Discussão:Martin Luther King Jr.

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Sem título[editar código-fonte]

Portugal, No Brasil é muito difundida a Igreja Batista (sem o 'p'), da qual pertenceu M. L. King. Existe tal igreja em Portugal? E, obviamente, é com 'p' mudo... O que fazer?

Escreva de acordo com a ortografia do seu país. Se quiser assinale a ortografia alternativa (se a conhecer) entre parenteses, por exemplo: Igreja Batista (ou Baptista). Tanto quanto sei, na Wikipédia todas as ortografias locais são válidas. --Joaotg 22:33, 26 Jul 2004 (UTC)

--Marcelo Reis 21:37, 27 Jul 2004 (UTC)

Se/quando nós resolvermos adoptar o acordo ortográfico, este problema deixa de existir: passa a "Batista" em todo o lado. --Jorge 22:00, 27 Jul 2004 (UTC)
Não concordo. cada um escreve como entender. Eu, por mim, escreverei sempre Baptista (haja ou não acordo ortográfico), mas não me faz comichão nenhuma ver Batista. Sempre que tenho achado colocar a versão de Portugal tenho-o feito, mas em casos que são realmente necessários (pôr betão ao lado de concreto, por exemplo)... Em termos ortográficos, acho que cada um deve escrever como aprendeu, sem se preocupar com isso... Manuel Anastácio 23:18, 27 Jul 2004 (UTC)

Se/quando o acordo ortográfico for oficialmente implementado, passa a ser incorrecto escrever de outra forma que não segundo o acordo ortográfico. Como a Wikipédia não existe para divulgar coisas incorrectas, nessa altura ninguém deverá "escrever como aprendeu", mas sim no mínimo fazer um esforço para escrever segundo o acordo. Até porque há a questão da imagem. Por exemplo, hoje, quem escreve pharmácia é geralmente considerado analfabeto.

Mas enfim, isto é se/quando o acordo ortográfico for oficialmente implementado. No entretanto, cada um escreve como entender, com clara preferência para aquilo que estiver correcto numa das normas por enquanto em vigor. --Jorge 23:47, 27 Jul 2004 (UTC)

Quando isso acontecer (e não acontecerá, garanto-te), passarei a ser analfabeto e a escrever de forma incorrecta. Nessa altura podem-me expulsar da wikipédia, se quiserem. E, como eu, serão muitos aqueles a ingressar na fileira dos analfabetos... Manuel Anastácio 12:51, 28 Jul 2004 (UTC)

Politicamente correcto[editar código-fonte]

Perdoem a minha ignorância. A palavra negro é politicamente correcta ?

Digo isto porque em inglês negro é depreciativo. No artigo inglês vem sempre "black", por exemplo "black power".

Em alemão só se usa a palavra Schwarz. Neger é altamente ofensivo.

Os espanhóis usam a palavra "negro" sem contenções, mas até agora nunca encontrei argumentos que me convencessem de que os espanhóis são um povo esclarecido, moderno ou politicamente correcto. (Não me façam mais perguntas)

Obrigado --Joaotg 22:33, 26 Jul 2004 (UTC)

No Brasil tentou-se forçar o uso de afro-brasileiro, mas a distinção normalmente se faz entre negro - que não é considerado pejorativo, e preto - aí sim uma injúria. Existe um consenso entre as organizações de defesa do negro no Brasil em usar a palavra negro sem nenhum problema, em convívio com a palavra afro-brasileiro. Veja-se por exemplo [1]. Joel Rufino dos Santos [2] define o que é um negro em oposição a preto: "(...) ser preto no Brasil não é só uma questão de raça, mas de posição social (ser pobre), de localização histórica (descender de escravos) e antropológica (possuir determinada cultura) e, enfim, ser de identidade (ser identificado e se identificar como preto). (...) Muito bem. E se eu não aceitar que esses atributos são negativos? E se eu tiver orgulho de ser escuro, pobre, descendente de escravos e portador de uma certa cultura? Se eu me orgulhar desses atributos, vendo-os como qualidades e não como defeitos, entrarei em conflito com os outros, isto é, me recusarei a assumir a identidade de preto que me querem atribuir. Mas será que posso me recusar a ser preto, se os outros acham que sou? Sem dúvida que posso. Posso ser negro. Negro é o preto que se rebelou contra a definição negativa de preto. Ou como disse certa vez o filósofo Jean Paul Sartre, a propósito da negritude: Preto é uma pedra que lhe atiram; se você atira de volta, será um negro. É por isso, sem dúvida, que os militantes do movimento negro fazem questão de se dizerem negros, recusando apelativos como preto, escuro, moreno, de cor, etc." (In: SANTOS, Joel Rufino dos. O que é um negro? Revista Tempo e Presença, CEDI, no. 220, julho de 1987) Acho que o depoimento de Joel Rufino é bem expressivo, do que sentem os negros brasileiros. Mas concordo que, por ser um projeto internacional, a expressão possa ter caráter ofensivo em Portugal e na África. A decisão fica por conta de vocês... --Marcelo Reis 23:05, 26 Jul 2004 (UTC)

