Festividade religiosa

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Uma festividade religiosa é um momento ou data de especial importância para os adeptos de uma religião. Os festivais religiosos são comumente celebrados em ciclos recorrentes em um ano civil ou calendário lunar.

Roma Antiga[editar | editar código-fonte]

Homens romanos participando no festival Compitália, em uma pintura de parede de Pompeia

As férias (feriae) eram uma parte importante da vida religiosa romana durante as eras republicana e imperial e eram uma das principais características do calendário romano. Férias (no sentido de "dias sagrados") eram públicas (publicae) ou privadas (privatae), com as férias oficiais sendo celebrados pelo povo romano e recebendo financiamento público, enquanto as privadas (Feriae privatae) eram celebradas em homenagem a particulares ou famílias.[1]

Varrão, estudioso do século I a.C., definiu as férias como "dias instituídos para o bem dos deuses".[2] O festival de uma divindade costumava marcar o aniversário (dies natalis, "aniversário") da fundação do templo da divindade, ou uma rededicação após uma grande reforma.[3] Os negócios públicos foram suspensos para a realização de ritos religiosos nas férias. Cícero diz que as pessoas que eram livres não deveriam se envolver em ações judiciais e brigas, e os escravos deveriam ter uma folga de seu trabalho.[4] Nos calendários da República e do início do Império, o dia de status religioso era marcado por letras como F (para fasto), C (para comicial, um dia em que o povo romano podia celebrar assembleias) e N (para nefasto, quando as atividades políticas e a administração da justiça eram proibidas). No final do século II d.C., os calendários existentes não mostram mais essas letras, provavelmente como resultado de reformas de calendário introduzidas por Marco Aurélio que reconheceram a mudança no ambiente religioso do império.[5]

Um fragmento dos Fastos Prenestinos de abril (April), com os festivais de Vinália (VIN) e Robigália (ROB) marcados em letras maiúsculas

Nos calendários romanos sobreviventes, os festivais que aparecem em letras maiúsculas grandes (como o Lupercália e a Parília) são considerados os feriados mais antigos, tornando-se parte do calendário antes de 509 a.C..[6] Alguns dos festivais mais antigos não têm nomes de divindades.[7] Durante o período imperial, vários festivais tradicionais localizados em Roma tornaram-se menos importantes, e os aniversários do imperador e de sua família ganharam destaque como feriados romanos. Os jogos (ludos), como os Jogos Apolinários, eram frequentemente dedicados a divindades específicas, mas não eram tecnicamente feriae, embora pudessem ser feriados no sentido moderno de dias de folga do trabalho (dies festi). Depois de meados do século I d.C., eram mais frequentes os espetáculos e jogos (jogos circenses) realizados no local denominado "circo", em homenagem a várias divindades ou para aniversários imperiais (dies Augusti). Um festival religioso realizado em um único dia, como a Florália, poderia ser expandido com jogos em vários dias (Ludi Florae); o festival da Flora é visto como um precursor das festividades do Primeiro de Maio.[8]

Uma das principais fontes dos feriados romanos é o Fastos de Ovídio, um poema que descreve e fornece as origens dos festivais de janeiro a junho na época de Augusto. Por terminar em junho, menos se sabe sobre as festas romanas na segunda metade do ano, com exceção da Saturnália, festa religiosa em homenagem a Saturno em 17 de dezembro que se expandiu com comemorações até 23 de dezembro. Provavelmente o festival romano mais conhecido, alguns de seus costumes, como dar presentes e a prevalência de velas, tenham influenciado as celebrações populares do Natal.[9]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Ovos de Páscoa

