Freguesia do Ó (bairro de São Paulo)

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Freguesia do Ó
Freg06.jpg
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Dia Oficial: 29 de agosto
Fundação: 1580
Imigração predominante:  Itália,  Portugal e  Hungria
Distrito: Freguesia do Ó
Subprefeitura: Freguesia do Ó/Brasilândia
Região Administrativa: Noroeste

Freguesia do Ó é um bairro tradicional da cidade de São Paulo, de classe média e média-alta, pertencente ao distrito da Freguesia do Ó.

A história do bairro e do distrito de mesmo nome confundem-se. Entre os bairros setentrionais de além-Tietê, Freguesia do Ó destaca-se por ser um dos mais antigos. Suas origens remontam a diversas propriedades rurais paulistanas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A denominação de "Freguesia" foi dada ao bairro a partir de um decreto da rainha de Portugal, Dona Maria I, em 15 de setembro de 1796, quando a Vila de São Paulo contava com apenas uma Freguesia - a da Sé. No regime do "Padroado", ao dividir a Freguesia da Sé em três partes, ficou assim constituida a Vila do São Paulo: Freguesia da Sé, Freguesia da Penha e Freguesia de Nossa Senhora do Ó.

Nossa Senhora da Expectação era a Santa de devoção do Bandeirante Manuel Preto. O invocativo Ó faz parte de sete antífonas cantadas durante a novena que é realizada todos os anos, durante os dias 17 e 24 de dezembro, como preparação para o Natal. Nossa Senhora da Expectação é o título dado a Maria que está na expectativa da chegada do Menino Jesus.

A Igreja diz no vocativo: Ó Sabedoria... Ó Adonai... Ó raiz de Jessé... Ó Chave de Davi... Ó Sol nascente... Ó Rei das Nações... Ó Emanuel...! O mesmo invocativo tornou-se inspiração para a canção "Punk da Periferia", de Gilberto Gil.

A honraria foi a única que se manteve no nome oficial dentre os bairros paulistanos, e que foi concedida como uma forma de divisão do Episcopado, facilitando assim a vida dos fiéis moradores de bairros longínquos, que não mais precisariam se deslocar por horas para receberem amparo religioso. Os demais bairros, como o Brás, Penha e Santo Amaro, aos poucos deixaram de usá-lo nos nomes, e a Freguesia de Nossa Senhora do Ó passou a ser chamada simplesmente de "Freguesia do Ó".

História[editar | editar código-fonte]

Um dos casarões do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó. A fachada é tombado pelo Patrimônio Histórico e abriga um famoso bar da cidade de São Paulo.

O primeiro registro de ocupação das terras do bairro remonta ao bandeirante Manuel Preto na década de 1580, que teria tomado posse do lugar com sua família e índios escravos. Seu primeiro nome Citeo do Jaragoá e suas terras incluíam o Pico do Jaraguá (onde se acreditava haver ouro), além das terras correspondentes aos atuais bairros de Pirituba, Limão, Casa Verde e Santana.

Em 1610, Manuel Preto solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. Manoel e sua esposa, Águeda Rodrigues, após obterem despacho favorável em 29 de Setembro de 1615, ao requerimento de provisão que fizeram, pelo motivo de não poderem cumprir suas obrigações religiosas na vila, juntamente com sua gente, iniciaram a construção da capela dedicada à virgem sob a denominação de Nossa Senhora da Esperança ou da Expectação[1] .

Um século e meio depois, em 1796, foi inaugurada a nova igreja dedicada à Virgem do Ó, construída onde hoje se situa o "Largo da Matriz Velha", e se tornou Paróquia pelo alvará de constituição de 15 de Setembro de 1796, concedido pela Rainha de Portugal[2] .

A cultura da cana-de-açúcar foi muito praticada na região, principalmente para a produção de aguardente. Outras culturas de subsistência foram também praticadas, como café, mandioca, algodão, milho e legumes. Durante muitos anos, o bairro foi considerado como pertencente ao chamado "Cinturão Verde" da Capital Paulista.