Em Portugal, geralmente, considera-se "preto" de mau gosto e ofensivo - o que vai concorda com o texto do Marcelo. Usa-se negro para um uso pretensamente não ofensivo... A verdade é que conheço pessoas que consideram qualquer uma das expressões ofensivas e adoptam outras, eufemística e de, claramente, mau gosto, como "pessoa de cor" ou "pele escura"... Creio que o problema está mais nas atitudes que nas palavras... Em todo o caso, preto utiliza-se para objectos e negro para pessoas... Parece-me. Manuel Anastácio 23:11, 26 Jul 2004 (UTC)

Obrigado pelos comentários. Acho interessante o que se passa aqui. Caro Marcelo, veja só, naquela homepage que você teve a gentileza de mencionar (a primeira) vem um texto (com o título "Negro é quem foi escravo") de uma antropóloga que falou com pessoas de uma comunidade em Espinho, Minas Gerais. O texto "sugere" (e acho que sugere é mesmo a palavra mais adequada aqui) num estilo pós-moderno, ao jeito de Jacques Derrida, uma associação entre a palavra negro e escravo. Uma associação que é "desconstruída" pelo povo. Muito sofisticado! O desconstrutivismo do povo, por assim dizer. Veja um exemplo:
"O pensamento da comunidade dissocia cor e escravidão para justamente afirmar-se como negra anulando a equivalência simbolicamente construída entre negro e escravo. A utilização do quesito cor é problemático, utilizo-a, porém, respeitando o uso feito pela comunidade". Mirian Ramos


Texto Aqui!


Parece ser mais um exemplo daquela "dialéctica" a que nós latinos parecemos estar condenados. Mas ignorem os meus lamentos. Não sou um apreciador da filosofia Hegeliana e suas ramificações francesas e pós-modernas. De qualquer forma ficou bem claro que a palavra preto no Brasil tem uma associação negativa. A frase "lá até o cuspe é preto" não me deixou muitas margens para dúvidas. Agora não me admira que isto possa ser motivo de mal-entendidos. Uma vez, há já alguns anos, quando estava no Reino Unido, usei a palavra "neger" pelo que me tornei rapidamente o centro das atenções (infelizmente não apreciei, talvez por não ser uma pessoa extrovertida). Tentei explicar que em Portugal a palavra não tinha a mesma conotação que em inglês. Apesar dos olhares desconfiados, fui perdoado, acho. Obrigado pelos comentários, mais uma vez. --Joaotg 09:02, 27 Jul 2004 (UTC)

Aquele texto é uma boa referência (ou paródia) para a actual tendência pós-modernista nas ciências sociais. Anything goes. "O importante é analisar a sociedade com os seus próprios conceitos, seu discurso, seus porquês". Marcelo, parece que as melhores famílias do Rio de Janeiro continuam a submergir na última onda parisiense, como disse Ernest Gellner a propósito de José G. Merquior, não acha ? Hegel achava mesmo (seriamente) que o dialecto suábio (Schwaben) (que coincidentemente ele "dominava") permite um melhor "filosofar" do que outras línguas ou dialectos :-) Um abraço, --Joaotg 12:25, 27 Jul 2004 (UTC)

