François Ravaillac

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François Ravaillac

François Ravaillac (Angoulême, c. de 1577Paris, 27 de Maio de 1610) foi o assassino de Henrique IV, Rei de França, em 14 de Maio de 1610.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A família Ravaillac estabeleceu-se em Angoumois no início do século XVI e possuía em Angoulême, desde esta época, escritórios de política através dos quais muitas famílias burguesas chegaram inicialmente a cargos públicos ou judiciários e depois até mesmo à nobreza.

François Ravaillac começa sua vida primeiramente como servidor e a seguir torna-se professor. Muito religioso, tenta entrar na Ordem dos "Feuillants". Seu noviciado fracassa devido a suas "visões". Tenta então entrar para a Companhia de Jesus em 1606.

Em 1609, tem uma visão ordenando que convença Henrique IV a converter os huguenotes. Incapaz de encontrar-se com o rei, interpreta a decisão real de invadir os Países Baixos Espanhóis como o início de uma guerra contra o Papa. Determinado a deter o rei, decide matá-lo.

O assassinato de Henrique IV[editar | editar código-fonte]

O Assassinato de Henrique IV

Em 14 de Maio de 1610, Ravaillac rouba uma faca dum albergue. Esconde-se na Rua de la Ferronnerie, em Paris (no atual Quartier des Halles; as armas de Henrique IV, esculpidas no chão, indicam hoje o local exato do regicídio). Aí espera pela passagem da carruagem real, já que o rei havia decidido dirigir-se ao Arsenal para visitar seu ministro Sully que estava enfermo.

Às quatro horas da tarde, o rei chega. De repente, o cortejo fica bloqueado devido a um congestionamento: Ravaillac aproveita a chance e atira-se sobre o rei. Dá-lhe dois golpes de faca: o primeiro deslisa entre duas costelas, o outro atinge a carótida direita.

Ravaillac refugia-se em seguida em um porão na Rua des Lombards, bem próxima do local do atentado,[1] mas é rapidamente encontrado e subjugado. É levado ao Hôtel de Retz para evitar um linchamento e conduzido à Conciergerie.

Tortura e execução[editar | editar código-fonte]

Antes do interrogatório, Ravaillac é preso à roda. A roda é girada e Ravaillac agredido. Suas pernas são esmagadas para fazê-lo falar e são feitos cortes em seu torso, braços e costas. Uma mistura de chumbo derretido, óleo, vinagre e sal foi derramada sobre seu corpo para fechar as feridas. Colocaram-lhe a seguir um culote úmido e o aproximaram do fogo. O culote encolhe, para fazer com que os ossos das pernas, já quebrados, movam-se ; toda sua pele é retirada e ele é queimado vivo. Na verdade, Ravaillac ainda permaneceu vivo e nunca confessou seu crime. Foi, a seguir, esquartejado por quatro cavalos.

Seus parentes foram condenados ao exílio e um édito foi promulgado proibindo a qualquer pessoa do reino de se chamar Ravaillac.

Este assassinato desencadeou uma enorme polêmica. Por um lado, levantou-se a suspeita de que os jesuítas teriam incitado Ravaillac ao regicídio. Por outro lado, este ato teria sido inspirado por uma conspiração de que teriam participado Maria de Médicis (esposa do rei), Henriqueta d'Entragues (Marquesa de Verneuil) e o Duque d'Epernon; teriam agido em nome da Espanha.

A tese do complô[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 1611, Madame Jacqueline d'Escoman, que havia conhecido Ravaillac, denuncia o Duque d'Epernon como responsável pela morte de Henrique IV. Por causa disso ela será jogada na prisão pelo resto de seus dias.

Em seu livro "L'Étrange Mort de Henri IV" ("A Estranha Morte de Henrique IV") (1964), Philippe Erlanger pretende que, em sua chegada a Paris, Ravaillac foi alojado na casa de Charlotte du Tillet, amante do Duque d'Epernon. Para ele, o assassinato foi "teleguiado" pelo Duque, por Henriqueta d'Entragues e por Charlotte du Tillet.

Uma análise médica atual[editar | editar código-fonte]

Segundo a maior parte dos psiquiatras que se interessaram pelo caso, François Ravaillac apresenta o perfil típico do doente esquizofrênico paranóico. Inteiramente voltado para sua idéia fixa há muito tempo, Ravaillac já teria se deslocado duas vezes de Angoulême até Paris, a pé, acreditando poder encontrar-se facilmente com o rei para dissuadi-lo de invadir os Países Baixos Espanhóis (atual Bélgica). É apenas na terceira vez que ele passa à ação.

Provavelmente neste século XXI, ele teria sido declarado « irresponsável por seus atos » e colocado em um hospital especializado para ser tratado.[2]

Referências

  1. No n° 62, onde atualmente fica o restaurante Flam's
  2. Declaração de Roland Coutanceau, especialista psiquiátrico de tribunais (4 de março de 2009)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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