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Flesh & Blood (filme)

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 Nota: Se procura pelo álbum da banda Poison, veja Flesh & Blood (álbum).
Flesh & Blood
Conquista Sangrenta (bra)
Países Baixos
Espanha
126 minutos min 
DireçãoPaul Verhoeven
ProduçãoGys Versluys
RoteiroPaul Verhoeven
Gerard Soeteman
ElencoRutger Hauer
Jennifer Jason Leigh
Tom Burlinson
Jack Thompson
Susan Tyrrell
Ronald Lacey
Bruno Kirby
MúsicaBasil Poledouris
CinematografiaJan de Bont
EdiçãoIne Schenkkan
DistribuiçãoOrion Pictures (Estados Unidos)
Cannon Tuschinski Film Distribution (Países Baixos)
Lançamento10 de junho de 1985; há 41 anos (1985-06-10) (Seattle International Film Festival)
30 de agosto de 1985; há 41 anos (1985-08-30) (Estados Unidos)
Idiomainglês
OrçamentoUS$ 6,5 milhões
ReceitaUS$ 100 000

Flesh & Blood (Brasil: Conquista Sangrenta )[1] é um filme estadunidense de 1985, do gênero aventura, dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Rutger Hauer, Jennifer Jason Leigh e Jack Thompson. O filme se passa na Europa em 1501, e o título faz alusão a sexo e violência, temas do filme.[2]

Em 1501, uma cidade na Itália é tomada por um golpe de Estado enquanto seu legítimo senhor, Arnolfini, encontrava-se ausente. Arnolfini promete a um grupo de mercenários 24 horas de saques caso consigam retomar a cidade, o que eles fazem cometendo violências contra os que resistem. Após a vitória, Arnolfini decide expulsar os mercenários sem o pagamento prometido.

Hawkwood, o comandante das tropas, cuida de uma jovem freira que atacou por engano durante o cerco. Arnolfini promete cuidados médicos a ela enquanto Hawkwood lidera a cavalaria de Arnolfini, traindo seu antigo tenente, Martin. A cavalaria expulsa os mercenários da cidade sem o saque prometido. Pouco depois, o filho de Martin nasce morto. Ao enterrar o bebê, os mercenários desenterram uma estátua de madeira de Martinho de Tours — um santo com uma espada —, o que o capelão do grupo interpreta como um sinal divino para seguir Martin como novo líder.

Steven, filho de Arnolfini, está prometido a Agnes. Ao se encontrarem pela primeira vez, ambos ingerem mandrágora para se apaixonarem magicamente. Em seguida, a comitiva é atacada e saqueada pelo bando de Martin. Arnolfini fica gravemente ferido, Kathleen — dama de companhia de Agnes — é morta, e Agnes é levada escondida entre os itens valiosos do dote. Martin a descobre à noite. Os homens querem violentá-la, mas Martin decide tomá-la para si, impedindo depois os demais de fazê-lo. Agnes passa a manipular Martin para obter proteção.

Os mercenários invadem um castelo cujos habitantes estão infectados pela peste, sem o saber. Com a ajuda de Agnes, eles tomam o castelo. Determinado a resgatá-la, Steven recorre a Hawkwood, que reluta, mas acaba cedendo. Após localizar Martin e os mercenários, Steven não tem força suficiente para tomar o castelo e inicia um cerco. Enquanto isso, a peste se alastra entre as forças de Steven.

Steven constrói uma torre de cerco para invadir o castelo, mas Martin a destrói com pólvora. Steven é capturado e acorrentado no pátio. Hawkwood cura sua própria infecção aplicando uma nova técnica médica e, antes de partir em busca de reforços, ele e um médico arremessam pedaços de um cão infectado para dentro do castelo, contaminando o poço de água. Os mercenários adoecem e a turba culpa Martin, jogando-o no poço.

Precisando da chave de Martin para se libertar das correntes, Steven faz um acordo com ele. Quando Hawkwood e Arnolfini retornam com um exército, Martin foge para o campanário, que pega fogo durante a batalha. Quase todos os mercenários morrem. Martin tenta matar Agnes para impedi-la de voltar para Steven, mas Agnes o atinge na cabeça e foge com Steven. Ao se reencontrar com Hawkwood, Agnes avista Martin escapando do castelo em chamas carregando um saco de saques, mas nada diz.