O bairro manteve preservadas muitas de suas construções tradicionais [carece de fontes?]. Fatores que contribuíaram para isso foram: o relativo afastamento do centro, a topografia íngreme, ruas estreitas e sinuosas e a barreira natural do Rio Tietê. Um exemplo da antiga dificuldade de locomoção envolvendo o bairro é o dos voluntários da pátria que, marchando em direção ao Paraguai, deixaram o centro da cidade em torno das sete horas da manhã e atingiram o Largo da Matriz apenas no final da tarde, por volta das 18 horas.[carece de fontes?]

Largo da Matriz Velha[editar | editar código-fonte]

Casarão do largo da Matriz Velha.

O local tem este nome por ter sido o largo que até o final do século XIX abrigava a Igreja Matriz, inaugurada em 1796. Em 22 de novembro de 1896, um incêndio acidentalmente provocado pelo sacristão, que tentava queimar um vespeiro instalado numa das torres, destruiu a igreja.

Considerava-se a reconstrução no mesmo local, mas entendo a necessidade de uma igreja de maior dimensão, para abrigar a população local com maior conforto, decidiu se pelo local onde hoje encontra-se a atual Igreja Matriz.

No ano de 2009, a Escola Estadual Padre Manoel da Nóbrega, que ali se localizava, foi transferida para um novo endereço próximo. Por não ter mais atrativos, o local cada vez mais foi se tornando degradado, sendo que, segundo relatos de moradores locais, garotas de programa frequentavam o local, juntamente com o aumento dos roubos e furtos de carros e de casas vizinhas.

Para reverter este estado, e ganhar um espaço para convívio social, um grupo de aposentados e moradores locais, intitulados de "Sociedade Amigos da Matriz Velha", juntamente com a subprefeitura, conseguiram fundos - primeiramente para a construção de uma pista de malha - onde os moradores providenciaram os discos e demais equipamentos para a prática do jogo. Posteriormente, a subprefeitura construiu mesas e cadeiras cimentadas bem como numa nova pista de malha e outra para bocha.

Com esta iniciativa, o local tem registrado cada menos menos furtos e roubos, especialmente nos períodos da manhã e tarde, quando este grupo está presente no local, tornando se assim, uma praça onde pais e filhos sentem-se seguros para sociabilizar e brincar.

Novo Largo da Matriz[editar | editar código-fonte]

Casarões que se localizam ao lado da Igreja Matriz, e que também abrigam restaurantes e bares especializados.

Em janeiro de 1901, foi inaugurada a nova igreja Matriz, que foi construída em razão do incêndio que destruiu a antiga igreja, que localizava-se no Largo da Matriz Velha. No novo Largo da Matriz é onde encontramos mais facilmente edificações que remontam ao começo do século XIX, inclusive com alguns casarões tombados pelo Condephaat. Em 1947 sofre alterações, quando foram criadas ruas para circulação de carros.

No Largo da Matriz Nova, temos vários bares e alguns restaurantes. Uma das mais antigas pizzarias da cidade se encontra neste local. Alguns bares são muito frequentados, apresentando um aspecto convidativo, com sua aparência antiga. Assim, criam uma referência de sociabilidade, renovando o uso deste casario: são quatro choperias que se instalaram em casarões antigos na parte baixa da Matriz Nova, onde quase todas têm música ao vivo e uma tem em seu cardápio pratos da cozinha alemã. Dentre eles, se destaca o FrangÓ, não apenas por ser o mais velho de todos, mas há anos o local se tornou um ponto de encontro de universitários, jornalistas, empresários e pessoas famosas “de fora”, como Washington Olivetto.

Atualmente, principalmente à noite e aos finais de semana, também adolescentes, especialmente de outros bairros como Brasilândia, Vila Nova Cachoeirinha e Pirituba se concentram no local, convivendo com outros grupos sociais. Assim, o Largo da Matriz tornou-se um local de sociabilidade para moradores de bairros mais afastados.

Cultura e Lazer[editar | editar código-fonte]

O altar e o Padre Dalton Caram durante a Festa do Divino Espírito Santo, enfeitado com veludo vermelho, por ser a cor que representa o Espírito Santo.

