Geometria descritiva

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Figura 1 - Representação de sólido composto pela união entre uma esfera e um cone, que demonstra em épura o traçado da Geometria Descritiva
Figura 2 - Interseção de sólidos

A Geometria Descritiva (também chamada de geometria mongeana ou método de monge) é um ramo da geometria que tem como objetivo representar objetos de três dimensões em um plano bidimensional. Esse método foi desenvolvido por Gaspard Monge e teve grande impacto no desenvolvimento tecnológico desde sua sistematização. Percebida sua importância, a Geometria Descritiva foi tratada com atenção e considerada, no início, como segredo de Estado.[1]

Metodologia[editar | editar código-fonte]

A Geometria Descritiva utiliza-se da épura para representar objetos, a partir de observadores que se encontram situados no infinito (pontos impróprios), os quais determinam direções de retas projectantes. A épura de Monge é a planificação do que foi projectado ortogonalmente nos planos de projeção, também ortogonais entre si.

A Linha de terra (LT) é a reta de interseção entre os planos de projeção propostos por Monge, chamados de Vertical (ou Frontal) e Horizontal, os quais dividem o espaço em quatro diedros ou quadrantes. Posteriormente Gino Loria implementou o terceiro plano de projeção (que deu origem à vista lateral esquerda, quando vista do 1º diedro)[1] .

As vistas são alinhadas entre si, através de linhas de chamada, permitindo a percepção de sua posição relativa (Cf. fig. 1).

Na épura, que pode ser ilustrada como a prancheta de desenho, ocorre o desenvolvimento do projeto.

A Geometria Descritiva serve de base teórica para o Desenho técnico, permitindo a construção de vistas auxiliares, cortes, secções, rebatimentos, rotações, interseções de planos e sólidos, mudança de plano(s) de projeção, determinação de verdadeiras grandezas (V.G.) de distâncias, ângulos e superfícies, bem como o cálculo de volumes a partir dos dados extraídos das projecções ortogonais[2] .

Ensino[editar | editar código-fonte]

O Ensino de Geometria Descritiva, dentro dos cursos de Artes Visuais, têm o intuito de desenvolver a habilidade espacial dos alunos e, consequentemente, exercitar o hemisfério direito do cérebro[3] .

Por outro lado, o conhecimento da Geometria Descritiva é fundamental para a Arquitetura, Engenharia e o Design de Produtos; quanto maior for o seu conhecimento, mais poderá ser extraído do potencial dos programas de CAD e das modelagens em 3D, que exigem o domínio de medidas, curvaturas e ângulos exatos.

Muitos cursos superiores de Design Gráfico, ao reformarem suas grades (estruturas curriculares), têm eliminado a Geometria Descritiva, substituindo-a por disciplinas mais condizentes com outras funções específicas, como ilustrações digitais e softwares artísticos de modelagem tridimensional, uma vez que estes podem não requerer precisão geométrica.

A modelagem tridimensional comporta em seu entendimento e construção os conceitos da Geometria Descritiva. É insuficiente o entendimento, para gerar maquetes virtuais de qualidade, sem o conhecimento de conteúdos específicos da mesma, como por exemplo, a localização de pontos através de coordenadas (X, Y, Z) em suas formas absolutas ou relativas.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Desenho visionário de Dürer, produzido quase 3 séculos antes do surgimento da linguagem da Geometria Descritiva de Gaspar Monge

Referências

  1. a b Mandarino, Denis - Desenho Projetivo e Geometria Descritiva. Capítulo VI. São Paulo: Ed. Plêiade, 1996.
  2. Machado, Ardevan - Geometria Descritiva. São Paulo: Ed. Atual, 1985.
  3. Edwards, Betty - Desenhando com o lado direito do cérebro. ISBN 8500007486.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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