Ator Personagem
Rutger Hauer Martin, líder dos mercenários
Jennifer Jason Leigh Agnes, filha de um aristocrata
Tom Burlinson Steven, filho instruído de Arnolfini
Jack Thompson Hawkwood, capitão de mercenários
Fernando Hilbeck Arnolfini, senhor feudal
Susan Tyrrell Celine, prostituta ligada a Martin
Ronald Lacey Cardeal, um visionário
Brion James Karsthans, mercenário
Bruno Kirby Orbec, mercenário
Simón Andreu Miel, mercenário
John Dennis Johnston Summer, mercenário
Marina Saura Polly, prostituta
Kitty Courbois Anna
Jake Wood Little John, filho de Anna
Nancy Cartwright Kathleen, dama de companhia de Agnes
Héctor Alterio Niccolo
Blanca Marsillach Clara
Anne Lockhart Esposa

[3]

Produção

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Desenvolvimento

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No início da década de 1980, Paul Verhoeven havia se estabelecido como o cineasta neerlandês de maior projeção internacional. Recebeu propostas de Hollywood, entre elas uma da Orion Pictures, que desejava um projeto nos moldes de Soldado de Orange.[4] Verhoeven tinha em mãos um esboço de cinquenta páginas escrito por Gerard Soeteman desde 1970, intitulado The Mercenaries ou God's Own Butchers, sobre mercenários dispensados por um duque. Um dos mercenários rapta a noiva do filho do duque, e o filho parte para resgatá-la. A história foi inspirada em The Wild Bunch, na série Floris, em Vera Cruz e em O Pirata Escarlate, especialmente em The Wild Bunch.[5]

A Orion Pictures concordou em financiar o projeto com US$ 7 milhões,[4] mas logo solicitou alterações, considerando necessária a inclusão de um interesse romântico. Assim, em vez de se concentrar na relação entre Hawkwood e Martin, o roteiro passou a girar em torno de Agnes e seu envolvimento amoroso com ambos os personagens.[4] Verhoeven declarou posteriormente que o fracasso do filme foi uma lição: nunca mais fazer concessões na linha narrativa principal de um roteiro.[4]

A Orion aprovou Rutger Hauer no papel principal, mas sugeriu Nastassja Kinski ou Rebecca de Mornay para o papel de Agnes. De Mornay condicionou sua participação à contratação de seu então namorado Tom Cruise como Steven. Verhoeven escalou Jennifer Jason Leigh, que o impressionou em Fast Times at Ridgemont High, e o ator australiano Tom Burlinson como Steven.[6] Para Burlinson, foi seu primeiro filme internacional; o ator descreveu o projeto como muito diferente em conteúdo e estilo de suas obras anteriores.[7]

Filmagens

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O filme foi rodado na Espanha, nas cidades de Belmonte, Cáceres e Ávila.[4]

As filmagens foram extremamente problemáticas. O elenco e a equipe incluíam atores americanos, australianos, britânicos, espanhóis e neerlandeses, e a produção era uma coprodução internacional financiada por múltiplas fontes com interesses divergentes. A decisão de Verhoeven de não elaborar um storyboard, na tentativa de obter uma abordagem visual mais livre, resultou em atrasos e desentendimentos recorrentes, agravados pelo comportamento improvisado de parte do elenco e da equipe.[4] O orçamento total de US$ 6,5 milhões foi bancado principalmente pela Orion, com empresas de produção neerlandesas e espanholas cobrindo aproximadamente um milhão.[8]

Um dos principais conflitos foi entre Verhoeven e Hauer. O ator queria cultivar uma imagem de personagens heroicos — postura contrária à intenção do diretor de retratar a ambiguidade moral de seus personagens e a Idade Média como um período sombrio, distanciando-se das convenções da fantasia medieval.[4] O desentendimento gerou uma ruptura entre os dois, que não voltaram a trabalhar juntos.[4] Em dezembro de 1984, após as filmagens, Hauer concedeu entrevista criticando duramente a produção.[9] Em 1991, Verhoeven admitiu que a relação entre ambos foi destruída durante as filmagens e que levaria anos para ser reparada.[10]

Algumas cenas do filme foram censuradas, incluindo a sequência de violência sexual, o que desagradou Jennifer Jason Leigh, que se declarou contrária à censura.[11]

Trilha sonora

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A trilha sonora do filme foi composta por Basil Poledouris, regendo a London Symphony Orchestra.[12] Em 2013, o selo La-La Land Records lançou uma edição expandida em CD da trilha, com quase o dobro do conteúdo musical em comparação ao lançamento original em LP/CD de 1985 pela Varèse Sarabande.[4]

Lançamento e recepção

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Bilheteria

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Embora o filme tenha sido distribuído mundialmente no verão de 1985, a Orion Pictures optou por um lançamento teatral limitado nos Estados Unidos, inicialmente em Los Angeles e Nova Iorque em 16 de agosto de 1985. O desempenho nas bilheterias foi considerado um fracasso, arrecadando apenas US$ 100 000 diante de um orçamento de US$ 6,5 milhões.[13] Em 1986, o filme já estava sendo exibido pelo canal HBO, parceiro comercial da Orion.[4]

Verhoeven atribuiu o insucesso comercial, em parte, ao tom do filme, que considerou "cínico e sombrio demais" para o público americano.[4] Douglas Keesey, professor de cinema e literatura da California Polytechnic State University, sugeriu que o filme não apresentava nenhum herói com quem torcer nem elemento de fantasia para amenizar sua representação da Idade Média.[4]

