Estaca de tortura

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Crux simplex.

Estaca de tortura (em grego: σταυρός; transl.: staurós) era um objeto constituído basicamente de uma estaca reta na vertical[1] no qual criminosos eram presos para serem punidos, torturados, empalados ou pendurados para humilhação pública. No latim, a estaca também é referida como Cruz (em latim: crux) onde a palavra denota duas madeiras fixadas transversalmente (ou, no caso de uma estaca simples, as vezes chamada de crux simplex).

Era utilizada por muitos povos ora como instrumento de culto a seus deuses, ora como instrumento de suplício. Para os babilônios, por exemplo, a cruz era utilizada na adoração ao deus da fertilidade Tamuz. Mais tarde o uso do objeto para esse fim se espalhou para outros povos: Egito, Índia, Síria e China (e há, de fato, várias representações da cruz em diversas culturas não-cristãs ao redor do mundo). Já para os romanos e outros povos, o objeto era utilizado como instrumento para a execução do julgamento de criminosos, pessoas que foram sujeitas a condenação pública. Mais tarde, após o 3.° século, a cruz começou a ser utilizada no Cristianismo.[2]

Seu uso no Cristianismo[editar | editar código-fonte]

A cruz é utilizada na cristandade como símbolo sagrado e objeto de culto e adoração a Deus. Para muitos cristãos, a cruz, portanto, representa o ato em que Jesus (chamado O Cristo, ou Messias) teria dado sua vida pela "humanidade", e morto como mártir em favor de seus seguidores.

O instrumento só começou a ser utilizada como símbolo cristão após o 3.° século, como atesta o erudito bíblico W. E. Vine:

"Por volta dos meados do 3.° séc. A.D., as igrejas ou se tinham apartado ou tinham parodiado certas doutrinas da fé cristã. A fim de aumentar o prestígio do sistema eclesiástico apóstata, aceitavam-se pagãos nas igrejas, à parte de uma regeneração pela fé, e permitia-se-lhes em grande parte reterem seus sinais e símbolos pagãos. Assim se adotou o Tau ou T, na sua forma mais freqüente, com o madeiro atravessado um pouco abaixado, para representar a cruz de Cristo." [3]

Atualmente é simbolo sagrado para a maioria das religiões cristãs, com exceção das Testemunhas de Jeová[4], Mórmons[5], Espíritas, e alguns ramos dentro dos próprios Evangélicos.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Há bastante controversa sobre o formato do objeto em que Jesus foi pregado. Ao contrário do que a cristandade comumente sugere, alguns eruditos bíblicos defendem a ideia de que Cristo não morreu em uma cruz, mas em uma estaca simples conforme sugere a própria palavra grega utilizada nos manuscritos bíblicos, isto é, σταυρός (staurós), portanto, significaria apenas uma estaca ou um poste. Em algumas passagens da Bíblia Sagrada, como em Atos 5:30; 10:39; 13:29; Gálatas 3:13; 1 Pedro 2:24, os apóstolos utilizaram uma outra palavra grega para denotar o mesmo objeto, trata-se da palavra ξύλο (xýlon), que significa árvore ou madeiro [6], conforme a King James Bible (Versão Rei Jaime) optou por traduzir literalmente Atos 13:29:

"And when they had fulfilled all that was written of him, they took [him] down from the tree, and laid [him] in a sepulchre" (Tradução: E quando foi cumprido tudo o que fora escrito sobre ele, eles o removeram da árvore e o deitaram em um sepúlcro). [7]

Curiosamente, a LXX (Septuaginta Grega) traz ξύλο (xýlon) em Esdras 6:11 onde é mencionado ali que se houvesse algum violador da lei este deveria ser pendurado em uma viga conforme vertem as traduções da bíblia em português NVI, NTLH e Almeida Atualizada (ARA); ou em um madeiro: Almeidas Corrigida e Fiel (ARF) e Revista e Corrigida (ARC); ou ainda viga de madeira: Bíblia de Jerusalém; ou estaca: Ave Maria.

Os que argumentam a favor da cruz transversal advogam que as duas palavras utilizadas originalmente na bíblia por si só não indicam a forma dessa estaca ou se Jesus teria carregado um patibulum  e então pregado ou pendurado em outra que já havia no calvário. Defendem que na época em que se diz ser a da morte de Jesus, o significado da palavra já havia passado a abranger duas estacas cruzadas.[8][9][10][11][12]

Crucificação

Segundo o Imperial Bible-Dictionary do Rev. Patrick Fairbairn de 1814 nas páginas 376 e 377 afirma (em inglês):

A palavra grega para cruz, staurós, significa meramente "estaca" ou uma madeira reta ou uma madeira para empalar ou suspender alguém nela afixando no chão. Mas uma modificação foi inserida na época do domínio romano que estendeu sua expansão para territórios de língua grega. Até entre os romanos era usado a cruz (a cruz da qual a nossa é derivada) que aparentemente foi originalmente um pole reto, e isso sempre permaneceu como uma parte mais proeminente. Com o tempo passou a ser usada como instrumento de tortura e uma madeira transversal foi adotada, mas, entretanto, nem sempre era assim. Para isso havia mais tipos de mortes por cruz. As vezes eram executados por transfixar o criminoso com uma estaca, que era atravessada das suas costas e espinha, e saia de sua boca... Não havia nenhuma dúvida, entretanto, que mais tarde diversas formas eram comuns, e que sobre o período dos evangelhos a crucificação era usualmente feita por suspender o criminoso em uma cruz de madeira. Mas isso não determina por si só a forma da cruz. (Madeira cruzada). Para a cruz havia três formas conhecidas em uso. Uma, e provavelmente a mais antiga, era em forma da letra T, que era comumente feita simples e com uma linha perpendicular com outra atravessando o topo, fazendo dois ângulos. [1]

 

Referências

  1. «Strong's Greek: 4716. σταυρός (stauros) -- an upright stake, hence a cross (the Rom. instrument of crucifixion)». biblehub.com. Consultado em 18 de dezembro de 2017 
  2. Vine, W. E (1966). An Expository Dictionary of New Testament Words. [S.l.: s.n.] pp. Vol. I, p. 256: "STAUROS" 
  3. An Expository Dictionary of New Testament Words, W.E. Vine - Vol. I, p. 256 - ed. 1966
  4. «O que a Bíblia diz sobre a cruz?». JW.ORG 
  5. «A Cruz no Mormonismo». Vozes Mórmons. 12 de junho de 2015 
  6. «Strong's Greek: 3586. ξύλον (xulon) -- wood». biblehub.com. Consultado em 18 de dezembro de 2017 
  7. Atos 13:29. http://biblehub.com/kjvs/acts/13.htm
  8. «A cruz de Cristo». O Nortão. 4 de novembro de 2011. Consultado em 11 de novembro de 2011 
  9. «Fé e Escritura». Google Books. Novembro de 1995. 59 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011 
  10. «O Paradoxo da Cruz». Google Books. 2002. 34 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011 
  11. «A Foice da Lua no Campo das Estrelas». Google Books. 2004. 57 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011 
  12. «CORPO». Google Books. Outubro de 2007. pp. 71–72. Consultado em 29 de dezembro de 2011