E o outro texto, desse tal Joel Rufino dos Santos, também denota claramente esta tendência pós-moderna (ou anti-moderna). Veja só: "Modernidade em muitos casos é até sinônimo de barbarismo, de atraso. De forma que é preciso produzir todo o tempo a crítica à modernidade e ao modernismo. Por analogia, isso significa que o conceito de arcaico não é somente negativo. Há coisa positiva no arcaico, no arcaísmo. E eu vou dar um exemplo, a toque de caixa, mas que pode ficar para reflexão. O conceito de pessoa arcaica é, talvez, o único capaz de enfrentar o individualismo barbarizante que caracteriza nossa sociedade. O conceito moderno de pessoa identifica-a como indivíduo. Você, pessoa, existe desde o tempo em que você nasce até o tempo em que você morre. No conceito arcaico de pessoa você é esse espaço de existência entre o seu nascimento e a sua morte, mas é também o seu fundamento, aquilo que existia antes de você e, por sinal, arcaico vem de arqué, o que havia antes do antes, o que havia anterior a tudo. Inclui o que você era antes e o que você será depois que você desaparecer. O conceito de pessoa arcaica, na verdade, define a pessoa como três em um e é o contrário do conceito moderno que fala da pessoa exclusivamente como sendo o indivíduo. Ora, a pessoa como indivíduo é uma das razões da barbárie da nossa sociedade.
Pois bem. A cultura negra, a cultura popular é arcaizante e arcaica, e a característica principal do arcaico é o conceito de pessoa que rapidamente abordei." Joel Rufino dos Santos
A cultura negra é arcaizante e arcaica ? Provocante, não acha ? Enfim, a meus olhos, muito triste. Mas é só a minha opinião. Um abraço, --Joaotg 13:06, 27 Jul 2004 (UTC)
Marcelo, veja só o trecho: "O conceito de pessoa arcaica, na verdade, define a pessoa como três em um e é o contrário do conceito moderno que fala da pessoa exclusivamente como sendo o indivíduo". A pessoa como três em um :-)Isto é mais que dialéctico! Isto é trialéctico! --Joaotg 15:54, 27 Jul 2004 (UTC)

Opinião de um africano branco. Aqui em Moçambique - neste momento - usa-se igualmente as palavras preto e negro. A palavra preto foi "reabilitada" pelo Samora! Claro que as pessoas "educadas" e na imprensa não se usa a palavra preto, a não ser citando alguém. Excepção (se calhar há mais): a antologia de contos moçambicanos editada por Nelson Saúte "As mãos dos pretos".

Aqui as palavras pejorativas são, por exemplo, "madjambene", que é equivalente a "matarruano" em Portugal - e que sempre se usou tanto para pretos, como para brancos! Durante algum tempo, tentou usar-se a palavra "cafre" como pejorativa - é o aportuguesamento da palavra "caffir" que é altamente pejorativa; mais do que "nigger". Eu agora - mas apenas com os meus amigos... pretos e bancos, claro - uso a palavra "changana", que é o nome "oficial" dum grupo étnico e duma língua de cá, para indicar uma atitude "errada". Por exemplo, atender um telemóvel no restaurante, ou numa reunião, ou a conduzir... E a palavra está a pegar.

Pelo exemplo que dei, estão a ver que não tem nada que ver com "cultura popular". Também nesta questão, o Samora tentou, embora sem muito êxito, proibir certos costumes que se podem considerar negativos, arcaicos ou "politicamente incorretos", como o "lobolo" que é um pagamento que um homem faz aos pais da noiva - e que, depois de pago o torna, ao pai, PROPRIETÁRIO dos filhos que nascerem!

Já gora, umas linhas sobre o "black" e o "nigger" nos EUA. Nos anos 80, os negros americanos passaram a designar-se - oficialmente! - "African American". Mas isto está a passar de moda (embora não oficialmente...). Neste momento, os americanos, tanto negros como brancos, principalmente da camada jovem, chamam aos negros "brothers" e às negras "sisters". Depois, ainda há a "geração" rap que está a reabilitar a palavra "nigger"...

Acho que chega...--Rui Silva 14:40, 27 Jul 2004 (UTC)


