Estaca de tortura

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Crux simplex.

Estaca de tortura ou Cruz (em grego: σταυρός; transl.: staurós) era um objeto com vários formatos que constituía em sua base de uma estaca reta no qual criminosos eram presos para serem punidos, torturadas, empalados ou pendurados para humilhação pública. Haviam várias formas de cruz, tanto um poste reto quando com outras madeiras na transversal onde o criminoso era preso e então pregado ou pendurado na estaca fazendo uma cruz como a que Jesus morreu, mas nem sempre seguia uma regra em sua forma.[1]

É comum ouvir bastante das Testemunhas de Jeová, que acreditam que Jesus não morreu em uma cruz, mas em apenas uma estaca simples por traduzirem a palavra grega σταυρός (staurós) em sua versão da Bíblia, A tradução do Novo Mundo, por estaca de tortura. Embora a palavra originalmente signifique estaca, ela por si só não indica a forma dessa estaca ou se Jesus carregou um patibulum  e foi pregado ou pendurado em outra que já havia no calvário. Não tem como saber. Curiosamente a versão grega dessa tradução da Bíblia, eliminou a palavra σταυρός (staurós) e substituiu por ξύλο (xýlon) (Ver. Mat.27:32 na versão em Grego dessa Bíblia)[3] que significa madeira. Embora essa palavra apareça na Bíblia se referindo a antiga prática de pendurar alguém considerado amaldiçoado em um madeiro, nos evangelhos a que aparece é staurós.[5]

Crucificação

Observações[editar | editar código-fonte]

Para muitos que compartilham o ponto de vista de que staurós seja apenas uma estaca reta de tortura e não uma cruz ou madeiras cruzadas, é um erro de tradução da Bíblia tomar staurós como estaca reta e, baseando-se nisto, dizer que Jesus foi pregado em uma estaca ao invés de uma cruz.[1] Sendo que afirmam que não tem como saber como era exatamente o instrumento de fato e mesmo assim negam que tenha havido duas madeiras cruzadas e afirmam que era apenas uma estaca de tortura reta. Entretanto, na época que se diz ser a da morte de Jesus, o significado da palavra já havia passado a abranger duas estacas cruzadas.[1][2][3] Assim, Jesus foi pregado em um madeiro fixado transversalmente ao staurós.[4][5] Segundo o Imperial Bible-Dictionary do Rev. Patrick Fairbairn de 1814 nas páginas 376 e 377 afirma (em inglês): A palavra grega para cruz, staurós, significa meramente "estaca" ou uma madeira reta ou uma madeira para empalar ou suspender alguém nela afixando no chão. Mas uma modificação foi inserida na época do domínio romano que estendeu sua expansão para territórios de língua grega. Até entre os romanos era usado a cruz (a cruz da qual a nossa é derivada) que aparentemente foi originalmente um pole reto, e isso sempre permaneceu como uma parte mais proeminente. Com o tempo passou a ser usada como instrumento de tortura e uma madeira transversal foi adotada, mas, entretanto, nem sempre era assim. Para isso havia mais tipos de mortes por cruz. As vezes eram executados por transfixar o criminoso com uma estaca, que era atravessada das suas costas e espinha, e saia de sua boca... Não havia nenhuma dúvida, entretanto, que mais tarde diversas formas eram comuns, e que sobre o período dos evangelhos a crucifixação era usualmente feita por suspender o criminoso em uma cruz de madeira. Mas isso não determina por si só a forma da cruz. (Madeira cruzada). Para a cruz havia três formas conhecidas em uso. Uma, e provavelmente a mais antiga, era em forma da letra T, que era comumente feita simples e com uma linha perpendicular com outra atravessando o topo, fazendo dois ângulos. Referências do livro citado aqui [2]

 

Referências

  1. a b «A cruz de Cristo». O Nortão. 4 de novembro de 2011. Consultado em 11 de novembro de 2011. Outro erro refere-se à cruz. Afirma-se que a cruz é um símbolo pagão e que Jesus teria sido pregado em uma estaca e com as mãos transpassadas por um só prego. Isso porque traduz-se a palavra grega “staurós” por estaca ou estaca de tortura e não por cruz. Originalmente, “staurós” significava poste, conforme se pode ver em Homero, Esíquio e outros. Porém, passou a significar duas traves (uma vertical e outra horizontal) atravessada uma na outra. E tanto os escritores pagãos como os cristãos nos apresentam a cruz no tempo de Cristo usada para punir os criminosos: havia uma trave vertical chamada “stipes” ou “staticulum”, e uma outra dita “patibulum”, que era fixada à anterior em sentido horizontal. O réu era preso à trave horizontal com os braços abertos e depois fixo ao poste vertical. 
  2. «Fé e Escritura». Google Books. Novembro de 1995. 59 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. Objeção: Homero usa a palavra staurós com o significado de peça vertical de madeira, ou um prego de madeira. Resposta: Temos de recordar que Homero escreveu no século IX a.C., enquanto Cristo foi crucificado no século I da nossa era, de acordo com a Lei Romana. Por outro lado, todos os estudos, rolos, documentações e escavações assim como o Novo Testamento provam que Cristo foi crucificado sobre duas peças de madeira. É verdade que o vocábulo staurós significava inicialmente uma peça vertical de madeira, mas, logo depois, referia-se a abas as peças de madeira conectadas, usando a parte para descrever o todo (metonímia). Nos evangelhos, é evidente que "Cristo saiu carregando sua cruz", mas se esta "cruz" (staurós) fosse apenas uma longa peça vertical de madeira, teria sido impossível carregá-la, porque teria de ser arrastada para a frente e não carregada e nós somos informados pelos evangelistas que Simão de Cirene foi obrigado a "carregar a cruz de Jesus". Portanto Cristo não "carregou" a peça vertical de madeira conhecida como staurós pelos gregos, mas antes "o patíbulo". Os Evangelistas empregam o termo cruz (staurós) para designar ambas as peças, a vertical e a horizontal. Portanto, quando dizem que Jesus carregou a "cruz", estão se referindo ao patíbulo (peça horizontal). Quando dizem que Ele foi crucificado "na cruz", estão se referindo a ambas as peças [...]. 
  3. «O Paradoxo da Cruz». Google Books. 2002. 34 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. Paulo apóstolo, por ser de origem grega, explorou e consolidou o termo "staurós" para designar a Cruz ou fazer referência a mesma. 
  4. «A Foice da Lua no Campo das Estrelas». Google Books. 2004. 57 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. O termo grego empregado nos evangelhos para designar a cruz é staurós. Tratava-se de um pau ou um poste que era cravado verticalmente no chão. Uma espécie de coluna à qual prendiam-se os criminosos, expondo-os à ignomínia pública. No staurós era fixado o madeiro transversal dos supliciados, em geral carregados por eles próprios até o local. 
  5. «CORPO». Google Books. Outubro de 2007. pp. 71–72. Consultado em 29 de dezembro de 2011. A palavra cruz, em grego staurós, designa o poste, o pau cravado verticalmente no chão, essa espécie de coluna à qual se prendiam os criminosos, expondo-os à ignomínia pública. [...] No staurós era colocado o madeiro transversal dos supliciados, que Jesus carregou nos ombros.