Gringo

Gringo, de maneira geral, significa "estrangeiro" no Brasil.[1][2] Contudo, nem toda pessoa estrangeira costuma ser identificada como tal, sendo menos comum a associação com nacionais de países asiáticos, africanos e latino-americanos.[3] Em determinados contextos, também pode se referir a turistas, forasteiros, pessoas do Brasil com sotaques distintos ao local ou fenótipos brancos, ou ainda associadas ao imperialismo internacional (incluindo anglo-americanos e norte-europeus).[3][4] O uso da palavra no Brasil aplicável a qualquer estrangeiro, independentemente de sua nacionalidade, está atestada desde 1913 e chegou pelo espanhol do Rio da Prata, muito embora nesta língua o termo não se referisse a portugueses ou brasileiros por sua língua (a língua portuguesa) ser compreensível.[5][6]
Em espanhol, de maneira geral, refere-se principalmente estrangeiros de língua inglesa ou de língua ininteligível para hispanófonos; ou ainda, por extensão, para pessoas de origem estadunidense ou alheios à cultura ibero-americana.[7] O primeiro sentido deu origem ao neologismo "gringolândia" para se referir especificamente aos Estados Unidos, a partir da combinação entre "gringo" e o sufixo "-lândia" e também em alusão satírica à Disneylândia.[8] Na cidade equatoriana de Cuenca, a concentração de imigrantes estadunidenses em condomínios ao longo do corredor da Avenida Ordoñez-Lasso desde 2010 fez o bairro ser denominado como Gringolândia.[9]
"Gringo" é um termo com origem no espanhol platino.[1] A versão mais aceita de sua origem vem do espanhol griego, em alusão a expressões como "isto é grego para mim" (indicando línguas estrangeiras não compreendidas),[10] e remonta ao século XVIII. Outras versões são popularmente usadas, como o nome da canção Green grow lilacs, cantada pelos soldados estadunidenses na guerra contra o México (1845-1847), na qual os Estados Unidos incorporaram o sudoeste e a costa oeste do atual território estadunidense, ou as ordens de ferroviários britânicos no Brasil: red stop, green go!, embora tais versões sejam refutadas academicamente.[3]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 869.
- ↑ «Gringo». Dicio, Dicionário Online de Português. Consultado em 14 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2026
- 1 2 3 Blanchette, Thaddeus (23 de dezembro de 2002). «Estrangeiro - Gringo - Brasileiro: aproximação e afastamento entre brasileiros e não-brasileiros». TRAVESSIA - revista do migrante. 15 (44): 18–23. ISSN 2594-7869. doi:10.48213/travessia.i44.853. Cópia arquivada em 16 de agosto de 2025
- ↑ Silva, Adriano (11 de setembro de 2020). «Qual é a sua raça? A que etnia você pertence? E: isso é realmente importante?». Projeto Draft. Consultado em 14 de julho de 2026. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ Quevedo-Camargo, Gladys (2020). Projeto English Nuggets: etimologia de palavras e expressões em língua inglesa. Brasília: Universidade de Brasilia, página 15.
- ↑ Granada, Daniel (1890). Vocabulario rioplatense razonado. Montevideo, Imprenta Rural, p. 248-249.
- ↑ «gringo». Diccionario de la lengua española. dle.rae.es (em espanhol). Real Academia Espanhola
- ↑ Kaplan, Steven M (agosto de 2024). Valerie Jean Solanas – Supermujer promotora del poder femenino. [S.l.: s.n.] Consultado em 14 de julho de 2026
- ↑ Hayes, Matthew; Celleri, Daniela (15 de julho de 2023). «Financiarización y gentrificación transnacional: Raíces de un proceso de transformación urbana en Cuenca, Ecuador». Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales (em espanhol). 27 (2). ISSN 1138-9788. doi:10.1344/sn2023.27.40341
- ↑ CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro. 1982. Nova Fronteira. 396.
