Grupo do Café Gelo

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Tertúlia heterogénea que reunia no Café Gelo, juntando personalidades artísticas diversas como Manuel de Lima, Luiz Pacheco, Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria Raul Leal, António José Forte, Ernesto Sampaio, Herberto Helder, José Escada, René Bertholo, Gonçalo Duarte, João Rodrigues Vieira, Helder Macedo, Manuel de Castro, António Barahona da Fonseca, Manuel D'Assumpção e outros, naquilo que se poderia considerar como uma segunda geração surrealista.

Na Lisboa do final dos anos 50, tentavam iniciar uma Vanguarda em termos europeus, para o que se socorriam das vanguardas de 1915, mas com um forte pendor nacional, esteticamente influenciados por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro e pela herança abjeccionista da primeira geração do surrealismo português, avançada por Pedro Oom e pelo malogrado António Maria Lisboa. Como testemunho dos seus esforços ficaram os três números da revista Pirâmide. O Grupo era igualmente fonte de uma irreverente oposição ao Estado Novo, como o prova, entre outros, o episódio da Operação Papagaio.

Seria porventura dessa oposição que resultou o fim do Grupo. No 1 de Maio de 1962 verificaram-se violentos confrontos no Rossio entre polícia de choque e manifestantes, e agentes da polícia entraram café adentro a bater a torto e a direito. Os clientes do café ripostaram lançando à cabeça dos agressores os açucareiros e vários dos escritores e artistas implicados no contra-ataque foram proibidos de voltar ao Café Gelo, tendo a PIDE proibido o proprietário do café de receber o Grupo, sob pena de ser obrigado a fechar o estabelecimento.

O âmbito do Grupo do Café Gelo será talvez melhor descrito pelas palavras de um dos seus membros:[1]

Um verdadeiro escândalo, que não era provocado por um manifesto, por um grupo com nome próprio, por uma revista, mas por um grupo iconoclasta e libertário onde se falava de tudo, até de literatura e artes, e de rosas também. Um grupo de franco-atiradores, é verdade; um grupo de poetas, sem dúvida. Que disparava ao acaso sobre a multidão, que inventava os seus infernos e paraísos, que usava a liberdade de expressão ora voando, morrendo, desaparecendo, escrevendo às vezes.

Referências

  1. FORTE, António José. Breve notícia, breve elogio do grupo do Café Gelo. Jornal de Letras e Artes, Lisboa, 18 fev. 1986

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