João, também não sou partidário da redução de toda filosofia a análise do discurso. Deus me livre! Claro que há enorme influência (porque não dizer, contaminação) do pensamento hegeliano em ambos os textos. Talvez Hegel tenha aberto uma caixa de Pandora. O simples conhecimento da dialética gera absurdos por parte de pensadores que tentam forçar uma dialética e, não duvido nada, uma trialética :-) Porém prefiro encarar a restrição do Joel Rufino como um voto contra a integração forçada do negro em um mundo que não lhe diz respeito — por opção do próprio negro. Uma rejeição (evitarei usar 'negação') da aculturação. Se ele exagerou um pouco nisso e expandiu-se para uma crítica à própria modernidade, talvez seja erro dele, mas podemos aproveitar a intenção de querer afirmar-se como indíviduo pertencente a uma história, e não como uma engrenagem no sistema (para usar o termo popular), não como uma aquisição da sociedade européia - o que de fato aconteceu com o negro por muito tempo. Pois é justamente a dissociação de seu passado que pode ser encarada como uma evolução do puro e simples sequestro praticado pelos escravistas há 150 anos.
Um grande problema quanto a descontrução do 'negro' como termo pejorativo, como tenta a comunidade citada, é evitar termos cunhados pela sociedade branca. Pois estes termos — negro, preto, de cor — foram criados todos num contexto de preconceito. Negro de trabalho... Não é só essa expressão pejorativa que há por aqui. "Neguinho", por exemplo, não é um diminutivo carinhoso, servindo muitas vezes para desdém quanto a garotos negros e pobres. Mas devemos também nos lembrar que "negus", em aramaico, significa "rei".
Em todo caso, acho que para críticos da análise do discurso, nos apegamos demais ao discurso!... Vou refletir melhor sobre suas colocações, e escrevo mais depois. Abraço... --Marcelo Reis 21:28, 27 Jul 2004 (UTC)

Caro Marcelo, neste caso particular, muito excepcionalmente, até eu sou um partidário do "desconstrutivismo popular", com todos os arrepios que a primeira palavra me provoca. Mas não deveriamos mais correctamente "desconstruir" as associações negativas da palavra preto ? É uma cor. Se o seu uso foi torpedeado por algum racista, ao evitar usar esse termo eu estarei dando razão ao racista. Estou perpetuando a sua associação de uma cor com uma classe social. E pior, ao usar a palavra negro, uma palavra associada com uma raça, estou a legitimar uma qualquer "autoridade rácica nazi". --Joaotg 04:56, 28 Jul 2004 (UTC)

Nota: Não estou propondo qualquer remodelação do artigo. Só estou "filosofando". Se a minha filosofia não tem grande qualidade talvez seja por eu não dominar o dialecto suábio, ao contrário de Hegel :-) --Joaotg 04:56, 28 Jul 2004 (UTC)

Caro João, tenho lá minhas dúvidas quanto a capacidade real do descontrutitivismo popular quanto à palavra "preto". Sim, como você diz, é uma cor, e não uma raça. Penso que um negro tem um raça, como um branco tem uma raça. Não precisamos ter medo de ter uma raça — no conceito "popular" de raça, não no conceito biológico, que está muito distante — precisamos ter medo de ter somente um cor generalizada e não uma cultura. Acho fundamental falar novamente na etimologia da palavra negro, 'negus', rei.
Por esse raciocínio da cor, deveríamos chamar os asiáticos de amarelos? Ora, eles são asiáticos. Ter uma raça é natural, o que não é natural é achar que uma raça apresenta vantagens em todos os aspectos sobre outras. (Não digo "qualquer aspecto" por um vago respeito a antropometria que me obrigam na faculdade de Educação Física... Mesmo assim, creio que as diferenças são insignificantes e inexploradas e desconhecidas em sua quase totalidade.) Mas, ainda como eu disse antes, é difícil encontrar um termo que não carregue preconceitos, todos foram elaborados com algum sentido pejorativo, sentido que é difícil de se afastar e que a meu ver não coloca preferência sobre qualquer uso — a não ser aquele escolhido voluntariamente pelo movimento. Também não domino o suábico, talvez seja melhor escrever uma canção... :-) Abraço, Marcelo Reis 05:32, 28 Jul 2004 (UTC)
Caro Marcelo, concordo que o termo deva ser escolhido voluntariamente. Esse termo será sempre uma escolha de uma comunidade, com base em argumentos. Estava tentando tornar claro os argumentos. Não vejo um problema em usar o termo amarelos para indivíduos dessa cor. Também usamos a palavra branco para nos referir a pessoas. A solução "asiáticos" funciona ao mesmo nível que Afro-brasileiros, ou Europeus. Não é uma solução total. Podemos falar de um Afro-brasileiro branco ? Porque não, se ele tiver vindo do Norte de África ? Um sul-africano branco que emigre para o Brasil é um Afro-Brasileiro ? Claro que sim. Ou outras combinações como negro asiático etc, etc. Enfim, estou sem tempo agora, mas voltaremos a esta "discussão cromática". Um abraço, --Joaotg 10:37, 28 Jul 2004 (UTC)
PS: Entretanto vi o artigo en:Nigger (word), que me pareceu interessante.
Rui, creio que a mentalidade dependente do Brasil tenha sido a causa da mesma tentativa — só que dessa vez, por parte de políticos, e não do povo — em forçar o uso de "afro-brasileiro", cópia do "afro-americano". São duas expressões que a meu ver não têm valor, simplesmente porque excluem o indivíduo do pais a que ele pertence. Eu não sou nem africano, nem brasileiro - só a metade de ambos? Prefiro ser negro brasileiro. Quanto a expressões pejorativas entre negros e entre amigos, no Brasil também usamos... Por exemplo, "tição", que seria pejorativo num contexto escrito, é amplamente usado para designar um homem negro. Ou mesmo "negão". "Mano" é uma variação que tanto negros quanto brancos usam no Brasil com relação a colegas, sendo "mina" a designação para meninas. Isso entre os mais pobres, seria realmente difícil ver um filho da classe média ou alta usar "mano"... Em todo caso, fico muito agradecido pelas informações sobre expressões aí na África, vou inclusive tentar usar algumas por aqui. Abraços... --Marcelo Reis 21:40, 27 Jul 2004 (UTC)

