Elefante (xadrez)

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Elefante no conjunto Peças de Carlos Magno.

O Elefante é uma peça de xadrez do chaturanga de valor aproximado de três peões. Movimenta-se em uma casa na direção diagonal podendo pular peças intervenientes e captura tomando o lugar ocupado pela peça adversária. Devido a característica de seu movimento, assim como o Bispo, tem a deficiência da fraqueza da cor onde seu movimento fica limitado a cor da casa de onde inicia a partida.

O elefante foi substituído pelo bispo por volta do século XII e os historiadores indicam que a mudança do nome decorreu da influência da Igreja Católica na idade média e da semelhança da peça abstrata árabe com o mitra utilizados pelos bispos na época.

Origem e etimologia[editar | editar código-fonte]

Uma miniatura medieval armena representando elefantes de guerra sassânidos na Batalha de Avarair[1]

Uma das lendas que sobre a criação do jogo conta que o brâmane Sissa criou o jogo chaturanga, predecessor mais antigo do xadrez, a pedido do Rajá indiano Balhait. Sissa tomou por base as figuras do exército indiano, e incluiu o Elefante como forma representativa de uma das partes dos exércitos durante a guerra.[2] De acordo com relatos gregos, esta era a composição do exército indiano desde o Séc. IV a.C. A palavra chaturanga que posteriormente nomeou o jogo tem o significado ligado às partes do exército no Ramáiana e no Mahābhārata no qual o exército é expressamente chamado de hasty-ashwa-ratha-padatam do qual hasty[nota 1] é a palavra em sânscrito para um elefante.[4]

Embora não seja uma palavra do idioma persa, assim como os árabes a peça era denominada Pil com o significado de elefante. Os espanhois utilizaram a mesma palavra árabe Al-Fil ou Alfil com o significado próximo de O Elefante.[carece de fontes?] Dois livros do final do século XV descrevem a inclusão do Bispo no lugar do Elefante: o Libre Del jochs partits dels schachs em nombre de 100 de Francisco Vicente, perdido em 1811 durante um saqueamento dos soldados de Napoleão ao monastério de Montserrat, e o Repetición de amores e arte Del axedres com CL iuegos de partido de Luiz Ramíriz de Lucena, impresso na cidade de Salamanca e dedicado ao recém falecido príncipe Don Juan, filho de Fernando e Isabel de Castela. Ao invés de se mover pulando somente uma casa, poderia percorrer o caminho diagonal desde seu caminho não estivesse impedido.[5]

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

No continente europeu, o conjunto de peças de Carlos Magno encontrado na Basílica de Saint-Denis no século XIII, contém quatro elefantes em marfim representados por dois mahout montados no animal.[6]

Movimento e valor relativo[editar | editar código-fonte]

Começo de um tabuleiro de xadrez. a b c d e f g h
8 8
7 7
6 cruz em a6 cruz em e6 6
5 5
4 bispo preto virado em c4 4
3 3
2 cruz em a2 cruz em e2 2
1 1
a b c d e f g h Fim do tabuleiro de xadrez.
Movimentação do Elefante, as cruzes denotam onde o movimento é permitido.

No início de uma partida de chaturanga, cada jogador tem um par de elefantes dispostos em c1 e f1 para as brancas e c8 e f8 para as negras. Seu movimento é obliquo, movimentando-se uma casa na diagonais, pulando a primeira estando esta ocupada ou não.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A The London Encyclopaedia de 1839 menciona a palavra Hasli com o mesmo significado.[3]

Referências

  1. Connolly, Peter; et al. The Hutchinson Dictionary of Ancient and Medieval Warfare (em inglês). Inglaterra: Routledge. 28 páginas. isbn 978-1-57958-116-9. Consultado em 26 de abril de 2010 
  2. Lasker (1999), pp.29, 30
  3. The London Encyclopaedia, Or, Universal Dictionary of Science, Art, Literature, and Practical Mechanics (em inglês). Londres: [s.n.] 1839. pp. 572–573. ISBN 978-1143301612. Consultado em 16 de abril de 2010 
  4. Murray (1913), p.43-44
  5. Yalom (2004), p.195
  6. «The so-called Charlemagne Chessmen». Consultado em 31 de dezembro de 2009 
  7. Hooper (1992), p.134-135

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • HOOPER, David e WHYLD, Kenneth (1992). The Oxford Companion to Chess (em inglês) 2ª ed. Inglaterra: Oxford University Press. ISBN 0-19-866164-9 
  • WILLIANS, Gareth (2000). Master Pieces (em inglês) 1ª ed. Londres: Quintet Publishing Limited. ISBN 0670893811