Na década de 1960, a população do bairro passava horas agradáveis no Cine Clipper, o único cinema da região, que deu origem ao nome do largo mais conhecido da parte comercial da Freguesia, o Largo do Clipper. O apelido da praça sobrevive até hoje, embora o cinema não exista mais, e muitos nem ao menos saibam o verdadeiro nome do Largo (Oliveira Viana), ou da antiga existência deste cinema (especialmente os mais jovens), onde hoje está instalada uma agência do Banco do Brasil.

Ocorre anualmente no bairro a Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais tradicionais do calendário da Igreja Católica, e que faz da Freguesia do Ó uma das poucas localidades no Brasil onde ainda é celebrada. Os moradores antigos do bairro têm muitas relações com Pirapora do Bom Jesus, sendo tradicional a romaria anual à essa cidade.

A Freguesia é considerado um dos bairros com melhor qualidade no fornecimento de água dentro da cidade de São Paulo. Contudo, ainda carece de mais áreas de lazer. Ela conta com alguns clubes de malha (CDM), onde jovens praticam esportes, como futebol e vôlei, e aposentados jogam malha e bocha, como o CDM Cruzeiro, que fica próximo à avenida Miguel Conejo. Conta também com um Grupo Escoteiro.

O principal centro cultural do bairro é a Casa de Cultura Salvador Ligabue, localizada atrás da Igreja da Matriz.

Em 1999, o bairro ganhou um cartão telefônico em homenagem ao seu 419º aniversário.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Em 2015, iniciou-se a construção da Estação Freguesia do Ó, parte da futura Linha 6-Laranja do Metrô.

Atualmente, o bairro sofre um aumento do ataque especulativo de empresas construtoras. Um dos motivos se deve, justamente, à futura linha metroviária, mas também à presença de muitos terrenos descampados e casas velhas simples de baixo valor comercial, em comparação a outros bairros.

Fotografias[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Paróquia de Nossa Senhora do Ó Pesquisa em 03/01/16
  2. Marcildo, Maria Luiza (1973). A Cidade de São Paulo: povoamento e população, 1750-1850 (São Paulo: Pioneira). 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVIM, Murilo Lopes. Ó, a Freguesia. São Paulo: Trabalho de Conclusão de Curso de Bacharelado em Fotografia(SENAC), 2003.
  • BARRO, Máximo. Nossa Senhora do Ó. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, 1977.
  • BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
  • BOSI, Ecléa. Memória e sociedade, lembranças de velhos. São Paulo: T.A. Queiroz Editor. 1979.
  • GOFF, Jacques Le. Memória – História. Lisboa: Imprensa Nacional, 1984.
  • KOSSOY, Boris. Fotografia e história. São Paulo: Ática, 1989.
  • LUISI, Emídio. Ue' Paesà: 120 anos da imigração italiana no Brasil. São Paulo: Caixa Econômica Federal, 1997.
  • MACEDO, Carmem Cinira. Tempo de gênesis: o povo das comunidades eclesiais de base. São Paulo: Brasiliense, 1986.
  • MAGNANI, José G. e TORRES, Lílian Lucca de. Na metrópole. São Paulo: Edusp Fapesp, 1996.
  • MARTINELLI, Pedro. Casas Paulistanas: pequenos tesouros da Mooca na transformação de São Paulo. São Paulo: 1° edição. 1998.
  • MARTINS, José de Souza. Subúrbio: vida cotidiana e história no subúrbio da cidade de São Paulo: São Caetano, do fim do Império ao fim da República Velha. São Caetano do Sul: Hucitec, 1992.
  • MASCARO, Cristiano. São Paulo. São Paulo: Editora Senac, 2000.
  • MEDINA, Cremilda de Araújo (org). Ó freguesia, quantas histórias. São Paulo: ECA/USP, 2000.
  • RIBEIRO, Suzana Barretto. Italianos do Brás, imagens e memória. São Paulo: Brasiliense, 1994.
  • CAMARGO, Benedito. Matriz Velha da Freguesia do Ó. http://www.portaldoo.com.br/historia/foto/mvelha01.htm, 2006