O fracasso do filme levou Verhoeven a se mudar para os Estados Unidos em setembro de 1985, a fim de compreender melhor a cultura americana e o tipo de produção adequado para esse mercado.[4] O insucesso de filmes anteriores, notadamente Spetters (1980), também havia dificultado o financiamento de novos projetos nos Países Baixos.[4]

O filme foi admirado por Arnold Schwarzenegger, e esse interesse foi, junto com RoboCop, um dos fatores que levaram o ator a solicitar a Verhoeven que dirigisse O Vingador do Futuro.[14]

Embora malsucedido nas bilheterias, o filme conquistou ao longo do tempo uma reputação de filme de culto.[4] No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, o filme registra 82% de aprovação com base em 22 avaliações, com média ponderada de 6,1/10.[15] No Metacritic, o filme obteve pontuação de 56 em 100, com base em 7 críticas, indicando "opiniões mistas ou medianas".[16] O público consultado pelo CinemaScore atribuiu ao filme nota média "C" em uma escala de A+ a F.[17]

O crítico Noel Murray, do The A.V. Club, descreveu o longa como uma obra que mergulha na lama e na miséria, com Hauer interpretando um mercenário do início do século XVI que lidera um grupo de indesejáveis em revolta contra um senhor omisso, enquanto Leigh interpreta uma jovem senhora raptada pelos rebeldes.[18]

A revista especializada Senses of Cinema destacou que o filme antecipa as principais preocupações de Verhoeven em sua filmografia americana: a sátira da religião e da autoridade, a política sexual perturbadora e o questionamento do heroísmo falho.[19] A publicação Slant Magazine apontou que o filme desmonta a representação idealizada da cavalaria presente em boa parte do cinema medieval.[20]

O próprio Hauer, anos depois, declarou que considerou o roteiro fraco e lamentou que melhorias prometidas nunca foram implementadas após a doença da esposa do roteirista Gerard Soeteman.[4]

Ligações externas

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Referências

  1. «Conquista Sangrenta», Adoro Cinema, consultado em 18 de julho de 2019
  2. «Conquista Sangrenta (1985): Comentário do leitor Cineplayers». Cineplayers. 12 de outubro de 2010. Consultado em 19 de julho de 2019
  3. Fischer, Dennis (2011). Science Fiction Film Directors, 1895–1998 Revised ed. Nova Iorque: McFarland & Company. p. 633. ISBN 978-0786460915
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Keesey, Douglas (2005). Paul Verhoeven. Colônia: Taschen. pp. 86–93. ISBN 978-3822831014
  5. Scheers, Rob van (1997). Paul Verhoeven. Londres: Faber. pp. 164–165
  6. Scheers, Rob van (1997). Paul Verhoeven. Londres: Faber. p. 168
  7. Burlinson, Tom. «1983–1985 Film». Tom Burlinson Official Website. Consultado em 24 de março de 2025
  8. «34 Things We Learned from Paul Verhoeven's 'Flesh & Blood' Commentary». Film School Rejects. 8 de março de 2022. Consultado em 8 de março de 2022
  9. Scheers, Rob van (1997). Paul Verhoeven. Londres: Faber. p. 172
  10. Hickenlooper, George (1991). Reel Conversations: Candid Interviews with Film's Foremost Directors and Critics. Nova Iorque: Citadel Press. p. 262. ISBN 978-0-8065-1237-2
  11. Mann, Roderick (17 de agosto de 1985). «Making a Name—Hers—for Herself». Los Angeles Times. Consultado em 3 de julho de 2016
  12. Young, R. G. (ed.) (2000). The Encyclopedia of Fantastic Film: Ali Baba to Zombies. Lanham: Applause Theatre & Cinema Books. p. 218. ISBN 978-1557832696
  13. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "flop"
  14. Schwarzenegger, Arnold (2012). Total Recall. Nova Iorque: Simon and Schuster. p. 346. ISBN 978-1-84983-974-7
  15. «Flesh & Blood (Flesh+Blood) (The Rose and the Sword)». Rotten Tomatoes. Consultado em 11 de março de 2025
  16. «Flesh+Blood Reviews». Metacritic. Consultado em 23 de outubro de 2025
  17. «The Spokesman-Review». 18 de outubro de 1986. p. 30
  18. Murray, Noel (11 de dezembro de 2012). «Paul Verhoeven's Flesh + Blood—it's all right there in the title». The A.V. Club. Consultado em 6 de setembro de 2019
  19. «Hauer'd to be a God: Flesh + Blood (Paul Verhoeven, 1985)». Senses of Cinema. Consultado em 22 de junho de 2017
  20. «Medieval Ironies: Paul Verhoeven's Flesh and Blood at 35». Slant Magazine. 30 de novembro de 2021. Consultado em 30 de novembro de 2021
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