Raças[editar código-fonte]

"Cada o homem é uma raça" é o título dum livro do Mia Couto, outro moçambicano branco. O livro é de contos e não discute os conceitos de raça. Aliás, o Mia é um biólogo como eu... Tal como no Brasil, em Moçambique há gente de todas as origens e, naturalmente, sempre existe a tendência de as pessoas se associarem mais de acordo com as suas origens, a sua cultura, mas também de acordo com a sua posição na sociedade em geral. Por exemplo, eu ou o Mia, nos associamos mais com outros biólogos ou, em geral, outros investigadores moçambicanos, não importa qual seja a sua cor ou origem étnica, do que com funcionários ou empresários portugueses ou de origem portuguesa (ou "brancos"), a quem nós chamamos "carinhosamente" TUGAS. Por outro lado, nós (moçambicanos em geral) chamamos "asiáticos", não aos "amarelos" - que tradicionalmente são considerados "brancos", mas aos de origem indiana. E aqui já se nota uma divisão muito profunda, uma espécie de ressentimento: é que estes "asiáticos" (que no tempo colonial eram normalmente apelidados de "monhé" ou "baniane", termos que cairam em desuso) são geralmente os pequenos - e agora, grandes - comerciantes e detentores do dinheiro "vivo", nunca usam o banco, não se misturam com os outros moçambicanos... É evidente que há excepções e eu sempre tento lutar com os meus amigos para evitarem generalizações.

Em resumo: na minha maneira de ver, cada pessoa se considera - e é aceite - pertencente a uma "raça" composta por pessoas com os mesmos interesses, educação, etc., em que a cor da pele tem um "valor" secundário. Bom, depois há a história do racismo e de como vários grupos desfavorecidos lutam contra ele. Mas isso fica para outra ocasião, porque agora tenho uma reunião.

Abraços.--Rui Silva 06:35, 29 Jul 2004 (UTC)


Caro Rui, enquanto discute provavelmente assuntos ligados à biologia na sua reunião, eu aproveito para me intrometer furtivamente nesta discussão, não obstante a minha falta de formação em ciências naturais.
Não nego a existência do conceito raça. Proponho é que se deixe esse conceito para as discussões como provavelmente aquela que tem neste momento, com outros biólogos. Numa conversa entre biólogos não tenho nada a obstar que se fale em raças. Estejam à vontade.
Mas será que numa conversa normal na rua, no emprego ou com amigos, deveremos usar palavras da teoria racial?
Ao identificar-se nesta discussão o Rui deixou de lado qualquer referência a uma raça. Identificou-se como moçambicano branco. Nada a obstar: é uma informação relevante para a discussão, foi comunicada objectivamente.
Mas se o Eusébio viesse à Wikipédia e se identificasse como , "moçambiano negro" (ou português), estaria a fazer uma referência não à sua cor de pele mas a uma raça. Era o mesmo que o Rui se tivesse identificado como "moçambicano ariano" :-)
Ou seja, repare na situação que temos. Podemos usar termos raciais, geográficos ou puramente cromáticos para definir a nossa cor de pele (Chamemos-lhe uma trialéctica :-) Para um grupo usamos normalmente a cor (usamos branco e não europeu ou ariano). Para outro grupo usamos o seu espaço geográfico (o asiático). Para outro grupo (mencionado em último lugar, bolas) usamos o termo racial - negro. Esta solução trialéctica não é muito justa, não lhe parece ? Eu já tinha as minhas dúvidas quanto à dialéctica mas a solução trialéctica ainda me parece pior. Um abraço, --Joaotg 07:35, 29 Jul 2004 (UTC)

