Fausto de Riez

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São Fausto de Riez
Bispo de Riez
Nascimento século V
Morte ca. 490-495
Veneração por Igreja Católica
Festa litúrgica 28 de setembro[1]
Gloriole.svg Portal dos Santos

Fausto de Riez († entre 490 e 495) foi um dos primeiros bispos de Riez (Régio), no sul da Gália (Provença), o mais conhecido e destacado defensor do semipelagianismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fausto nasceu entre 405 e 410 e, de acordo com seus contemporâneos, Ávito de Vienne e Sidônio Apolinário, na ilha da Britânia. Nada se sabe sobre os seus primeiros anos ou sobre a sua educação. Alguns acreditam que ele teria sido um advogado e, por causa da influência de sua mãe, famosa por sua piedade, ele abandonou os estudos seculares ainda jovem e entrou no mosteiro de Lérins. Lá ele foi logo ordenado sacerdote e, por sua extraordinária piedade, foi escolhido em 432 para ser o chefe do mosteiro, sucedendo a Máximo, que havia se tornado bispo de Riez. Sua carreira como abade durou de vinte a vinte-e-cinco anos, durante a qual ele amealhou uma grande reputação por seus tremendos dons como pregador e por seu rígido ascetismo.

Após a morte de Máximo, ele o sucedeu como bispo de Riez. Esta elevação não provocou nenhuma mudança em seu modo de vida. Ele continuou as suas práticas ascéticas e frequentemente retornava para o mosteiro de Lérins para renovar os seu fervor. Ele era um zeloso defensor do monasticismo e fundou diversos mosteiros em sua diocese. A despeito de sua atividade como bispo, ele participou em todas as discussões de sua época e e se tornou um feroz oponente do arianismo em todas as suas formas. Por isso, e pelo que se diz de suas opiniões, detalhadas abaixo, sobre a corporeidade da alma humana, ele acabou incorrendo na inimizade do rei visigótico Eurico, que tinham conseguido dominar uma larga porção do sul da Gália, e foi banido de sua sé. Seu exílio durou oito anos, durante o qual ele foi ajudado por amigos ainda leais. Com a morte de Eurico, ele retornou para a sua diocese e retomou o trabalho contra os heréticos, algo que ele faria até a sua morte, entre 490 e 495.

O povo de sua diocese o considerou santo e erigiu em sua homenagem uma basílica.

Obras e pontos de vista teológicos[editar | editar código-fonte]

Por toda a vida, Fausto foi um ferrenho adversário de Pelágio, a quem ele chamava de Pestificador 'trazer de pragas', e igualmente um decidido opositor da doutrina da predestinação, que ele considerava "errônea, blasfema, pagã, fatalista e condutora de imoralidade". Esta doutrina, em sua forma mais repulsiva, tinha sido proposta por um presbítero chamado Lúcido e fora condenada por dois sínodos, em Arles e Lyon (475). A pedido dos bispos que se reuniram nestes sínodos e especialmente de Leôncio de Arles, Fausto escreveu o Libri duo de Gratiâ Dei et humanae mentis libero arbitrio, no qual ele refutou não apenas as doutrinas predestianistas, mas também as de Pelágio.[2] A obra, contudo, ficou marcada por seu claro semipelagianismo e foi, por muitos anos, duramente atacada e foi condenada no Sínodo de Orange (529).[3] Além deste erro, Fausto defendia que a alma humana é, de alguma forma, corpórea, sendo apenas Deus um espírito puro.

A oposição a Fausto não se desenvolveu inteiramente durante a sua vida e ele morreu com uma bem merecida reputação de santidade.

Fausto escreveu ainda o Libri duo de Spiritu Sancto,[4] erroneamente atribuído ao diácono romano Pascásio. Seu Libellus parvus adversus Arianos et Macedonianos, mencionado por Genádio se perdeu.

Suas correspondências (epistulae) e sermões podem ser encontrados na edição das obras de Fausto por Engelbrecht, Fausti Reiensis praeter sermones pseudo-Eusebianos opera. Accedunt Ruricii Epistulae no Corpus Scrip. eccles. lat., vol. XXI (Viena, 1891).

Referências

  1. «Fausto de Riez» (em inglês). Catholic Online. Consultado em 21 de dezembro de 2011 
  2. Patrologia Latina, LVIII 783
  3. Denzinger, Enchiridion, Friburgo, 1908, no. 174 sqq. - old no. 144; P.L., XLV, 1785; Mansi, VIII, 712.
  4. P.L., LXII, 9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]