Gertrudes Maria

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Gertrudes Maria foi uma comerciante paraibana conhecida por sua luta de 14 anos nos tribunais da justiça do Estado para garantir a liberdade sua e de seus filhos contra a escravidão[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gertrudes Maria, era comerciante na Cidade da Parahyba - atual João Pessoa - , atividade que exerceu após sua alforria[2]. Antes disso era escravizada, sendo propriedade de Carlos José da Costa. Em 1826, comprou sua liberdade condicionada na mão de seu senhor, em troca de serviços prestados a ele por tempo indeterminado e uma quantia em dinheiro[3][4]. Sua liberdade total estava estipulada para quando a esposa de seu proprietário falecesse[5]. Em 1828, Carlos José, endividado, tentou vender Gertrudes ilegalmente para José Francisco das Neves, a fim de quitar suas dívidas[6]. Gertrudes se recusou a ser vendida em praça pública e, rebelando-se contra a situação, conseguiu parcialmente sua liberdade por mais de uma década através de processos judiciais[7].

Tendo início em 08 de julho de 1828, o processo se deu até 1842[8]. Gertrudes Maria consegiu advogados em sua defesa e abriu um embargo contra seu senhor. Entre seus advogados estavam Luís Nogueira Moraes, José Lucas de Sousa Rangel, Francisco de Assis Pereira Rocha e Feliciano José Henriques Júnior - todos representantes da elite paraibana. Em 1831, o juiz Inácio de Sousa Gouveia considerou a carta de liberdade de Gertrudes Maria nula, dando ganho do caso á Carlos José da Costa. Entretanto, após uma apelação, o processo foi enviado para julgamento na Ouvidoria Geral da Comarca.[9] Em 1841, Getrudes e seus filhos foram presos novamente por uma ação movida contra ela por seus credores. Eles foram soltos em dezembro do mesmo ano, após a solicitação de um novo responsável, o tenente Modesto Honorato Victor[10]. Ainda em 1841, José Francisco das Neves, um dos credores de Carlos José da Costa, reativou o processo e abriu uma ação contra Gertrudes, na tentativa de vendê-la junto com os filhos em praça pública para receber o dinheiro que Carlos José da Costa o devia[11]. A resolução do caso é desconhecida[12][13].

A história de Gertrudes se tornou pública entre 1999 e 2000, quando a historiadora e pesquisadora Solange Rocha encontrou arquivado no Tribunal de Justiça da Paraíba, o processo de Gertrudes Maria[14].

Referências

  1. TJPB. , Desembargador Marcos Cavalcanti lançará romance histórico-jurídico ‘A Preta Gertrudes’. AMPB, 6 de dezembro de 2018.
  2. SIMAS, Tatiany de Oliveira. , Histórias de Resistências de Mulheres Escravizadas em Pernanbuco (1830 - 1856). Agosto, 2017.
  3. Jornal O Norte, publicado através do site Cultura Popular. , A Escrava Gertrudes.. 10 de julho de 2011.
  4. , Gertrudes Maria (século XIX). Mulher 500 Anos Atrás dos Panos.
  5. , Gertrudes Maria (século XIX). Mulher 500 Anos Atrás dos Panos.
  6. Jornal O Norte, publicado através do site Cultura Popular. , A Escrava Gertrudes.. 10 de julho de 2011.
  7. Mabel Dias. , De Gertrudes Maria a Solange Rocha: a luta das mulheres negras contra o racismo na Paraíba.. Paraíba Debate, 13 de maio de 2019.
  8. , Gertrudes Maria (século XIX). Mulher 500 Anos Atrás dos Panos.
  9. Jornal O Norte, publicado através do site Cultura Popular. , A Escrava Gertrudes.. 10 de julho de 2011.
  10. Kubitschek Pinheiro. , Desembargador Marcos Cavalcanti lançará romance histórico-jurídico ‘A Preta Gertrudes’ dia 14 deste mês. ESMA Paraíba. 07 de Dezembro de 2018.
  11. Jornal O Norte, publicado através do site Cultura Popular. , A Escrava Gertrudes.. 10 de julho de 2011.
  12. , Gertrudes Maria (século XIX). Mulher 500 Anos Atrás dos Panos.
  13. Jornal O Norte, publicado através do site Cultura Popular. , A Escrava Gertrudes.. 10 de julho de 2011.
  14. Mabel Dias. , De Gertrudes Maria a Solange Rocha: a luta das mulheres negras contra o racismo na Paraíba.. Paraíba Debate, 13 de maio de 2019.