Caro Joãotg, a questão é exactamente essa: como biólogo, mas principalmente como intelectual, eu REJEITO o "conceito" de raça, aplicado à espécie humana. E aparentemente, a Wikipédia também - faça uma pesquisa da palavra na nossa Wikipédia e verá como a palavra só é aplicada em relação à teoria racista ("arianos" e "não-arianos")! Infelizmente, nós fomos educados em sistemas nascidos da II Guerrra Mundial e crescemos com esse conceito. Por isso, p'ra você, a palavra "negro" indica uma raça, enquanto que p'ra mim, indica uma côr, uma palavra sinônima de "preto", tal como "vermelho" - que, quando eu aprendi a falar, era uma palavra proíbida em Portugal... (por causa do comunismo) - é sinônimo de "encarnado", a palavra que eu uso mais frequentemente.

As minhas contribuições nesta discussão foram no sentido de demonstrar (o que parece que não consegui) que em África não existe o conceito de raça! Um exemplo interessante é o facto de eu ter sido eleito presidente da asssociação dos estudantes africanos da minha universidade nos EUA - e ser contestado apenas por "African-Americans"... Pobres norte-americanos!

Claro que os africanos negros - aliás, castanhos... mais ou menos escuros - usam a palavra raça. Por exemplo, a miscigenação é bem vista, "para apurar a raça", ou seja, na esperança de ter descendentes menos escuros. Já o casamento entre "tribos" diferentes, principalmente entre um indivíduo do sul e outro do norte - que têm lÍnguas e culturas diferentes - já não é tão bem visto... Mas as pessoas precisam de descritores: "Quem é esse António?" "É um sujeito escuro; deve ser do Chibuto..." Ou então: "É aquele branco..." ou "aquele misto...". Logicamente, o Eusébio diria eu sou um moçambicano negro ou o Pelé diria eu sou um brasileiro negro, porque a palavra "preto" ainda não muito aceite em Portugal e, pelos vistos, no Brasil, para descrever a cor duma pessoa...

Agora, outro problema muito diferente é o racismo actual, ou seja, a forma como nas nossas sociedades, certos grupos populacionais continuam a ter mais privilégios que outros. E infelizmente, a grande maioria dos "dispossessed" são mais escuros que os "afluentes" ou privilegiados! Isso tem levado - e muito justamente - à formação de "associações" ou "grupos de pressão" para lutar contra esta situação injusta. E por vezes, esses grupos rejeitam a inclusão de pessoas que não tenham as mesmas características - por vezes, apenas a cor da pele. O que também é compreensível, apesar de não ser justo - na minha opinião...

Espero que agora tenha sido mais claro e que esta discussão continue!--Rui Silva 09:22, 31 Jul 2004 (UTC)

P.S. E não, entre os meus amigos biólogos ou historiadores ou físicos não discutimos o conceito de "raça" aplicado ao Homem. Mas discutimos o racismo... E sim, na minha reunião estivemos discutindo a biologia dos camarões, mas também a física da água e as estruturas que se podem construir para evitar a erosão costeira!

Tradução do seu discurso[editar código-fonte]

Não seria melhor mover o conteúdo adicionado pelo anónimo 200.208.91.118 [3] para o wikisource ? -- Get_It ¤ 13:17, 4 Abr 2005 (UTC)

Eu já havia posto na Wikiquote o discurso na íntegra. Campani discusssão 13:29, 4 Abr 2005 (UTC)

Questões de Português[editar código-fonte]

Quando é que se deve começar a usar o acordo ortográfico português? Hoje recebi um aviso de um outro utilizador que rectificou as minhas correcções a este artigo. Eu não sei quem esse user é nem o consigo contactar, pelo que mantenho-me com as mesmas duvidas. Em Portugal não se usam expressões como "ônibus". Expressões essas que eu corrigi para o português de Portugal. Correcção essa que me foi retirada.

Agora, qual é o formato mais correcto? Pelo menos, no que toca a cordo ortográfico, expressões como "ônibus" deixarão de existir. Será correcto rectificarem as minha correcções se aquilo que eu corrigi estava correcto?o comentário precedente não foi assinado por Stieglitz (discussão • contrib.) Heitor pois não? 02h53min de 2 de julho de 2009 (UTC)