O festival central do cristianismo é a Páscoa,[10] na qual os cristãos celebram sua crença de que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos no terceiro dia após sua crucificação.[11] Mesmo para a Páscoa, porém, não há acordo entre as várias tradições cristãs quanto à data ou maneira da observância, menos ainda para o Natal, Pentecostes ou vários outros feriados.[carece de fontes?] Tanto os protestantes quanto os católicos romanos observam certos festivais que comemoram eventos na vida de Cristo e, assim como os católicos ortodoxos, costumam celebrar festivais patronais.[carece de fontes?] Destes, os dois mais importantes são o Natal, que comemora o nascimento de Jesus, e a Páscoa, que marca a sua ressurreição.[11]

Festival de Fés[editar | editar código-fonte]

Uma celebração do diálogo inter-religioso, o primeiro Festival de Fés foi realizado em Louisville, Kentucky,[12] e, em 1998, o senador Wendell Ford aprovou uma resolução no Congresso dos Estados Unidos “para expressar a opinião do Senado de que o Festival de Fés de Louisville deveria ser elogiado e deve servir como modelo para festivais semelhantes em outras comunidades em todos os Estados Unidos.”[13] Várias cidades nos Estados Unidos agora hospedam festivais inter-religiosos, incluindo Kansas City, Kansas,[14] St. Louis, Missouri,[15] Indianápolis, Indiana[16] e Cincinnati, Ohio.[17]

Referências

  1. H.H. Scullard, Festivals and Ceremonies of the Roman Republic (Cornell University Press, 1981), pp. 38–39.
  2. Varrão, Da Língua Latina 6.12 (dies deorum causa instituti, como citado por Scullard, p. 39, notando também a frase dis dedicati, "dedicado para os deuses," em Macróbio, Saturnália 1.16.2.
  3. Wagenvoort, Hendrik (1956). "Initia Cereris," in Studies in Roman Literature, Culture and Religion. Brill. pp. 163–164
  4. Cicero, Das Leis 2.29, como citado por Scullard, Festivals and Ceremonies of the Roman Republic, p. 39.
  5. Michele Renee Salzman, On Roman Time: The Codex Calendar of 354 and the Rhythms of Urban Life in Late Antiquity (University of California Press, 1990), pp. 17, 178.
  6. Scullard, Festivals and Ceremonies of the Roman Republic, p. 41.
  7. Wagenvoort, "Initia Cereris," pp. 163–164.
  8. Salzman, On Roman Time, pp. 17, 120ff., 178; entrada em "Bacchanalia and Saturnalia," no The Classical Tradition, editado por Anthony Grafton, Glenn W. Most, e Salvatore Settis (Harvard University Press, 2010), p. 116.
  9. Mary Beard, J.A. North, and S.R.F. Price, Religions of Rome: A Sourcebook (Cambridge University Press, 1998), vol. 2, p. 124; Craig A. Williams, Martial: Epigrams Book Two (Oxford University Press, 2004), p. 259 (no costume de dar presentes); entrada no "Bacchanalia and Saturnalia," no The Classical Tradition, p. 116; C. Bennet Pascal, "October Horse," Harvard Studies in Classical Philology 85 (1981), p. 289.
  10. «Easter». www.bbc.co.uk 
  11. a b «Christian Festivals and Holy Days». www.bolton.ac.uk 
  12. Scanlon, Leslie (14 de Novembro de 1996). ""Festival to Showcase Religious Diversity"". The Courier-Journal.
  13. «S.Res.274 - A resolution to express the sense of the Senate that the Louisville Festival of Faiths should be commended and should serve as model for similar festivals in other communities throughout the United States.». www.congress.gov 
  14. «Festival of Faiths in Kansas City». hwpi.harvard.edu. Consultado em 14 de junho de 2020 
  15. «Interfaith Inspiration: Louisville, Kentucky's "Festival of Faiths"». Interfaith Partnership of Greater St. Louis. Consultado em 14 de junho de 2020 
  16. Imam Michael, Saahir. «Indy's Festival of Faiths invites all religions». Indianapolis Recorder Newspaper. Consultado em 14 de junho de 2020 
  17. «"Opinion: Festival of Faiths a healing balm".». Cincinnati.com. Consultado em 14 de junho de 2020