Estáfilo (filho de Dionísio)

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Estáfilo, na mitologia grega, foi um filho de Dionísio e Ariadne, nascido na ilha de Lemnos.[1]

Quando Teseu parou na ilha de Naxos, no caminho de Creta para Atenas, Dionísio se apaixonou por Ariadne, a raptou, e levou-a para Lemnos.[1] Lá, eles tiveram os filhos Toas, Estáfilo, Enopião e Pepareto.[1] Uma versão alternativa, citada por Plutarco, foi que Estáfilo e Enopião eram filhos de Ariadne e Teseu;[2] ou, segundo os habitantes de Naxos, para os quais houve dois reis de nome Minos e duas princesas de nome Ariadne, Estáfilo e seu irmão seriam filhos de Dionísio com a primeira Ariadne.[3]

Estáfilo e Crisótemis tinham três filhas: Molpadia, Reo e Parteno.[4]

Segundo Partênio de Niceia,[Nota 1] Estáfilo, filho de Dionísio, habitava Bubasto, e recebeu Lircos, filho de Foroneu, cuja esposa Hilébia, filha do rei de Cauno, Egíalo, não conseguia ter filhos. Após consultar o oráculo de Apolo em Dídima, Lircos recebeu a mensagem que engravidaria a primeira mulher com quem ele se deitasse; passando por Bubasto, Estáfilo fez Lircos beber vinho e deitar-se com sua filha. Reo e Hemiteia [Nota 2] disputaram para ver qual das duas se deitaria com Lircos, e a escolhida foi Hemiteia. Quando Egíalo soube disso, baniu Lircos, mas Hilébia permaneceu do lado do marido. Quando Basilo, filho de Lircos e Hemiteia, cresceu e foi para Cauno, Lircos o reconheceu como filho, e fez dele seu sucessor.[5]

Reo foi seduzida por Apolo; Estáfilo, achando que ela havia sido seduzida por um mortal, colocou-a em um bote, que lançou sobre as ondas do mar.[4] O bote acabou chegando à ilha de Delos, consagrada a Apolo, onde Reo deu à luz Ânio.[6]

Molpadia e Parthenos estavam vigiando uma jarra de vinho do seu pai, porém elas adormeceram, e um porco quebrou o jarro.[7] Com medo do pai, elas foram até um precipício e se jogaram,[7] mas Apolo, por causa de sua ligação com Reo, as salvou, estabelecendo-as em cidades do Quersoneso.[8][Nota 3]

Parthenos ficou em Bubastus, e Molpadia, que passou a se chamar Hemiteia (semi-deusa), ficou em Castabus.[8] Hemiteia foi adorada pelos povos do Quersoneso,[8] através de sacrifícios com uma mistura de leite e vinho;[9] o templo de Hemiteia tornou-se tão importante que os persas, quando dominavam a Ásia Menor e estavam pilhando os templos, apenas pouparam o templo de Hemiteia.[10]

Notas e referências

Notas

  1. A história de Partênio de Niceia tem alguns anacronismos: Lircos saiu de Argos para procurar Io, a mando de Ínaco; segundo vários outros autores, estes personagens viveram várias gerações antes do nascimento de Dionísio. Por exemplo, Jerônimo de Estridão calcula o reinado de Cadmo, avô de Dionísio, em c. 1430 a.C., e o reinado de Ínaco em Argos de 1856 a 1806 a.C.
  2. Hemiteia, conforme o texto logo abaixo explica, foi o nome de Molpadia após ela ter se tornado semi-deusa
  3. Quersoneso, em grego, quer dizer península; as cidades de Bubastus e Castabus eram cidades da Cária

Referências

  1. a b c Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, Epítome, 1.9
  2. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Teseu, 20.2
  3. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Teseu, 20.5
  4. a b Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 62.1
  5. Niceneto, Lirco e Apolônio de Rodes, Cauno, citados por Partênio de Niceia, Histórias de Amor, I, A História de Lirco
  6. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 62.2
  7. a b Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 62.3
  8. a b c Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 62.4
  9. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 62.5
  10. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro V, 63.1