Estaca de tortura

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Crux simplex.

Estaca de tortura (em grego: σταυρός; transl.: staurós) é uma estaca à qual pessoas são presas para serem punidas ou torturadas. No cristianismo, existe uma controvérsia sobre se foi numa estaca e não numa cruz que Jesus foi morto.

Argumento[editar | editar código-fonte]

Segundo John Denham Parsons "não existe uma única sentença em qualquer dos inúmeros escritos que formam o Novo Testamento que, no grego original, forneça sequer evidência indireta no sentido de que o staurós usado no caso de Jesus fosse diferente do staurós comum; muito menos no sentido de que consistisse, não em um só pedaço de madeira, mas em dois pedaços pregados juntos em forma de uma cruz. . . . É um tanto desencaminhante, da parte de nossos mestres, traduzirem a palavra staurós por ‘cruz’ ao verterem os documentos gregos da Igreja para a nossa língua nativa, e apoiarem tal medida por incluírem ‘cruz’ em nossos léxicos como sendo o significado de staurós, sem explicarem cuidadosamente que esse, de qualquer modo, não era o significado primário dessa palavra nos dias dos Apóstolos, que não se tornou seu significado primário senão muito depois disso, e só se tornou tal, se é que se tornou, porque, apesar da falta de evidência corroborativa, presumiu-se, por uma razão ou outra, que o stauros específico em que Jesus foi executado tinha esse determinado formato."[1].

Críticas[editar | editar código-fonte]

Para os críticos de que staurós seja uma estaca de tortura e não uma cruz, é considerar um erro de tradução da Bíblia tomar staurós como estaca de tortura e, baseando-se nisto, dizer que Jesus foi pregado em uma estaca ao invés de uma cruz.[2] Isto pois, na época que se diz ser a da morte de Jesus, o significado da palavra já havia passado a abranger duas estacas cruzadas.[2][3][4] Assim, Jesus foi pregado em um madeiro fixado transversalmente ao staurós.[5][6]

Referências

  1. John Denham Parsons, "The Non-Christian Cross", Londres, 1896, pp. 23, 24
  2. a b «A cruz de Cristo». O Nortão. 4 de novembro de 2011. Consultado em 11 de novembro de 2011. Outro erro refere-se à cruz. Afirma-se que a cruz é um símbolo pagão e que Jesus teria sido pregado em uma estaca e com as mãos transpassadas por um só prego. Isso porque traduz-se a palavra grega “staurós” por estaca ou estaca de tortura e não por cruz. Originalmente, “staurós” significava poste, conforme se pode ver em Homero, Esíquio e outros. Porém, passou a significar duas traves (uma vertical e outra horizontal) atravessada uma na outra. E tanto os escritores pagãos como os cristãos nos apresentam a cruz no tempo de Cristo usada para punir os criminosos: havia uma trave vertical chamada “stipes” ou “staticulum”, e uma outra dita “patibulum”, que era fixada à anterior em sentido horizontal. O réu era preso à trave horizontal com os braços abertos e depois fixo ao poste vertical. 
  3. «Fé e Escritura». Google Books. Novembro de 1995. 59 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. Objeção: Homero usa a palavra staurós com o significado de peça vertical de madeira, ou um prego de madeira. Resposta: Temos de recordar que Homero escreveu no século IX a.C., enquanto Cristo foi crucificado no século I da nossa era, de acordo com a Lei Romana. Por outro lado, todos os estudos, rolos, documentações e escavações assim como o Novo Testamento provam que Cristo foi crucificado sobre duas peças de madeira. É verdade que o vocábulo staurós significava inicialmente uma peça vertical de madeira, mas, logo depois, referia-se a abas as peças de madeira conectadas, usando a parte para descrever o todo (metonímia). Nos evangelhos, é evidente que "Cristo saiu carregando sua cruz", mas se esta "cruz" (staurós) fosse apenas uma longa peça vertical de madeira, teria sido impossível carregá-la, porque teria de ser arrastada para a frente e não carregada e nós somos informados pelos evangelistas que Simão de Cirene foi obrigado a "carregar a cruz de Jesus". Portanto Cristo não "carregou" a peça vertical de madeira conhecida como staurós pelos gregos, mas antes "o patíbulo". Os Evangelistas empregam o termo cruz (staurós) para designar ambas as peças, a vertical e a horizontal. Portanto, quando dizem que Jesus carregou a "cruz", estão se referindo ao patíbulo (peça horizontal). Quando dizem que Ele foi crucificado "na cruz", estão se referindo a ambas as peças [...]. 
  4. «O Paradoxo da Cruz». Google Books. 2002. 34 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. Paulo apóstolo, por ser de origem grega, explorou e consolidou o termo "staurós" para designar a Cruz ou fazer referência a mesma. 
  5. «A Foice da Lua no Campo das Estrelas». Google Books. 2004. 57 páginas. Consultado em 29 de dezembro de 2011. O termo grego empregado nos evangelhos para designar a cruz é staurós. Tratava-se de um pau ou um poste que era cravado verticalmente no chão. Uma espécie de coluna à qual prendiam-se os criminosos, expondo-os à ignomínia pública. No staurós era fixado o madeiro transversal dos supliciados, em geral carregados por eles próprios até o local. 
  6. «CORPO». Google Books. Outubro de 2007. pp. 71–72. Consultado em 29 de dezembro de 2011. A palavra cruz, em grego staurós, designa o poste, o pau cravado verticalmente no chão, essa espécie de coluna à qual se prendiam os criminosos, expondo-os à ignomínia pública. [...] No staurós era colocado o madeiro transversal dos supliciados, que Jesus carregou nos ombros. 

7. A Tradução do novo mundo da Biblia usa o texto original em grego que traduz a palavra staurós em estaca de tortura