viveu no século 5 aC, contemporaneamente com o Buda. Mahavira alcançou o nirvana aos 72 anos e seu corpo foi cremado.

Depois de atingir Kevala Jnana, Mahavira ensinou que a observância dos votos de ahimsa (não-violência), satya (verdade), asteya (não-roubar), brahmacharya (castidade) e aparigraha (não-apego) é necessária para a libertação espiritual. Ele ensinou os princípios de Anekantavada (realidade multifacetada): syadvada e nayavada. Os ensinamentos de Mahavira foram compilados por Indrabhuti Gautama (seu principal discípulo) como os Agamas Jainistas. Acredita-se que os textos, transmitidos oralmente pelos monges jainistas, foram em grande parte perdidos por volta do século I (quando foram escritos pela primeira vez). As versões sobreviventes dos Agamas ensinadas por Mahavira são alguns dos textos fundamentais do jainismo.

Mahavira é geralmente descrita em uma postura meditativa sentada ou em pé, com o símbolo de um leão abaixo dele. Sua iconografia mais antiga é de sítios arqueológicos na cidade de Mathura, no norte da Índia, e é datada do século I aC ao século 2 dC. Seu nascimento é celebrado como Mahavir Jayanti, e seu nirvana é observado pelos jainas como Diwali.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Mahavira pertencia à casta guerreira (xátria), sendo o seu pai, Sidarta, o líder de um clã e a sua mãe, Devananda, pertencente à casta dos brâmanes; outras tradições apresentam outros nomes para a sua mãe, como Trishala, Videhadinna ou Priyakarini, colocando-a na casta guerreira.

A narrativa afirma que o Mahavira vivia num ambiente de luxo que mais tarde abandonou, num relato que se assemelha ao da vida do Buda, do qual se julga ter sido contemporâneo. Estes dois homens viveram numa época em que as práticas religiosas tradicionais começavam a entrar em crise; em particular, o sacrifício de animais e o sistema de castas eram postos em causa e quer o Mahavira, quer o Buda, rejeitaram-nos.

Por volta dos trinta anos, Mahavira deixou a sua vida confortável para se entregar a práticas ascéticas na esperança de alcançar a iluminação espiritual. Durante um ano, usou roupa, mas, depois, passou a andar nu, deixou que insetos o atacassem, sofreu ataques físicos e verbais, dormiu em locais inóspitos, praticou jejuns extremos, num período total de doze anos. Teve, também, particular cuidado em não fazer mal a qualquer forma de vida, desenvolvendo, assim, a teoria do ahimsa ou não violência. O Mahavira dedicou as seguintes décadas da sua vida a ensinar às pessoas as suas doutrinas.

Ensinamentos[editar | editar código-fonte]

Mahavira ensinou que os humanos podem libertar-se das partículas que se agregam às suas almas, uma crença do jainismo atual, seguindo uma vida de ascetismo extremo. A tradição afirma que ele recomendou aos seus adeptos que tomassem cinco votos (mahavratas), que são os seguintes:

  1. Ahimsa - não causar mal ou sofrimento a qualquer ser (não violência);
  2. Satya - evitar a mentira;
  3. Asteya - não se apropriar do que não foi dado;
  4. Brahmacharya - não faltar à castidade;
  5. Aparigraha - não se apegar às posses materiais, não ter apego pelas coisas mundanas.

O Mahavira faleceu aos 72 anos, tendo os seus seguidores organizado a religião jaina nos seus moldes actuais.

Referências[editar | editar código-fonte]

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